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Como o cofundador do Google quer virar o rei dos carros voadores

Rodrigo Trindade

Do UOL, em São Paulo

2018-08-13T04:00:00

13/08/2018 04h00

Carros voadores parecem um sonho distante, mas o Uber apresentou um plano bem elaborado neste ano para tornar esses objetos dos “Jetsons” uma realidade. Só que, se bobear, a empresa de corrida compartilhada não será a primeira a entrar neste mercado para valer. Larry Page, um dos cofundadores do Google, caminha para virar o rei dos carros voadores.

Sem grande alarde, ele investiu em empresas que desenvolvem táxis e lanchas voadoras. O mais surpreendente é que alguns desses projetos parecem estar próximos de sair do papel.

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Os gastos de Page nesse segmento começaram no início da década, quando ele apostou um dinheiro na Levt, uma empresa fundada em 2010 por Ilan Kroo, um professor de aeronáutica na universidade Stanford. Segundo a "Bloomberg", o bilionário Page gastou "apenas" US$ 100 milhões no novo brinquedinho.

Hoje chamada Cora, ela faz parte da Kitty Hawk, empresa que abriga duas das startups que receberam aportes do cofundador do Google. Em seu site oficial, a Cora se apresenta como “um sonho a um passo da realidade”. Ela propõe um táxi-aéreo que “poupe seu tempo planando sobre o trânsito”.

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O táxi-aéreo Cora, que tem investimento de Larry Page, cofundador do Google Imagem: Divulgação

Sua aeronave é um misto de avião com drone, com 12 hélices que fazem uma propulsão vertical e uma traseira para propulsão frontal. Ela tem dois assentos internos e é movida 100% a eletricidade, com um alcance de 100 quilômetros de voo. Ah, já falamos que ela é autônoma? Sim, a Cora não precisa de um piloto, apenas das coordenadas de destino.

O dispositivo já tem protótipos operantes e tem um acordo para testar serviços na Nova Zelândia, em uma parceria da Kitty Hawk com a empresa Zephyr Airworks, além de um diálogo com o governo local.

Um veículo individual – e concorrente

Depois de investir na Zee.Aero, Page apostou na Opener, outra startup de pequenas aeronaves elétricas - ninguém sabe o quanto foi gasto no negócio. Fundada por Marcus Leng, a empresa começou no Canadá e se mudou em 2014 para o Vale do Silício, região que concentra diversas empresas de tecnologia do mundo.

Seu veículo conceitual voou pela primeira vez em outubro de 2011. A partir de 2014, ele recebeu o nome de BlackFly e já foi atualizado três vezes, sendo a terceira delas um modelo de pré-produção.

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O BlackFly decolou pela primeira vez em 2011, na época sem ter esse nome Imagem: Divulgação

O BlackFly se diferencia da Cora em alguns aspectos, como o espaço para apenas um passageiro e o uso de oito hélices, quatro na frente e as outras quatro atrás. A aeronave não tem rodas como a da Kitty Hawk e faz uso de seu casco para pousar.

Outra diferença é que o BlackFly não é autônomo – ele é controlado por um joystick, embora tenha uma ferramenta de aterrissagem automática.

A Opener não tem relação comercial com a Kitty Hawk. Ela, inclusive, motiva uma rixa entre as duas, segundo o site “The Verge”. Isso porque Page quis trazer outro professor de Stanford, Sebastian Thrun, para trabalhar com os projetos de carros voadores.

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Flyer é a outra aposta da Kitty Hawk Imagem: Divulgação

Sob a tutela dele, a empresa criou seu próprio veículo individual, também bancado por Larry Page: o Flyer, uma espécie de bote voador individual, cuja proposta parece ser um veículo esportivo propício para voar a baixa altitude.

Como as outras duas mini-aeronaves, a Flyer é elétrica e movida por hélices – dez no total, cinco divididas para cada lado. Ela é apresentada como o “primeiro veículo pessoal voador” da Kitty Hawk, enquanto a Cora foi pensada como um táxi.

Além das mudanças internas que ocorreram na Kitty Hawk por conta da chegada de Thrun, o executivo é apontado como um desafeto do chefão da Opener, o que motivou uma competição entre os pupilos de Larry Page. Enquanto as equipes que trabalham com a Cora e o Flyer compartilham livremente informações, a Opener, de Leng, é totalmente fechada, mantendo em segredo suas descobertas.

As apostas visionárias de Page podem pagar dividendos mesmo com um de seus projetos fracassando: com participações em rivais, o fundador do Google está bem posicionado para criação de um império de carros voadores. Tudo isso na independência, sem a Alphabet participar da brincadeira. O projeto do Uber que se cuide.

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