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Huawei apela a campanha de sedução e mudança de imagem após escândalo

Ng Han Guan/AP Photo
Imagem de Meng Wanzhou aparece em um dos aparelhos expostos em loja da Huawei Imagem: Ng Han Guan/AP Photo

Da Bloomberg

2018-12-26T10:44:19

26/12/2018 10h44

Visitas guiadas a algumas de suas instalações mais sensíveis. Uma reunião privada para a imprensa internacional com seu principal executivo. Um diário pessoal emocionado descrevendo um terremoto devastador. Nas semanas seguintes à prisão inesperada de sua diretora financeira, a sempre sigilosa Huawei Technologies parece outra empresa.

A detenção da diretora financeira Meng Wanzhou no Canadá despertou uma atenção sem precedentes sobre a maior empresa de tecnologia da China, que se viu no centro das tensões entre americanos e chineses.

Como os EUA acusaram Meng, filha de Ren Zhengfei, o bilionário fundador da Huawei, de cometer fraude bancária para violar as sanções iranianas, até mesmo os controles internos da empresa foram questionados. Em resposta, a empresa lançou uma campanha de sedução incomum, dizendo que se trata de difamações contra uma cidadã internacional fundamental para o futuro das comunicações sem fio.

Nos últimos anos, a Huawei tomou medidas para enfrentar reclamações sobre falta de transparência divulgando mais resultados financeiros e construindo laboratórios para exibir tecnologia proprietária. Mas nos últimos tempos a empresa realizou esforços atípicos, convidando a imprensa estrangeira para visitar seus campi na China e abrindo sua sigilosa base de pesquisa "Casa Branca" à imprensa.

Naquela que talvez tenha sido a decisão mais incongruente, a Huawei divulgou um trecho de 700 palavras de um diário que, segundo a empresa, Meng escreveu após receber correspondência de uma fã japonesa anônima. O título do texto é "Sempre há bondade nas pessoas!" e explica que a autora da carta estava "muito triste" com a prisão de Meng no Canadá e que "não pode mais ficar calada".

Na terça-feira, a empresa tomou a decisão incomum de disponibilizar o presidente rotativo do conselho, Ken Hu, para uma sessão de perguntas e respostas de duas horas de duração.

"O ano foi bastante agitado, não é?", disse Hu aos jornalistas, defendendo o histórico da empresa e criticando as acusações dos EUA a respeito da independência e da suposta participação da empresa em espionagem. "Muitos países têm diversas preocupações em relação ao 5G. A maioria dessas preocupações é razoável e baseada na tecnologia. Trabalharemos com governos e operadoras para eliminar essas preocupações."

A necessidade de comunicação da Huawei é compreensível dada sua posição: o dispendioso esforço de anos para conseguir uma posição forte para a futura tecnologia de quinta geração, ou 5G, agora corre o risco de chocar com o conflito entre as duas maiores economias do mundo. A empresa precisa garantir novamente aos clientes de todo o mundo que é a melhor opção e dissipar o receio de que seus equipamentos não sejam seguros ou que possam ser sabotados por Pequim -- algo que a empresa sempre negou.

No texto do diário fornecido pela Huawei, Meng descreveu meticulosamente a resposta mais do que adequada da empresa aos terremotos que abalaram o Japão e o Nepal anos atrás e descreveu a onda de apoio recebida de todo o mundo.

"Meu advogado me disse que exerce a profissão há mais de 40 anos e que nunca viu nada parecido, com tantos estranhos dispostos a oferecer garantias a uma pessoa que não conhecem pessoalmente", escreveu Meng.