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Saiu do ar! Por que o Gab, rede social pop de direita, virou 'vilão' da web

Divulgação/Gab
Imagem: Divulgação/Gab

Helton Simões Gomes

Do UOL, em São Paulo

2018-10-29T13:28:31

29/10/2018 13h28

A rede social Gab, que virou o refúgio de simpatizantes de direita, virou a nova párea da internet após descobrirem que o atirador acusado de matar 11 pessoas em uma sinagoga de Pittsburgh, nos Estados Unidos, tinha um histórico de publicações antissemitas no site.

A plataforma sofreu uma série de reveses no fim de semana: saiu do ar após o domínio de internet encerrar o contrato; deixou de ser atendida por ferramentas de pagamento online e teve a conta em uma plataforma de publicação cancelada.

Neste fim de semana, o Twitter também foi criticado por ter ignorado os alertar de que o homem acusado de enviar bombas nos Estados Unidos fazia ameaças pela rede social.

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Cortejando Bolsonaro

O Gab foi criada em 2016 como uma resposta às ações do Twitter, que derrubou perfis por disseminarem discurso de ódio. O autointitulado “site para a liberdade de discurso e nada mais” foi adotado por supremacistas brancos, neonazistas e adeptos da direita alternativa, movimento que ganhou força nos EUA. Por isso, a rede social foi apelidada de “Twitter para racistas” pelo site “Salon”.

Segundo o Gab, mais de 150 mil brasileiros viraram usuários antes das eleições. No começo de outubro, informou, 30% do tráfego vinha do Brasil.

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Depois de o PSL abrir uma conta na rede social, o fundador e CEO do Gab, Andrew Torba, cortejou o candidato do partido que foi eleito presidente, Jair Bolsonaro:

Quando Bolsonaro se juntar ao Gab, o Twitter vai morrer no Brasil e a mídia vai entrar em pânico

Bolsonaro não aderiu à rede social norte-americana e passou boa parte da campanha utilizando seus perfis no Twitter, Facebook e YouTube para falar a seus eleitores.

Atirador na sinagoga

Um dos usuários do Gab era Robert Bowers, o suspeito de matar as pessoas na sinagoga. Bastante ativo, ele compartilhava diversas postagens ofensivas contra judeus. A última delas foi publicada antes de entrar na sinagoga.

“Eu não posso sentar e assistir ao meu povo ser massacrado”, escreveu. “Dane-se seu ponto de vista. Eu vou entrar.”

E entrou. Armado com três revólveres e um fuzil semi-automático AR-15. Deixou mortas 11 pessoas, com idade entre 54 e 97 anos (três mulheres e oito homens). Enquanto fazia isso, gritava: “Todos os judeus devem morrer”. Segundo o Departamento de Justiça dos EUA, ele foi indiciado com 29 acusações e pode ser condenado à morte.

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O atentado aconteceu no sábado (27). Desde que se descobriu a atuação de Bowers no Gab, a rede social passou a ser desplugada por diversos serviços conectados. Primeiro, foram os meios de pagamento online, PayPal e Stripe, que suspenderam a integração de sua plataforma com o site.

“Quando um site é explicito em permitir a perpetuação de ódio, violência e intolerância discriminatória, nós tomamos uma ação imediata e decisiva”, informou o PayPal no mesmo dia do tiroteio.

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Depois deles, o serviço de hospedagem Joyent suspendeu o Gab e o Medium seguiu o mesmo caminho. O tiro de misericórdia foi dado nesta segunda-feira (28) pela GoDaddy, provedor de domínio na internet. Após expirar o prazo de 24 horas dado para a Gab encontrar um fornecedor diferente, a rede social saiu do ar.

Em resposta a reclamações recebidas no fim de semana, a GoDaddy investigou e descobriu numerosos conteúdos no site que tanto promovem quanto encorajam a violência contra as pessoas

GoDaddy

Nesta segunda, quem tentava acessar o site dava de cara com um comunicado em inglês. Inicialmente, o Gab dizia estar “sob ataque”:

Estamos sendo sistematicamente tirados de plataformas como lojas de apps, provedores de hospedagem e processadores de pagamento

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Depois, o Gab amenizou o discurso, modificou o texto e passou a relatar como está colaborando com o Departamento de Justiça e o FBI:

Por causa dos dados que nós fornecemos, eles agora têm bastante evidência para o caso deles

Ainda assim, aproveitou para atacar a mídia e a "oligarquia do Vale do Silício": "a internet não é realidade. TV não é realidade”, afirmou Andrew Torba, CEO da Gab, em nota.

As pessoas estão acordando, então, por favor, continuem a apontar o dedo para as redes sociais em vez de apontar o dedo para o suposto atirador que sustenta sozinho a responsabilidade pelas ações dele. Tirem-nos das plataformas que vocês quiserem. Vocês não podem parar uma ideia

Andrew Torba

Não é a primeira vez que o Gab vira alvo de empresas de tecnologia. No ano passado, ela já foi banida das lojas de aplicativos de Apple e Google. A Microsoft chegou a ameaçar excluí-la de seu serviço em nuvem Azure devido a publicações antissemitas feitas na rede social – com a exclusão dos posts, o contrato foi mantido.

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