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Millennials usam a tecnologia para levar "fast food do bem" a outro nível

Reprodução/Brick by Brick
Imagem: Reprodução/Brick by Brick

Kate Krader

31/03/2018 04h00

Uma tigela de Chicken Pesto Parm é mais do que um novo prato no cardápio da Sweetgreen. Essa salada quente de frango assado, espinafre orgânico, quinoa, brócolis picante e pedaços de pão za'atar temperado do Oriente Médio, com vinagrete de pesto e molho picante, representa 3.000 horas de pesquisa e trabalho com mais de 150 produtores rurais dos EUA para explorar novos ingredientes.

Marca também a maior mudança da inovadora rede de saladas fast-casual - que alia preço acessível e agilidade na preparação - em seus 10 anos de história. Uma tentativa preventiva de se manter à frente das rivais no campo de rápido crescimento das tigelas de alimentos saudáveis que a Sweetgreen ajudou a criar.

A Sweetgreen enfrenta a concorrência em todo o país de estabelecimentos tradicionais de salada para viagem como Chopt, Fresh & Co. e Salata, e mais diretamente no segmento "da fazenda para a tigela" integrado pelas empresas Just Salad, Dig Inn e Tender Greens, apoiado por Danny Meyer.

Steve Cuozzo, do The New York Post, recentemente atribuiu ao último uma classificação melhor que à Sweetgreen em resenha intitulada "Finalmente, um restaurante de saladas para almoço que não é uma porcaria".

Desde o plano inicial concebido quando eram estudantes da Universidade de Georgetown, os fundadores da Sweetgreen, os millennials Nicolas Jammet, Jonathan Neman e Nathaniel Ru, levantaram US$ 100 milhões. Agora, contam com 87 estabelecimentos espalhados pelos EUA; até o fim do ano, esperam que o número chegue perto de 100.

Diante disso, a "grande" mudança da Sweetgreen é meramente a adição de novos pratos ao cardápio. A partir desta quinta-feira, os clientes podem encontrar a Spicy Thai Salad com tofu de gergelim assado e um molho de caju com pimenta; uma Curry Chickpea Bowl que inclui quinoa quente e uma variedade de vegetais crocantes; a Fish Taco, uma mistura de truta steelhead assada, rúcula orgânica, quinoa, repolho e chips de tortilla; e Lentil + Avocado (Lentilha e abacate), com beterraba, nozes e molho vinagrete balsâmico doce e picante.

Em alguns casos, os novos pratos parecem mais com trocas de ingredientes: o Chicken Pesto Parmes substitui o Pesto Portobello; antes da Spicy Thai Salad havia Rad Thai com o mesmo molho de caju picante, mas sem tofu.

Segundo Jammet, cada mudança de ingrediente representa uma intensa pesquisa:

Levamos seis meses testando lentilhas para chegar no ponto que queríamos para o prato com abacate. Provamos muitas delas para chegar onde estamos agora

Esse tipo de teste parece breve no mundo de mega franquias como o McDonalds, que pode levar anos para lançar uma nova opção. Para uma cadeia ágil como a Sweetgreen, no entanto, esse investimento de tempo pode parecer uma eternidade. A empresa trabalha nessa atualização desde 2014 testando múltiplas combinações de ingredientes em sua cozinha de testes de Culver City, Califórnia, que mais parece um cubo de vidro.

Ainda assim, os fundadores dizem que a ferramenta mais poderosa da Sweetgreen é sua mentalidade voltada à tecnologia: "Estamos fazendo uma revolução digital nos alimentos. Estamos tão empenhados com nossa equipe de tecnologia quanto com nossa equipe de abastecimento", diz Jammet.

O cofundador e CEO Newman acrescenta:

Fomos os primeiros a usar blockchain como aplicativo para alimentos. Fomos um dos primeiros da categoria a lançar um aplicativo [em 2013]

"Criamos esse novo menu para dar sabor, e as análises de nosso aplicativo nos permitem descobrir o que as pessoas desejam", explica. 

Os clientes inclusive foram informados preventivamente de que sua salada favorita estava desaparecendo.

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