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Motorista da Uber nos EUA ganha pouco e fica abaixo da linha da pobreza

Helton Simões Gomes

Do UOL, em São Paulo

08/10/2018 15h00

O motorista da Uber ganha, em média, US$ 14,73 por hora nos Estados Unidos. O valor já engloba as gorjetas, mas não inclui os custos com combustível e outros itens. Com essa quantia como única fonte de renda, esse motorista, caso faça parte de uma família de três pessoas, está vivendo abaixo da linha da pobreza em terras norte-americanas.

Isso é o que aponta uma pesquisa divulgada na semana passada pelo Ridester, uma firma que estuda empresas de transporte compartilhado. Para chegar a suas conclusões, a empresa ouviu 2.625 condutores que trabalham para a Uber. Contatada pelo UOL Tecnologia, a Uber contestou os resultados do estudo por ter compilado um ganho médio nacional, em vez de levantar a renda cidade a cidade.

A título de comparação, o valor médio é o dobro do pagamento mínimo por hora nos EUA, de US$ 7,25 – o valor é uma média, já que cada estado norte-americano estabelece o que vale. Os números diferem dos dados oficiais. De acordo com o governo dos Estados Unidos, motoristas de táxi e de serviços compartilhados receberam US$ 11,96 por hora em 2017 (veja a pesquisa aqui).

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A estimativa do Ridester é que os custos com combustível dos motoristas variam de US$ 5 a US$ 10, dependendo do tipo de carro e das distâncias percorridas. Com isso, o ganho médio pode ficar entre US$ 9,73 e US$ 4,73 por hora. Esse valor, porém, não considera o pagamento de impostos.

Considerando o valor médio e sem o desconto com combustível, um motorista da Uber que trabalhe 40 horas durante as 52 semanas do ano ganhará US$ 30,6 mil por ano. Descontando a menor estimativa para gastos com gasolina, o rendimento anual cai para US$ 20,2 mil.

Se os ganhos desse motorista forem a única fonte de renda de uma família de três pessoas, essa família estará abaixo da linha da pobreza estabelecida pelo governo dos Estados Unidos em 2018 – esse cálculo é feito conforme o rendimento anual e o número de pessoas que depende dele. Com isso, essa família poderá recorrer programas assistencialistas federais.

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A Ridester ainda analisou os rendimentos conforme a cidade em que o motorista trabalha. Nova York é aquela que apresenta o maior ganho médio por hora, de US$ 21,92. Desconsiderando os custos, isso totaliza um rendimento anual de US$ 90,7 mil por ano. Já a cidade de Raleigh, na Carolina do Norte, tem o menor rendimento por hora, de US$ 6,62, o que resulta em US$ 13,7 mil ao ano.

Devido ao tipo de contrato que possuem com a Uber, os motoristas não são considerados empregados da empresa, o que não lhes dá direito a benefícios, como plano de saúde e férias.

A Ridester levantou outras informações para definir a cara do motorista da Uber, como:

  • 58,3% têm cerca de 50 anos;
  • 55,1% têm o ensino médio, enquanto 10,7% possuem pós-graduação;
  • 69,7% são brancos, latinos são 11,6% e negros são 9,4%;
  • 12% são estrangeiros.

Outros estudos

Não é uma novidade pesquisas apontarem os baixos rendimentos de motoristas da Uber. No fim de setembro, o banco JP Morgan Chase publicou um relatório demonstrando que os motoristas de aplicativos de serviços compartilhados nos EUA estão faturando a metade do que ganhavam há cinco anos.

Como essa modalidade de emprego atraiu muitos motoristas, o grande volume de condutores disputando passageiros derrubou a rentabilidade das corridas. Isso fez com que os profissionais passassem a trabalhar menos horas. Segundo a Uber, 80% dos motoristas dirigem menos de 35 horas nos 20 maiores mercados em que atua.

Em março deste ano, um estudo do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, na sigla em inglês) mostrou que quase 30% dos motoristas norte-americanos estavam registrando prejuízos ao trabalhar para a Uber.

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