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Moto Z3 Play é para quem quer um celular quase premium, sem pagar tanto

Márcio Padrão

Do UOL, em São Paulo

01/08/2018 04h00

A Motorola vem melhorando seus celulares intermediários a tal ponto que ficou difícil distingui-los dos premium. Isto tem os dois lados: eles ficam tecnicamente bem melhores a cada ano, mas também mais caros. Foi assim com o Moto G6 Plus, e agora com o Moto Z3 Play, que chegou com preço sugerido de R$ 2.299.

Testamos a versão mais simples, com 4 GB de memória RAM e 64 GB de armazenamento. Ele tem visual bacana, boas especificações (embora não perfeitas), tela caprichada e uns truques espertos.

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Design

Usei um com a bela cor índigo, um azul profundo quase preto. Como de praxe na linha, ele é bem fino, com só 6,7 mm de profundidade. Mas se você incluir um acessório Moto Snaps, pode ficar um pouco mais "gordinho". E talvez você precise de um Snap de bateria (falo disso mais abaixo).

O vidro da traseira é elegante, mas sensível a marcas de gordura --a menos que você use uma capinha. O sensor de digitais foi da frente para a lateral, o que foi um ponto bem-vindo. Mas a câmera traseira é protuberante demais e às vezes inclinará o celular na mesa, derrubando-o no chão. 

O tamanho dele é um pouco grande para o meu gosto (15,6 cm de altura, 7,6 cm de largura), por isso segurá-lo com uma mão só foi muito difícil. Mas com o tamanhão veio também uma senhora tela, o ponto forte deste aparelho.

Tela

Com seis polegadas, a boa resolução Full HD+ e iluminação Super Amoled, a tela do modelo faz jus ao "Play" do seu nome, tornando-o uma feliz escolha para quem curte ver vídeos no celular.

Há um recurso que valoriza ainda mais a tela: você pode trocar os três principais botões de navegação do Android por um único botão de gestos. E esse botão fica oculto, só reaparecendo quando você o puxa para cima com o dedo. Assim, o usuário ganha mais uns milímetros de tela. 

Com ele, o gesto de deslizar com o dedo para a esquerda é o "Voltar"; para a direita, mostra os apps abertos; no centro, volta para a tela principal. Usei bastante e me pareceu funcionar muito bem.

Desempenho

O Snapdragon 636 com até 1,8 GHz de velocidade, mais os 4 GB de RAM, servem principalmente para dar conta de quase todas as tarefas médias e pesadas, como jogos e gravação de vídeo. Por não trazer um processador de ponta, o celular pode ficar mais lento após o primeiro ano de uso.

Para quem gosta de testes de benchmark, ele obteve no 3D Mark 938 pontos; no AnTuTu, 110.969; e no Geekbench 4 1.309 pontos (núcleo único) e 4.868 pontos (multinúcleo). Números melhores que os do concorrente XperiaXA2 Ultra, por exemplo.

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Câmera

A câmera dupla de 12 MP + 5 MP vai te dar fotos com bom brilho (a abertura máxima é boa, de f/1.7) e fidelidade de cores. Mas alguns pontos da foto ficam meio escuros, mesmo ligando o recurso HDR (que equilibra o contraste). No escuro, a imagem granula mais. É um intermediário-premium com câmera de qualidade idem.

Márcio Padrão/UOL
Foto com a câmera traseira (sem HDR) do Moto Z3 Play Imagem: Márcio Padrão/UOL

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Foto com a câmera traseira (com HDR) do Moto Z3 Play Imagem: Márcio Padrão/UOL

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Foto com a câmera traseira (com HDR) do Moto Z3 Play Imagem: Márcio Padrão/UOL

A câmera é dupla para segurar os efeitos de profundidade, como modo retrato seletivo (o desfoque pode ser editado depois do clique), troca de fundo e preto e branco seletivo. Deu para perceber que eles estão melhores do que nos Motorolas do ano passado.

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Foto com a câmera traseira (com HDR) do Moto Z3 Play aplicando efeito troca de fundo Imagem: Márcio Padrão/UOL

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Foto com a câmera traseira (com HDR) do Moto Z3 Play aplicando modo retrato e preto e branco seletivo Imagem: Márcio Padrão/UOL

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Foto com a câmera frontal do Moto Z3 Play Imagem: Márcio Padrão/UOL

Outros recursos da câmera são filtros estilo Snapchat, acesso ao Google Lens para reconhecer objetos, um scanner de texto (que não funcionou em quase todas as tentativas) e o divertido "Cinemagraph", um tipo de GIF que você edita a parte do enquadramento que vai se mexer.

