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Furtaram meu celular. E agora? Saiba o que fazer após ser roubado

Getty Images/iStockphoto
Imagem: Getty Images/iStockphoto

Bruna Souza Cruz

Do UOL, em São Paulo

2017-08-14T04:00:00

14/08/2017 04h00

Era manhã de uma quinta-feira comum quando, entre uma freada e outra do ônibus, o fato provavelmente aconteceu. Em questão de segundos, alguém abriu o zíper da mochila e retirou sutilmente o celular do local. A mão leve do ladrão foi tão discreta que nenhuma das quatro pessoas ao redor notaram o feito (se notaram, preferiram ficar quietas).

Enfim, a história acima muito bem podia ser contada pelas inúmeras pessoas que já tiveram algum celular furtado. No entanto, a “sorteada” da vez fui eu. Recentemente, fui furtada dentro de um ônibus a caminho para o trabalho.

Junto à frustração, vieram rapidamente os sentimentos de raiva e desespero. Será que o ladrão vai conseguir ter acesso aos meus dados, minhas senhas, minhas contas bancárias, perfis nas redes sociais? Já imaginei a perda das fotos das férias, meu e-mail sendo invadido e no dinheiro obtido com tanto trabalho e economia usado para pagar algo que eu já não teria mais.

Assim que cheguei no trabalho, corri para o computador. Mas o pior é que não sabia nem por onde começar. Nessas horas a racionalidade parece que some e dá lugar a uma turbulência de pensamentos. Por sorte, meus colegas de trabalho me ajudaram a colocar o pé no chão (super obrigada!). Liguei o computador e fui listando passo a passo o que eu precisava fazer e a ordem de urgência.

1 - Localização do celular

A primeira coisa que tentei foi ligar novamente para o meu número. Chamava, chamava, mas caia na caixa postal. Como vi que o celular ainda estava ligado, acessei o sistema de localização via GPS (no caso, o Find my iPhone) e torci para que estivesse emitindo sinal. Infelizmente, não houve resultado. De qualquer forma, habilitei a opção “módulo perdido” do sistema e pedi que me notificasse caso o aparelho fosse localizado. Veja aqui como localizar o aparelho usando o GPS.

2 – Alterar todas as senhas possíveis

Enquanto aguardava uma luz no fim do túnel, comecei a alterar todas as minhas senhas: e-mails, redes sociais, alguns aplicativos. Pelo menos, isso dificultaria a invasão das minhas contas.

Também lembrei que havia habilitado o backup automático na semana anterior (ufa!). Menos uma dor de cabeça, já que pelo menos os meus contatos e arquivos que estavam no aparelho estavam salvos na nuvem.

3 - Boletim de Ocorrência

Ainda torcendo por um retorno quanto à localização, lembrei em seguida que precisava fazer um boletim de ocorrência sobre o furto. E começou aí mais um capítulo da minha dor de cabeça (literalmente).

Toda vez que algum celular é roubado, furtado ou perdido é preciso informar o IMEI (Identificação Internacional de Equipamento Móvel) durante o B.O. Ele funciona como uma espécie de RG e é só com esse número de identificação é que é possível bloquear o celular para que ele não funcione mais. Para saber qual é o IMEI do seu aparelho, você pode digitar *#06# no telefone. Outra forma é procurar o número na caixa original do celular ou na nota fiscal do produto.

O meu grande problema era que nenhuma dessas opções era possível de ser feita naquele exato momento. Tentei descobrir outras formas para obter o registro do meu celular furtado, mas nada deu certo. Nem ligar para a operadora para ver se eles possuíram o registro.

O resultado? É que não conseguia concluir o B.O. online. Até liguei no 190 para informar a ocorrência, mas fui informada de que, mesmo que fosse registrada, não seria possível bloquear o aparelho sem o IMEI.

Pesquisei mais um pouco e descobri que no caso de iPhones, o IMEI também aparece nas configurações do usuário Apple. Uma esperança apareceu, mas logo foi apagada pela dificuldade de acessar a minha conta.

Autenticação em dois passos é segura, mas pode dificultar algumas coisas

O aparelho estava configurado para autenticar meus dados em duas etapas. Isso é uma camada adicional que permite que a conta do iCloud só seja logada em dispositivos confiáveis. Além de uma senha, o sistema pede uma autorização de acesso, que pode vir via código em uma mensagem. A parte da senha era tranquila, porém, na segunda parte, o sistema enviada uma mensagem para meu celular, que não estava comigo. 

4 - Bloqueio do número telefônico

Respirei fundo pela milésima vez e lembrei-me que precisava bloquear o meu número telefônico. Confesso que demorei um pouco para fazer isso, pois estava com esperança de que alguém atendesse a ligação. Vai que o ladrão havia perdido meu celular e uma boa alma encontrado?! Doce ilusão.

A recomendação de especialistas é bloquear a sua linha o mais rápido possível. Assim, você consegue evitar cobranças indevidas e o uso de serviços da operadora não autorizados por você.

O bom é que essa parte foi super-rápida. Liguei para a operadora, informei meus dados e solicitei o bloqueio da linha por motivo de furto.

5 - Reativação da linha em outro chip

Com um problema a menos para resolver, voltei à missão (quase) impossível de descobrir o IMEI do telefone. Já era meio-dia e nada de boletim de ocorrência feito.

Resolvi ligar no suporte da Apple para ver se existia alguma outra forma para ver o IMEI do aparelho. Sem sucesso. Apesar disso, fui informada que durante o processo de autenticação em duas etapas há uma opção de enviar o código de acesso via SMS. Foi então que eu corri numa loja da operadora, comprei um novo chip e solicitei a reativação da minha linha.

Para o meu azar, o processo demorou mais de 4h para ser concluído. Desliguei e religuei o celular milhares de vezes e nada. Mas tentava me conformar, já que o prazo para o retorno era de até 24h.

Já passava das 17h30 quando a linha voltou a funcionar e comecei a seguir o procedimento indicado pelo suporte da Apple. Consegui, enfim, acessar a minha conta no iCloud, ver as informações do aparelho que estavam registradas por lá e pegar o “RG” do celular furtado. Voltei para o B.O. online e terminei o registro com uma certeza: meu telefone já era mesmo.

E o que fica disso tudo?

Jamais esqueça o código do IMEI do seu celular. Assim que possível, anote o número e guarde em mais de um lugar seguro. Além dele ser fundamental para o bloqueio do aparelho – as operadoras mantêm um banco de dados de dispositivos furtados/roubados --, este número ajuda a saber se um telefone usado é roubado, por exemplo.

Com o número em mãos, basta acessar a base de dados e digitá-lo na página. Se constar, é um grande indício de que o celular usado foi roubado, furtado ou perdido por alguém. Veja como consultar aqui.

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