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Caminhar um pouco vai render um grande desconto na Uber; entenda a novidade

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Novidade na Uber vai fazer passageiro andar um pouco para ter mais desconto Imagem: iStock/Getty

Gabriel Francisco Ribeiro

Do UOL, em São Paulo

26/09/2018 11h01

Como imaginamos a Uber atualmente? Pedimos um carro no aplicativo e esperamos ele vir até nós. Ao fim, descemos exatamente na porta do destino. Você estaria disposto a andar um pouquinho para deixar a corrida mais barata, mais eficiente e economizar dinheiro? Pois é isso que a empresa quer.

Uma pequena caminhada vai começar a dar um grande desconto para usuários da Uber. A novidade, anunciada pela companhia em evento no Brasil na última terça (24), envolverá a modalidade Pool do aplicativo -- aquela mais baratinha em que você divide o carro com desconhecidos. Ela começará a valer inicialmente em São Paulo a partir do meio de outubro. Mas como funcionará?

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O recurso é testado em San Francisco (EUA) desde o começo deste ano e agora começa a chegar a mais locais. Basicamente, o usuário que quiser se adequar à modalidade pode ter que andar um pouco a mais na hora de ir encontrar o Uber ou ao descer no destino final.

É uma grande mudança. O sistema original do UberPool usava um algoritmo muito simples do UberX para parear motoristas e passageiros. Agora remodelamos totalmente e deixamos muito mais eficiente para os dois lados

Ethan Stock, diretor de produto e viagens compartilhadas

À reportagem do UOL Tecnologia, o executivo explicou que três equipes de tecnologia da empresa trabalharam no produto nos últimos anos para deixá-lo mais eficiente. Até o momento, o serviço era muitas vezes o famoso "barato que sai caro": uma viagem no UberPool podia dar voltas e mais voltas, demorar muito e deixar usuários irritados.

Ande um pouquinho

A ideia da empresa é fazer tudo diferente, e isso passa por um aspecto básico que a empresa terá que convencer os usuários: passageiros poderão ter que andar um pouco para conseguir descontos de cerca de 35% nas corridas em relação ao valor do UberX -- os motoristas não precisam se preocupar, já que ganharão o mesmo valor que levariam em uma corrida comum da modalidade X.

"Se as pessoas andam um pouco, podemos combiná-las de uma maneira mais eficiente. Temos que ver como convencer as pessoas a fazer isso. Uber sempre foi um serviço 'sob demanda' e nessa modalidade agora deixa de ser, sugerimos que elas andem e esperem um pouco mais", aponta Ethan.

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Imagem: Reprodução

A ideia da viagem perfeita compartilhada para a Uber é aquela em que três passageiros sobem no carro no mesmo local e os três desembarcam no mesmo destino, com o motorista seguindo uma linha reta e sem desvios -- mesmo que os passageiros tenham que andar um pouco na ida ao carro ou no fim da viagem.

É claro que nem sempre o usuário precisará caminhar. Nos testes na Califórnia, usuários não precisaram andar até o carro ou até o destino entre 20% e 30% das viagens - depende do que o sistema entender que é melhor para a rota do motorista. E a caminhada também terá limites: serão definidas áreas que ficarão com um círculo azul no mapa por onde o carro irá passar.

Há um limite de 300 metros para andar. Na média é até metade disso, em torno de 150 metros. Normalmente vai ter que andar um quarteirão ou um pouco mais que isso

Ethan Stock

A Uber ainda aponta que serão levados em conta dados como o terreno das cidades -- a intenção é não obrigar pessoas a subirem ruas muito verticais para encontrar o motorista, por exemplo. A companhia diz que o algoritmo leva em conta milhões de dados e que o sistema vem sendo aperfeiçoado para entender esses detalhes -- o diretor diz que em San Francisco, que tem muitos morros como São Paulo, tudo funcionou bem. O mesmo valerá para áreas perigosas.

Por outro lado, a companhia admite que a ferramenta pode afetar a acessibilidade para aqueles que podem estar incapacitados de andar, por exemplo. Mas Ethan Stock ressalta a possibilidade de mandar uma mensagem ao motorista e explicar que você tem alguma limitação para andar até o local que o aplicativo está pedindo.

UOL Tecnologia já testou

A reportagem do UOL Tecnologia já testou o sistema em duas viagens diferentes na Califórnia. Em uma delas, o UberPool funcionou normalmente e o aplicativo não obrigou o usuário a andar.

Em outra, não foi bem assim. Nossa editora Fabiana Uchinaka chamou o carro, mas quando o aplicativo mandou que caminhasse dois enormes quarteirões cercados de movimentadas avenidas, que essencialmente priorizavam o trânsito de veículos em velocidades altas, tudo ficou muito difícil.

"Precisei correr, literalmente, para chegar ao ponto de encontro dentro do tempo que me foi dado: 5 minutos --o que, em princípio, parecia viável, mas tornou-se uma aventura diante de enormes avenidas, cheias de conversões, sem faixas de pedestre e com semáforos que privilegiavam o motorista. Era como cruzar a marginal Pinheiros. O motorista cancelou a corrida, porque eu não estava no lugar certo, na hora certa", lembra.

Ao pedir novamente, desta vez na modalidade X, o mesmo motorista que cancelou a viagem anterior apareceu e deu uma bronca: "não peça o UberPool se você não conhece a região onde está".

A Uber diz que realmente notou uma confusão inicial com o novo sistema.

"Nós não sabíamos o que poderia acontecer. Fizemos um teste e trabalhamos fortemente para educar os passageiros, explicando como funcionava. Nos primeiros dias tinha confusão e as pessoas não sabiam direito o que fazer, mas rapidamente as pessoas entenderam e a taxa de uso é praticamente a mesma do Pool antigo", explica Ethan.

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