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Robôs do Facebook criam uma "linguagem" que só eles entendem em experimento

Dado Ruvic/Reuters
Experimento do Facebook resultou em uma conversação que só robôs entendiam Imagem: Dado Ruvic/Reuters

Do UOL, em São Paulo

01/08/2017 15h13

Um experimento com robôs do Facebook gerou uma “linguagem” nova que apenas as máquinas envolvidas no teste eram capazes de entender. A pesquisa foi realizada no centro de pesquisa de inteligência artificial da rede social e envolvia chatbots (robôs capazes de conversar por texto com humanos).

Segundo a imprensa internacional, a intenção do teste era inventar um robô que aprendesse a negociar ao imitar o comércio e os truques humanos ao negociar bolas, chapéus e livros. A experiência foi bem até o Facebook colocar os dois robôs, chamados de Alice e Bob, para negociar entre eles e esquecer de especificar para que a negociação fosse feita em inglês compreensível.

Quando as máquinas passaram a interagir entre si, começaram a fazer sua própria forma de comunicação. De acordo com os pesquisadores, a conversa levou à “divergência da linguagem humana à medida que os agentes desenvolveram sua própria linguagem para negociar”.

Apesar de boa parte da repercussão sobre o assunto envolver pânico, não há com o que se assustar neste caso. Os robôs apenas adaptaram a linguagem humana para seus próprios propósitos e para tornar a conversa mais prática – como códigos são usados por uma equipe de soldados, por exemplo. Mas que é bizarro, é.

“Não havia recompensa para permanecer no inglês. Os agentes saíram da linguagem compreensível e inventaram códigos para eles mesmos. Como ao dizer ‘the’ cinco vezes você interpreta que eu quis dizer que quero cinco cópias deste item. Isso não é diferente do jeito que comunidades de humanos criam atalhos na conversação”, relatou Dhruv Batra, pesquisador do Facebook, ao site FastCo.

Os pesquisadores ainda disseram que humanos não conseguiram decifrar a linguagem dos robôs e traduzir de volta para o inglês. Mas aparentemente havia algumas regras nas falas das máquinas. A maneira como os chatbots continuavam salientando seu nome parece ser uma parte da negociação, não uma falha no modo como as mensagens são lidas.

De fato, algumas das negociações chegaram a ser concluídas nessa bizarra linguagem, segundo o The Independent. Depois de encerrar a conversa incompreensível, o Facebook disse que o projeto marcou um importante avanço para criar “chatbots que podem raciocinar, conversar e negociar, todos eles passos chaves para construir um assistente digital personalizado”.

Veja trecho da conversação dos chatbots em inglês:

Bob: i can i i everything else . . . . . . . . . . . . . .

Alice: balls have zero to me to me to me to me to me to me to me to me to

Bob: you i everything else . . . . . . . . . . . . . .

Alice: balls have a ball to me to me to me to me to me to me to me

Bob: i i can i i i everything else . . . . . . . . . . . . . .

Alice: balls have a ball to me to me to me to me to me to me to me

Bob: i . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

Alice: balls have zero to me to me to me to me to me to me to me to me to

Bob: you i i i i i everything else . . . . . . . . . . . . . .

Alice: balls have 0 to me to me to me to me to me to me to me to me to

Bob: you i i i everything else . . . . . . . . . . . . . .

Alice: balls have zero to me to me to me to me to me to me to me to me to

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