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Como identificar se você está falando com um robô nas redes sociais?

Getty Images/iStockphoto
Imagem: Getty Images/iStockphoto

Helton Simões Gomes

Do UOL, em São Paulo

21/07/2018 11h18

Envolver-se em uma ardorosa discussão pelas redes sociais não é nada difícil de acontecer, mas você já perguntou quem são as pessoas com quem você está gastando seus elaborados argumentos? Elas podem ser robôs.

Não é segredo para empresas de tecnologia que parte de seus usuários não são gente de carne e osso. Tanto é que de tempos em tempos rola uma onda de exclusão dos chamados “bots”, perfis criados para interagir com usuários de verdade. A última delas foi feita pelo Twitter, que suspendeu 70 milhões de contas falsas ou suspeitas, o que inclui os tais “bots”. Isso apenas entre maio e junho deste ano, e o esforço continua em julho.

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Ainda assim, ainda há robôs por aí, participando de conversas e agindo normalmente. Identificá-los não é tarefa fácil, já que empresas de tecnologias apostam cada vez mais em ferramentas revestidas com inteligência artificial e capazes de executar à risca comportamentos humanos.

A IBM, por exemplo, mostrou em julho um programa de computador chamado Projeto Debater. Sua habilidade? Argumentar sobre qualquer assunto ainda que não faça ideia do que está falando. Ele só consegue fazer isso porque não cria pontos de vista baseados na compreensão do tema em debate. O que ele faz é apenas combinar elementos de argumentos prévios a partir de uma análise de textos da Wikipédia. Tudo isso de forma rápida e ágil, a ponto de a resposta sair quase que imediatamente.

Outro exemplo é o Google Duplex. Mostrado durante a conferência de desenvolvedores da empresa deste ano, esse recurso dá ao Assistente Google a capacidade de ligar para restaurantes e cabeleireiros e falar com atendentes humanos para reservar mesas ou agendar um corte de cabelo.

Só que a tecnologia por trás dos “bots” não é perfeita. A Agência de Projetos de Pesquisa de Defesa Avançada (Darpa, na sigla em inglês) mostrou que é possível flagrar um robô em ação. Em estudo de 2015, a agência ligada ao Exército dos Estados Unidos listou alguns passos úteis:

Quem ele diz que é?

Conferir as informações listadas em um perfil pode ajudar. Um “bot” descuidado não costuma apresentar foto, links ou qualquer informação biográfica. Já os mais sofisticados usam como imagem de exibição fotos roubadas da internet, com as quais você talvez já tenha topado, e nomes gerados automaticamente.

Veja como escreve

Apesar de todos os avanços, não é fácil reproduzir o jeitão da linguagem humana. Aspectos das mensagens de um “bot” podem revelar que elas foram, na verdade, construídas a partir da lógica de um algoritmo. Tais como: muitas repetições; respostas muito engessadas; não compreensão de textos mais complexos que contenham humor, como uma piada; ou mudanças bruscas de assunto.

Fixação por um assunto

“Bots” são criados com uma missão e tentam cumpri-la à risca. Por isso, desconfie de perfis obcecados com um assunto em particular e que, volta e meia, publicam o mesmo link.

Posts frenéticos

Desconfie de contas que postam mensagens seguidas com segundos de diferença, em horários improváveis ou muito frequentemente. Pode ser coisa de robô, afinal, humanos têm de dormir em algum momento e não digitam tão rápido.

Quem são seus amigos?

Essa é para quem tem tempo e propensão a dar uma “stalkeada”. A rede de contatos em torno de uma conta é outro indício de que por trás dela pode estar um robô. “Bots” geralmente não têm amigos além de outros poucos “bots”. Se a quantidade de mensagens for incongruente com o número de conexões, pode haver uma máquina ali.

Se você não estiver a fim de fazer essa análise, tudo bem. Ativistas brasileiros criaram uma ferramenta chamada de PegaBot, que faz exatamente isso por você. Analisa se uma conta no Twitter é um robô.

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