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Afinal, a internet tem um dono ou não?

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A internet é vital para a sociedade moderna, mas quem tem o controle sobre ela? Imagem: Getty Images/iStockphoto

Victor Ferreira

Do Gamehall, em São Paulo

19/11/2017 04h00

A Internet é, sem dúvida, uma das maiores e mais importantes invenções da humanidade, permitindo a pessoas do mundo inteiro interagirem umas com as outras, acessarem acervos inteiros de trabalhos de importância cultural, política e/ou filosófica, e saber rapidamente e com detalhes o que está acontecendo ao redor do planeta.

(Vamos ignorar por enquanto como muitas vezes estes avanços são usados de forma maliciosa por certos agentes e instituições.)

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Com uma rede tão vasta, e a este ponto tão vital, para a civilização como um todo, às vezes é natural perguntar: há alguém que pode ser considerado “dono” da internet?

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Não, não é o Bill Gates. Mas é difícil resistir a possibilidade de colocar esta imagem em um artigo Imagem: Reprodução

A resposta pode ser um pouco mais complexa do que parece.

Em primeira instância a resposta é: não. A este ponto a internet é uma estrutura absurdamente vasta, dependente de elementos como cabos de comunicação intercontinentais, satélites espaciais e conexões entre várias fronteiras entre países. Por isso, é simplesmente impossível que governos ou corporações tenham controle de seu todo - por mais totalitários que estas figuras possam ser.

Por outro lado, estes mesmos governos e corporações podem ter controle sobre diversos aspectos da internet, que permitem seu uso por parte da população. Servidores, roteadores, torres de comunicação, os próprios satélites e cabos são de propriedade de alguém, e são vitais para o acesso de qualquer usuário.

Provedores de internet, em particular, são responsáveis por garantir o acesso de assinantes. No Brasil, como boa parte do resto do mundo, este papel acaba ficando com gigantes das telecomunicações, incluindo a Vivo, Tim e NET Vírtua.

Há também entidades como a Internet Society, que trabalham em conjunto com governos e empresas para estabelecer regras e estruturas que façam com que a rede funcione de forma relativamente unificada e global, mas que também não tem como necessariamente controlar os elementos que a compõem.

Portanto, não existe uma única figura, órgão ou entidade que controle totalmente a internet. Há, porém, vários núcleos de poder espalhados pelo mundo, capazes de trazer e distribuir a habilidade de se conectar às redes da World Wide Web para bilhões de pessoas.

Karen Bleier/AFP
Protestos em favor do Princípio da Neutralidade de Rede, que ajuda a Internet a ser mais difusa Imagem: Karen Bleier/AFP

É por isso que, entre outras razões, o princípio da Neutralidade da Rede é tão importante, já que coloca todas estas organizações em pé de igualdade, proibindo grandes provedores a explicitamente manipular a velocidade de acesso dos usuários e proibi-lo de encontrar certos sites ou conteúdos específicos.

Do contrário, é possível ver um cenário não só com monopólios ainda mais controladores e tirânicos, como a perda de acesso e liberdades que usuários têm nos dias de hoje. O que ainda não significa que a Internet teria necessariamente um “dono”, mas que as figuras que permitem nosso acesso teriam um poder significativamente maior sobre ela.

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