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Magnata da TV explica por que tem deixado a tela de lado e ouvido podcasts

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Formato tem crescido nos últimos anos e é alvo de apostas de investidores Imagem: Getty Images/iStockphoto

Anousha Sakoui

11/02/2019 17h16

Quando Shari Redstone chega em casa, ela não se senta na frente da televisão. A magnata da mídia, cuja família faturou bilhões de dólares na indústria televisiva, prefere acompanhar o "CBS Evening News" ou "Face the Nation" por podcast.

Redstone, que administra participações controladoras na CBS e na Viacom por seu pai adoentado, Sumner, está preferindo o áudio à medida que mais horas do dia são preenchidas com computadores e telefones celulares. Ela faz parte de um número crescente de consumidores que optam por ouvir um podcast em vez de encarar uma tela.

"O áudio será um grande motor do consumo de mídia daqui para frente", disse Redstone, de 64 anos, em entrevista por telefone. Seu sotaque de Boston ficava mais evidente à medida que seu entusiasmo aumentava. "Quanto mais complicada a sociedade ficar, maior será o espaço para as plataformas de áudio."

Redstone, que dirige seu próprio fundo de investimento, esteve entre os investidores da primeira rodada, realizada no ano passado, da Wondery, a rede de podcasts que lançou sucessos com o drama policial baseado em fatos reais "Dirty John" e a série sobre negligência médica "Dr. Death". É um dos vários investimentos em áudio feitos por sua empresa, a Advancit Capital, que se concentra na interseção entre tecnologia e mídia.

Os podcasts explodiram nos últimos anos, dando fama a repórteres como Michael Barbaro, que apresenta a popular série do New York Times "The Daily". A gigante do streaming de música Spotify Technology entrou com tudo no nicho neste mês, quando decidiu comprar a Gimlet Media e a Anchor FM por supostamente mais de US$ 350 milhões.

'Estágio de crescimento'

"Estamos apenas no começo de um estágio de crescimento", disse Alan Patricof, cofundador da Greycroft Partners, principal investidor da Wondery. A rodada de US$ 5 milhões concluída em março passado também atraiu Lerer Hippeau Ventures; BAM Ventures, cujo fundador liderou a Honest; e uma unidade da empresa alemã de mídia Bertelsmann.

Cerca de 44% dos moradores dos EUA com mais de 12 anos de idade ouviram um podcast no ano passado, em comparação com 18% em 2008, segundo a Edison Research. Os ouvintes dedicam cerca de 6,5 horas por semana. Isso poderia dobrar e se aproximar da audiência do rádio, mas o negócio acabará atingindo um teto bem abaixo da TV, de acordo com John Lustyan, cofundador da firma de consultoria de mídia Doing Work As. A publicidade foi estimada em cerca de US$ 314 milhões em 2017, uma fração dos quase US$ 12 bilhões gerados pelo vídeo digital.

Redstone encontra muitas opções para acompanhar no mundo dos podcasts - um grande endosso vindo de uma magnata que controla empresas de mídia que possuem a rede de televisão CBS, canais a cabo populares, como MTV e Nickelodeon, e o estúdio que fez "O Poderoso Chefão".

Histórias policiais verídicas são um gênero popular para o meio, e a Wondery está preparando uma nova série em colaboração com o Los Angeles Times, chamada "Man in the Window", sobre o caso do "Assassino do Estado Dourado" (o caso Golden State Killer). Redstone já acompanhava "Dirty John", uma saga sobre o vigarista e sociopata John Meehan, quando decidiu investir.

Começo difícil

A Wondery foi fundada em 2016 pelo executivo de TV Hernan Lopez, um veterano com 18 anos na 21st Century Fox. Ele teve dificuldade para captar fundos no início, porque os capitalistas de risco questionavam o futuro do novo meio. Mas a popularidade de "Dirty John", o segundo principal podcast de 2017, mudou isso. A Wondery registrou seu primeiro lucro no quarto trimestre de 2018, disse Lopez, com receita anual acima de US$ 10 milhões.

Lopez, de 48 anos, preferiu não revelar se a Wondery tinha sido abordada para uma aquisição, chamando essa conversa de prematura. Ele afirma que a empresa é a maior editora independente de podcasts nos EUA e que está "muito confiante em relação à trajetória de crescimento".