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Do cafezinho pra web: testamos app para fofocas e denúncias contra empresas

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Imagem: iStock

Marcelle Souza

Colaboração para o UOL, em São Paulo

12/04/2018 04h00

Sabe aquela fofoca do intervalo para o café na empresa? Ou o chefe que comete abusos, mas você nunca teve coragem de denunciar? Pois no aplicativo Blind, você pode falar tudo isso e ainda ler o que pensam os seus colegas de trabalho e funcionários de outras empresas do setor. 

O aplicativo está disponível para iOS e Android, mas por enquanto só foi lançado oficialmente na Coreia do Sul e nos Estados Unidos, onde tem causado desconforto em algumas companhias.

O Blind garante que, entre os usuários cadastrados, há quase 5.000 funcionários da Apple, 6.200 da Uber, 21.000 da Microsoft e 8.800 do Google, mas é difícil comprovar isso. Há fofocas também sobre outras gigantes da tecnologia, como Facebook, Intel, Oracle, Amazon e Airbnb, além de uma lista grande de startups norte-americanas.

Como ele ainda não foi lançado oficialmente aqui no Brasil, por enquanto só dá para bisbilhotar as publicações de quem trabalha nos Estados Unidos ou na Coreia do Sul. Como não falo coreano, foi mais fácil testar em inglês.

Como funciona

Para entrar na rede, você precisa cadastrar um email corporativo ou acessá-lo com a sua conta do LinkedIn.

Depois, você precisa preencher um perfil e definir um pseudônimo para ler e publicar o que quiser de forma anônima. Há também a opção de colocar o nome da sua empresa (e ver o que estão falando sobre ela), a área em que trabalha (por exemplo, design, marketing, vendas, engenharia), listar seus empregos anteriores e escrever algo sobre você.

Na página inicial, você pode ver as últimas publicações e dá para aplicar filtros como “discussões quentes”, “recentemente comentadas” e “mais vistas”. Também é possível fazer buscas por publicações com determinada palavra-chave ou hashtag.

Na parte superior, há uma caixa em que você pode ver as publicações por tópicos. Nela, é possível selecionar os assuntos que você tem mais interesse (como “carreira”, “startups”, “finanças”, “vendas/marketing”, “mulheres na tecnologia”, “diversidade”) ou a cidade em que trabalha (Seattle, Nova York, Los Angeles, Boston, Austin, já que bisbilhotei as fofocas nos Estados Unidos).

Na semana em que testei, havia um destaque para o tópico #MeToo, recém-lançado no aplicativo e uma referência à onda de denúncias de assédio sexual que começou em Hollywood e acabou ganhando eco nas redes sociais.

A página permite ainda que você publique o que pensa e faça enquetes. Dá para mandar uma mensagem privada para quem postou algo, comentar e compartilhar publicações com amigos em outras redes sociais ou enviar por email.

Mas sobre o que as pessoas falam?

O aplicativo diz que é um espaço para uma conversa anônima de trabalho, para saber o que realmente pensam os seus colegas. Na prática, a rede serve como um painel para uma gama bem ampla de inquietações.

Há quem use o Blind para procurar um emprego, fazer denúncias graves de assédio sexual ou moral, compartilhar links de notícias sobre a empresa ou outros assuntos corporativos e até quem fale de problemas sexuais em casa!

Em um post, por exemplo, uma pessoa diz que faz dois anos que ele e a esposa não fazem sexo. “Isso é normal? O que eu devo fazer?”, pergunta.

Em outra publicação, um funcionário diz que quando estava no seu primeiro emprego, viu um chefe “usar seu poder para ter relações sexuais com muitas mulheres jovens e subordinadas a ele”.

O aplicativo também reúne uma série de publicações contra o setor de recursos humanos das empresas, acusados de ignorar denúncias e acobertar abusadores.

“Eu fui forçada a trabalhar perto de um cara que não parava de me chamar para sair com ele. [...] Eu disse pra mim mesma que não ia reportar isso ao RH, mas ficou tão desconfortável e ele era tão persistente, que eu pensei que não tinha escolha. Quando contei a situação para o representante do RH, ele imediatamente duvidou de mim e perguntou se eu não tinha interpretado mal”, disse uma funcionária anônima.

Será que por aqui a rede ia fazer tanto sucesso e deixar chefes de cabelo em pé como nos Estados Unidos? Vamos ter que esperar para ver.

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