GIF feito no Cinemagraph do Moto Z3 Play - acredite, as pessoas atrás estavam se mexendo
GIF feito no Cinemagraph do Moto Z3 Play - acredite, as pessoas atrás estavam se mexendo
Imagem: Márcio Padrão/UOL

Bateria

Ponto forte nas gerações anteriores do Moto Z, a bateria infelizmente fraquejou. O primeiro Z Play alcançava dois dias de uso com facilidade e podia sobrar um pouco. O Z2 Play chegava com esforço aos mesmos dois dias.

Com só 3.000 mAh, o Z3 Play te dá um dia e meio sob uso leve (com muito tempo de standby), ou cerca de um dia e duas horas no moderado (internet, música e redes sociais em 20% do tempo fora da tomada). É ok, melhor que outros celulares médios ou de ponta, mas considerado o seu passado, houve sim essa perda. 

Ele vem com carregador rápido, mas talvez o usuário precise investir em um Snap de bateria extra (atualmente, por R$ 449), que sacrifica a "finura" do modelo. Ou comprar um carregador de outra marca, mais barato.

Que mais?

O Android 8.1 da Motorola ainda é bem limpo e flui bem. De extra, só o app Moto, que gerencia funcionalidades extras da marca.

Os clássicos gestos de abrir câmera (girar duas vezes o celular) e lanterna (sacudir duas vezes) também estão lá.

Traz ainda um assistente Moto Voz, que achei bem ruim: não entendia minha voz nem executou os comandos pedidos.

Há o reconhecimento facial nativo do Android 8 que funciona bem. É que nem no iPhone X: um cadeadinho mostra que a tela está sem senha, bastando deslizar com o dedo depois. Testei algumas vezes com uma foto grande do meu rosto e felizmente a tela não desbloqueou desse jeito.

O fone de ouvido é só ok: quase sem graves, como a maioria dos fones para celular. A notícia ruim: não tem a entrada de 3,5 mm para fone. Na caixa vem um adaptador para plugar via entrada USB 3.0. E o áudio do alto-falante também é só ok, embora estoure com volume alto.

Vale a pena?

No conjunto o Z3 Play é ótimo. Com preço sugerido de R$ 2.299 e já custando cerca de R$ 2.000 à vista, encara rivais como o Samsung Galaxy A8+ ou ao Sony Xperia XA2 Ultra --todos intermediário-premium com telonas e quase empatados em preço, com diferença de R$ 100 a R$ 200 entre eles, dependendo da loja. 

O Galaxy A8+ ganha um pouco na câmera e o Xperia XA2 Ultra, na bateria, enquanto o forte do Z3 Play é a tela (embora seja um empate técnico também com a do A8+). 

Há uma versão no mercado do Z3 Play com 128 GB e 6 GB de RAM, com preço sugerido de R$ 2.699. Mas na faixa de preço do modelo de 64 GB/4 GB, vale pagar um pouco mais mais por um top de linha da geração anterior, como o Moto Z2 Force (R$ 2.400), LG G6 (R$ 2.100) e o Galaxy S8 (R$ 2.640).

Ficha técnica: Motorola Moto Z3 Play

Tela: 6 polegadas Full HD+ (1.080 x 2.160 pixels)
Sistema operacional: Android 8.1
Processador: Snapdragon 636 (1,8 GHz)
Memória: 64 GB de armazenamento e 4 GB de RAM; ou 128 GB de armazenamento e 6 GB de RAM
Câmeras: 12 MP e 5 MP (principal) e 8 MP (frontal)
Dimensões e peso: 156,5 x 76,5 x 6,7 mm; e 155 g 
Bateria: 3.000 mAh
Pontos positivos: Bonito design, tela poderosa e grande, e um divertido modo de GIFs
Pontos negativos: grande e escorrega fácil; bateria deixou de ser o destaque; custo-benefício piorou
Preço: R$ 2.299 (com 64 GB/4 GB) e R$ 2.699 (128 GB/6 GB)

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