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Cofundador do WhatsApp já pediu emprego no Facebook, mas não foi contratado

Reprodução/Twitter
Brian Acton em foto de seu perfil no Twitter; ele usou a rede social em 2009 para informar que não conseguiu emprego no Facebook e no Twitter Imagem: Reprodução/Twitter

Do UOL, em São Paulo

2014-02-20T08:40:28

20/02/2014 08h40

O cientista da computação Brian Acton, cofundador do WhatsApp, já foi rejeitado em uma entrevista de emprego pelo Facebook – a rede social anunciou a compra do aplicativo por US$ 16 bilhões (cerca de R$ 38,25 bilhões). Em um tuíte de 2009, mesmo ano em que o app foi criado, Acton escreveu (em inglês): “O Facebook me recusou. Foi uma ótima oportunidade para me conectar com pessoas fantásticas. Ansioso pela próxima aventura da vida”.

A “próxima aventura” acabou sendo o aplicativo para troca de mensagens, que acabou se tornando o mais valioso do mundo. Segundo a “Forbes”, Acton tem mais de 20% das ações da empresa e, sozinho, ficará com US$ 3,2 bilhões (R$ 7,65 bilhões) - por isso, o “não” do Facebook foi chamado de “o erro de US$ 3 bilhões”. 

A recusa do Facebook foi em agosto; em maio, o Twitter também havia rejeitado o ex-funcionário do Yahoo, Apple e Adobe (“Fui recusado pela sede do Twitter. Tudo bem. Seria uma longa viagem [para trabalhar lá]”). Sem emprego em uma grande companhia, o cientista formado em Stanford juntou-se a Jan Koum (outro ex-Yahoo) no WhatsApp, que hoje tem cerca de 50 funcionários.

A “Forbes” diz que Koum, 37, tem 45% das ações do WhatsApp (equivalente a US$ 6,8 bilhões; cerca de R$ 16,25 bilhões). Nascido na Ucrânia, mudou-se com a mãe para Mountain View (Califórnia, onde hoje é a sede do WhatsApp) aos 16 anos. Aos 18, começou a estudar redes de computador sozinho – ele chegou a se matricular em Ciência da Computação na Universidade San Jose, mas não se formou. 

  • Marc Mueller/EFE

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Em 1997, Koum e Acton se conheceram no Yahoo (onde Acton era o funcionário número 44). Quando a mãe de Koum morreu de câncer, em 2000, foi Acton quem lhe ofereceu apoio. “Ele me convidada para ir até sua casa”, disse Koum à “Forbes”, lembrando que eles esquiavam e jogavam futebol juntos. 

Em 2007, os dois saíram do gigante de tecnologia e tiraram um ano sabático, viajando juntos para a América do Sul. Na volta aos EUA, Koum comprou um iPhone e percebeu o potencial da indústria de Aplicativos. Ele registrou o nome da empresa em fevereiro de 2009, antes mesmo de o aplicativo ter sido desenvolvido – logo que foi criado, o WhatsApp era usado principalmente por amigos russos de Koum. 

Quando o aplicativo já estava disponível para iPhone e tinha 250 mil usuários, Koum procurou Acton, que estava desempregado e envolvido no projeto de outra start-up. Foi então que o cientista da computação se envolveu com o WhatsApp. 

Os dois trabalhavam no desenvolvimento do app em cafés e, em outubro, Acton conseguiu que cinco colegas do Yahoo investissem US$ 250 mil (cerca de R$ 597,4 mil). Com isso, ganhou status de cofundador - sua data oficial de entrada na companhia é 1º de novembro de 2009.     

Curiosidades sobre a compra

  • Arte/UOL

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Aquisição 
Apesar da compra, o aplicativo de comunicação instantânea e o Facebook Messenger funcionarão de forma separada. A marca WhatsApp será mantida, e a sede da empresa adquirida continuará funcionando em Mountain View (o Facebook fica em Menlo Park; as duas cidades são na Califórnia). Jan Koum, hoje diretor-executivo do WhatsApp, se juntará à diretoria do Facebook.  

Para especialistas, a aquisição pode aumentar a representatividade do Facebook em alguns mercados e entre diferentes públicos (os jovens, por exemplo, que vêm abandonando a rede social).

WhatsApp

O WhatsApp é um substituto do SMS (mensagens de texto via celular). Ele usa o plano de dados de um smartphone para enviar mensagens aos contatos que também têm o software. O programa está disponível gratuitamente, por um ano, para as principais plataformas de sistema operacional (iOS, Android, Windows Phone e BlackBerry). Depois de 12 meses, a empresa cobra US$ 1 (cerca de R$ 2,35) para cada ano de uso.

Diferente de seus concorrentes, o WhatsApp ganha dinheiro apenas com a anuidade paga pelos usuários. O aplicativo não oferece jogos ou recursos extras pagos.

Em comunicado oficial, o Facebook anunciou que mais de 450 milhões de pessoas usam o WhatsApp mensalmente, sendo que 70% deles usuários diários ativos. A companhia divulgou ainda que o “volume de mensagens se aproxima à quantidade total de mensagens de texto via celular [SMS] em todo o mundo”. 

Namoro antigo 

De acordo com o site "Business Insider", o namoro entre o Facebook e o WhatsApp começou em 2012 e foi selado na última sexta-feira (14) – data em que se comemora o dia dos namorados nos Estados Unidos. Mark Zuckerberg teria se encontrado duas vezes em 2012 com Koum e, depois disso, mantiveram contato em durante alguns jantares e caminhadas.

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As fontes do site dizem que Zuckerberg interessou-se pelo WhatsApp por três motivos: o serviço deve chegar a 1 bilhão de usuários logo, o aplicativo tem uma taxa de retorno (pessoas que voltam a usá-lo diariamente) de 70% e por ele achar que a plataforma será tão grande quanto a busca do Google ou o YouTube.

A conversa ficou séria em 9 de fevereiro, quando Zuckerberg, durante um jantar em sua casa, fez a proposta de "fusão" entre as companhias. De acordo com o site, Zuckerberg disse que não seria um processo de aquisição convencional, mas sim uma "parceria". O diretor-executivo do WhatsApp não respondeu na ocasião.

Na sexta-feira, Koum foi até a casa de Zuckerberg. Ele interrompeu o jantar do dia dos namorados entre o fundador do Facebook e Priscilla Chan, sua mulher, para falar que gostaria de fechar o negócio. Os valores, diz o site, foram discutidos durante a sobremesa de morangos com chocolate.

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