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Google Assistente poderá marcar médico para você, mas não terminar o namoro

Murilo Garavello

Do UOL, em Mountain View (EUA)*

09/05/2018 16h25

O diálogo por telefone travado entre o Google Assistente e a recepção de um cabeleireiro impressionou a plateia que acompanhava nesta terça-feira (8) a conferência anual do Google por sua fluidez. Finalmente teremos um assistente virtual nos celulares Android (e nos outros produtos inteligentes da nossa casa ou do carro) realmente inteligente e articulado? Sim. Mas (ainda) não significa muito mais do que isso, para alívio dos mais preocupados.

O Google Assistente vai ser capaz de resolver muitas pendências do dia a dia, como marcar corte de cabelo por telefone, reserva em restaurante ou agendar médico, tudo com bastante naturalidade. Só que ele não poderá, por exemplo, terminar seu namoro por você, conta Lilian Rincon, diretora de desenvolvimento do Google e responsável pelo Google Assistente.

Segundo ela, a tecnologia vem sendo desenvolvida há dez anos e não tem prazo para ser colocada em prática. Mas, chegamos ao ponto em que o Assistente é capaz de superar problemas quase como um humano, como o salão não ter o horário desejado ou o restaurante não aceitar reserva para quatro pessoas, como demonstrado pelo Google.

Tudo soa tão real que a empresa ainda não sabe, por exemplo, se vai avisar a pessoa do outro lado da linha que está falando com o Assistente. 

É um dos motivos pelos quais ainda não lançamos a aplicação. Não seria estranho a atendente atender o telefone e ‘oi, aqui é o Google’? 

Rincón explica que o projeto foi apresentado no I/O para ver qual seria o feedback do público. "Estamos sendo muito cuidadosos, porque temos uma responsabilidade muito grande", diz.

O que deve vir em breve é um recurso mais básico, que liga para estabelecimentos para checar horários e atualizar as informações no Google ou no Google Maps. 

Para a diretora do Google, há uma empolgação com as possibilidades trazidas pelos assistentes movidos a inteligência artificial, o que gera muita coisa boa, mas também muita coisa desnecessária.

"Ninguém sabe direito o que vai ser útil. Ainda é cedo, mas estamos esperando novas funcionalidades matadoras. Starbucks já é", afirmou, referindo-se ao recurso apresentado na conferência, que permite que você peça para o Assistente comprar "o de sempre" no app da cafeteria.

"Eu adoro poder pedir meu café pelo assistente e retirá-lo depois. Acho que as marcas vão acabar tendo essas ideias. A partir do momento que todos tiverem um Google Home em casa, ele vai ganhar uma importância maior e as marcas vão ter de entrar nesse ecossistema", opina.

Se você se anima com a ideia de ter uma ajuda virtual, saiba que o Google Home deve demorar para chegar ao Brasil. A executiva diz que ainda não há uma data para o alto-falante da marca, que virou febre nos Estados Unidos, falar português. Há empecilhos regulatórios, legais e de construção da ferramenta que impedem o anúncio de um prazo.

"Não depende somente de nós. Quando fazemos alguém pagar, precisa ser o melhor. Precisa entender o mercado, a regulação, os serviços", explica Rincón.

Atualmente, segundo o Google, o Assistente está presente em 95% dos celulares, em mais de 40 marcas de carro com o Android Auto e em mais de 5.000 dispositivos conectados da casa.

Entre as novidades para o Assistente anunciadas na terça, está a possibilidade de ter conversas mais naturais com a inteligência virtual - não será necessário falar “hey Google” toda hora e a ferramenta entenderá mais de uma pergunta na mesma frase. Mudanças na relação com crianças (como jeito mais educado de falar e com “por favor”) são outra novidade.

*O jornalista viajou a convite do Google

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