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Quem é o bonitão que quer te dar cerveja no escritório

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Adam Neumann conquista investidores com muito carisma e sorrisos brilhantes Imagem: Divulgação

Pablo Raphael

Do UOL, em São Paulo

18/03/2018 04h00

Numa primeira olhada, você pode pensar que a WeWork é mais uma empresa que aluga espaços de trabalho, os chamados "coworking". Não é o que pensa Adam Neumann, o fundador e chefe da startup avaliada em US$ 20 bilhões. Para ele, a WeWork não está no mercado imobiliário e é, na verdade, "um estado de consciência".

A startup, que segundo a consultoria Pitchbook só fica atrás do Uber e do Airbnb em valor de mercado, relançou e empacotou para o mundo de empresas de alta tecnologia o conceito de coworking em 2008. E assim se tornou a maior empresa do setor em todo o mundo. O coworking é uma abordagem diferente para o ambiente de trabalho, onde vários profissionais autônomos utilizam o mesmo espaço.

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O que diferencia a WeWork de outras empresas de coworking não é só ter supostamente começado primeiro, mas a visão de mundo e o carisma do seu cofundador, o israelense Adam Neumann. Aos 38 anos, ele é uma figura bem distinta de outros empresários do ramo: magro, bonitão, com cabelos compridos e aquela pinta de rockstar - um pacote que convence as pessoas a comprarem sua visão não muito clara, mas bastante arrojada, do negócio.

A missão da WeWork é "criar um mundo onde você pode ter uma vida, não apenas um trabalho". Neumann pensa bem mais longe e quer mudar a forma que as pessoas vivem, seja no escritório, em cidades mais amigáveis para seres humanos ou em uma colônia em Marte - e ele conta com Elon Musk para nos levar até lá.

WeWork
Parece um café ou barzinho, mas é um escritório projetado pela WeWork. Imagem: WeWork

A WeWork desenvolve ambientes funcionais, desde mesas de trabalho, escritórios até as sedes de grandes corporações. A ideia é aumentar a produtividade, a inovação e a colaboração entre as pessoas e oferecer o máximo de comodidades para que você não precise sair de lá. E para isso, eles tentam transformar os escritórios em espaços descolados onde as pessoas querem passar o tempo e interagir umas com as outras.

A sede da companhia, em Nova York, é cheia de cartazes que convidam os funcionários a relaxar e tomar uma bebida com os colegas. A empresa costuma oferecer degustações de vinho para os colaboradores e o próprio Neumann é um grande apreciador de tequila. Ele mantém um bar caprichado perto de sua mesa.

Cerca de 20 mil empresas são clientes da WeWork em todo o mundo, incluindo alguns nomes bastante conhecidos, como Airbnb, IBM, Amazon, Microsoft, Samsung, Facebook, Spotify, Pinterest e Facebook. Muito daquela imagem moderna e descontraída que as pessoas têm das start ups vem dos espaços projetados pela empresa, com mesas de bilhar, barris de cerveja que nunca ficam vazios e festas depois das 18h.

Em 2010, a WeWork tinha dois escritórios em Nova York, nos EUA. Em 2014, a startup estava presente em oito cidades norte-americanas, com 23 espaços de coworking. No final do ano passado, eles tinham 178 espaços em 56 cidades de 18 países, inclusive o Brasil, onde oferecem escritórios no Rio de Janeiro e São Paulo.

Novo Steve Jobs?

Tanto Neumann quanto seu sócio, Miguel McKelvey, cresceram em comunidades cooperativas. Neumann veio de um kibbutz, uma fazenda comunitária, em Israel. Desde cedo, ele absorveu a importância do ambiente colaborativo que se tornou a base do coworking.

Ele se mudou para os EUA em 2001, quando a irmã, que foi Miss Teen Israel, foi para Nova York tentar a carreira de modelo. A primeira coisa que Neumann notou foi o silêncio das pessoas nos elevadores. "Por que ninguém fala com os outros? Nós moramos no mesmo prédio. Como é que eles não se conhecem?", ele perguntou para a irmã.

Ele e a irmã competiram para ver quem faria mais amigos em um mês. Adam perdeu. "Minha irmã era uma super-modelo", brincou o empresário. Mas foi dessa competição que surgiu a ideia de alugar espaços organizados para vida em comunidade.

WeWork
Adam Neumann é carismático e sabe ligar a tecnologia com o elemento humano, traços semelhantes aos de Steve Jobs, cofundador da Apple. Imagem: WeWork

Mas eles querem ir muito mais longe. A WeWork adquiriu vários negócios no último ano, desde sites de network até academias de ginástica e um fabricante de piscinas de ondas. Em setembro, eles vão abrir seu projeto mais ambicioso até aqui: um jardim de infância, o WeGrow.

Criação da esposa de Neumann, Rebekah, de 29 anos (e, por acaso, prima da atriz Gwyneth Paltrow), a escola quer ser um espaço projetado com um currículo focado na socialização e empreendedorismo para crianças a partir de 3 anos de idade.

Matricular o filho na escolinha dos Neumann não é barato: o preço cobrado por criança será de US$ 36 mil por ano. O valor é um pouco mais baixo por um ano na universidade de Harvard, uma das melhores do mundo: US$ 44,9 mil.

"Reunir pessoas é uma arte" - Adam Neumann, cofundador da WeWork

Como esses negócios se encaixam na missão da WeWork? Segundo o próprio Neumann, para mudar o mundo você precisa começar pelas crianças. Sobre as piscinas com ondas, ele diz que num mundo super-conectado com mídia social e conteúdo online no celular, é cada vez mais difícil para as pessoas estarem presentes.

"Mas para surfar, você precisa estar presente, ou vai cair da onda", explica Neumann. Não estranhe se você encontrar piscinas com ondas nos escritórios de algumas das maiores empresas do mundo muito em breve.

Reprodução
Com pinta de astros do rock, o casal Adan e Rebekah Neumann passa longe do estilo dos empresários do mercado imobiliário com quem competem no dia a dia. Imagem: Reprodução

Se a nova empreitada vai dar certo, só o tempo vai dizer. Mas que o mercado continua investindo em tudo o que Neumann oferece, não há dúvidas. O empresário é comparado com Steve Jobs por sua habilidade de conectar o lado humano aos negócios e à tecnologia.

"Ele instintivamente acredita que os Millenials querem ter uma experiência de trabalho comunitário sem ingressar em grandes corporações", disse o escritor Walter Isaacson, amigo pessoal de Neumann e biógrafo de Jobs, ao The New York Times.

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