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Estudo tenta explicar por que mulheres motoristas da Uber ganham menos

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Mesmo com sistema de gênero neutro, mulheres ainda recebem menos Imagem: Getty Images/iStockphoto

Victor Ferreira

Do Gamehall

07/02/2018 15h32

Mesmo em um ambiente movido por algoritmos que não são programados para distinguir gêneros, as mulheres ganham remunerações menores. A conclusão é de um estudo da Universidade de Stanford, nos EUA, que analisou os dados de quase 2 milhões de motoristas da Uber entre janeiro de 2015 e março de 2017.

O levantamento surpreendeu os pesquisadores ao mostrar que as motoristas ganham 7% menos do que homens, embora não exista qualquer discriminação de salário por gênero vinda do aplicativo de transporte.

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"Este resultado é um tanto surpreendente, porque a Uber usa um algoritmo que não detecta gêneros, e motoristas recebem de acordo com uma fórmula transparente baseada no tempo e distância das viagens", diz um resumo do estudo publicado no site Medium (em inglês).

Tanto a média de avaliação de motoristas por passageiros quanto as taxas de cancelamento são relativamente iguais para ambos os sexos, então não havia uma evidência clara para a discriminação.

Uma análise mais aprofundada dos dados, no entanto, mostrou que a diferença na remuneração está associada ao fato de que os homens costumam dirigir mais rápido do que as mulheres --o que acaba afetando significativamente os ganhos.

"Quando analisamos a velocidade de motoristas de Uber como uma função de gênero, experiência, e tempo/local, descobrimos que homens dirigem 2,2% mais rápido do que mulheres", indica o estudo.

Além disso, eles costumam adquirir mais experiência, porque dominam o setor. Sabem, por exemplo, quais locais são os melhores para encontrar passageiros mais rapidamente.

"Mesmo no simples processo de uma viagem de passageiro, experiências passadas são valiosas para motoristas", diz a pesquisa. "Alguém com mais de 2.500 viagens completas em sua carreira ganha 14% a mais do que alguém que completou menos de cem viagens no seu tempo com a plataforma", diz o documento.

"Motoristas homens acumulam mais experiência que mulheres por dirigir mais a cada semana e ser menos provável que deixem de dirigir para Uber [para realizar outras tarefas]", continua.

O estudo completo (em inglês) pode ser conferido por aqui.

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