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Com aquisição do WhatsApp, Facebook busca novos públicos e mercados

Ana Ikeda

Do UOL, em São Paulo

2014-02-19T21:47:00

19/02/2014 21h47

No último dia 4 de fevereiro, quando o Facebook completou dez anos, o cofundador Mark Zuckerberg afirmou que sua empresa surgiu com o objetivo de conectar o mundo. A aquisição do WhatsApp por US$ 16 bilhões, anunciada nesta quarta-feira (19), indica mais um passo da companhia nessa direção. Isso porque, com o aplicativo de conversas instantâneas, o Facebook deverá fortalecer sua participação em alguns mercados e também entre públicos que resistem à rede social.

Estudos recentes mostram que a quantidade de jovens usuários vem caindo no Facebook. Um dos principais motivos seria a chegada de público mais velho ao site, que acaba “empurrando” os adolescentes justamente para ferramentas como WhatsApp e Snapchat.

“Eles são chamados de Facebook Nevers [algo como nunca no Facebook]”, definiu à agência de notícias Reuters Jeremy Liew, um dos primeiros investidores da ferramenta de comunicação Snapchat.  Jonathan Teo, investidor deste mesmo programa, afirmou: “O Facebook está mais voltado a conteúdo e ainda não entendeu completamente a [área de] comunicação”. 

Países 
A empresa tem a ferramenta Facebook Messenger, com funções parecidas com aquelas do WhatsApp. Mas, segundo o “TechCrunch”, na corrida das mensagens instantâneas a rede social tem expressividade em mercados específicos – EUA e Canadá, conforme dados da consultoria Onavo. A compra do WhatsApp, sob esse ponto de vista, é uma tentativa de tirar a defasagem.

Se aguardasse para efetuar a compra, o Facebook também correria o risco de o WhatsApp ter crescido ao ponto de virar um concorrente “inalcançável”. O Facebook, prossegue o “TechCrunch”, chegou atrasado a esse mercado – lançou o Facebook Messenger só em 2011 e com foco em mensagens em grupo. Já o WhatsApp foi lançado em 2009 com um foco mais certeiro: mensagens rápidas em um aplicativo simples.

Estudo realizado pela consultoria On Device Research indica que o Facebook Messenger fica atrás do WhatsApp se considerados 3.759 usuários de cinco países: África do Sul, Brasil, China, Estados Unidos e Indonésia. Cerca de 44% dos usuários disseram usar o Whatsapp uma vez por semana, enquanto 35% faziam o mesmo com o concorrente do Facebook.

Se considerado somente o Brasil (líder de uso do Whatsapp entre as cinco nações pesquisadas), a diferença é maior: 72% contra 49%. A compra do aplicativo, portanto, poderia permitir uma presença maior do Facebook nas localidades onde não é tão popular.

Inovação 
Augusto de Franco, especialista em marketing digital em mídias sociais, afirmou por e-mail ao UOL Tecnologia que a aquisição do WhatsApp, assim como a do Instagram, ocorreu porque o Facebook “já não consegue inovar mais e teme que as pessoas se cansem da plataforma e passem a usar outras”.

O especialista acredita que a compra é maléfica para todos: Facebook, WhatsApp e usuário. “Ao comprar uma inovação, o Facebook não compra ‘inovatividade’, ou seja, a capacidade sistêmica de inovar tempestivamente”, opina.

De Franco cita como exemplo a compra do Instagram pelo Facebook, afirmando que ela não deu em nada. “Nenhuma inovação significativa foi desenvolvida depois da compra da criativa equipe do antigo aplicativo – que também foi incorporada, pelo menos em parte.”

No caso dos usuários, o efeito ruim é a tendência de o serviço piorar, considera De Franco. “O Facebook tenderá a colar ads [anúncios] e outros penduricalhos no aplicativo para justificar a compra e amortizar os custos da aquisição.”

Segundo ele, é melhor para os usuários que haja mais mídias sociais. “É mil vezes preferível para a ‘sociedade-em-rede’ a existência de 1 milhão de Facebooks com 1.300 pessoas cada um, desde que eles possam conversar entre si, do que apenas um Facebook com 1,3 bilhão de pessoas.”

Gil Giardelli, professor de inovação digital da ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing), tem uma opinião diferente: ele não considera que a compra do WhatsApp prejudicará a inovação do mercado. “Neste exato momento, em algum lugar, está surgindo uma rede nova.” Segundo ele, trata-se de uma tentativa de o Facebook ganhar mais frescor. “O Facebook já é um senhor bem maduro e essas aquisições colaboram para rejuvenescer a marca.”

Por outro lado, diz Giardelli, os usuários podem sair prejudicados. “O usuário sai perdendo, porque o foco do Facebook é gerar lucro, não a qualidade do serviço. O aplicativo, por sua vez, também vai querer ‘monetizar’ a relação. Acabou o romantismo das redes sociais.”

Curiosidades sobre a compra

  • Arte/UOL

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