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Cinco cenas que serão comuns na cidade do futuro

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Com novas tecnologias, a rotina visual das cidades tem muito a mudar Imagem: Getty Images/iStockphoto

Rodrigo Trindade

Do UOL, em São Paulo

25/11/2018 04h00

Pense em uma cidade sem barulho de carros, com mais gente na rua, menos poluição e diversos objetos voando entre prédios e sobre casas. Estações futuristas de trens, que por sua vez viajam na velocidade do som em tubos a vácuo.

Estas são cenas idealizadas por startups e grandes empresas, que querem mudar como a gente interage com ambientes urbanos. No WTM18, evento de mobilidade urbana realizado em outubro em São Paulo, empresas demonstraram uma série de novidades que já são factíveis com a tecnologia atual. Estas devem fazer parte da nossa rotina em um futuro próximo, de cinco a 10 anos.

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Algumas delas já podem ser vistas em cidades brasileiras, como o compartilhamento de veículos como patinetes e bicicletas, enquanto outras estão sendo testadas ou construídas mundo afora.

Vahana/Divulgação
Alpha One, da Vahana, voou pela primeira vez em fevereiro de 2018 Imagem: Vahana/Divulgação

"Carros" voando por aí

Explicamos na quinta-feira (22) a tecnologia por trás desse novo tipo de veículo, um híbrido entre carros, helicópteros e drones, que já voa com tripulantes em alguns lugares do mundo. Eles já existem e funcionam, mas ainda precisam ser refinados e regulados para circularem por aí.

Clément Monnet, executivo-chefe da Voom, empresa de voos de helicóptero sob demanda da francesa Airbus, afirmou que os veículos serão trocados uma vez que os carros voadores estiverem maduros o suficiente. A Voom é “irmã” da Vahana, outra empresa da Airbus e uma das várias startups que trabalham no desenvolvimento dos veículos voadores autônomos.

“Sei que falamos de carros voadores há anos, mas há uma convergência no momento de investimento, tecnologia e talento que estão trabalhando nessas questões. Você pode esperar, dependendo de quão otimista você for, que estaremos certificados e comercializando nos próximos cinco, dez anos”, disse Monnet.

Há mais de uma dezena de empresas trabalhando nesse tipo de veículo, algumas delas bancadas por Larry Page, cofundador do Google, e outras incentivadas pela Uber.

Centenas (ou milhares) de patinetes e bicicletas nas ruas

Quem anda pelo centro-expandido de São Paulo já se acostumou com bicicletas deixadas soltas nas calçadas. Outra cena que tem se tornado comum é a circulação de patinetes pelas ciclovias de regiões comerciais da cidade – em horários restritos.

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Patinetes elétricas já fazem parte da rotina paulistana Imagem: Rodrigo Trindade/UOL

Baratos, convenientes e sustentáveis, esses serviços devem se estender para o restante do país em 2019, mas já viraram parte da rotina em 2018. Na capital paulista, a disputa é entre as startups Yellow, Ride (recém-fundida com a mexicana Grin) e Scoo, mas outros desafiantes devem chegar em breve.

Em Porto Alegre, a Loop opera desde novembro de 2017, oferecendo bikes compartilhadas a partir de estações virtuais. Outras empresas, como a E-moving, têm um modelo de negócio diferente, com aluguéis mensais de bicicletas elétricas.

Além da tecnologia nacional, desafiadores de fora do país devem chegar em breve, como a portuguesa iomo, de patinetes elétricas. A tendência é uma só: veículos compartilhados, elétricos e espalhados soltos pelas ruas ou em estações virtuais.

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Hyperloop trouxe maquete gigante ao Brasil Imagem: Rodrigo Trindade/UOL

Estações futuristas de trem

As “cápsulas” idealizadas por Elon Musk estão para sair do papel em vários lugares do mundo. Uma das empresas encarregadas de tornar esse novo conceito de veículo uma realidade é a Hyperloop TT, que usará tubos de superfície com vácuo, o que permitirá as composições alcançarem a velocidades de mais de 1.000 km/h.

A primeira cápsula fabricada pela empresa ficou pronta no começo de outubro e foi encaminhada para o centro de desenvolvimento na França onde o conceito será transformado em realidade. Enquanto isso não acontece, nós já “testamos” como serão as estações desse sistema, usando realidade virtual. Também “entramos” na composição e “viajamos” por alguns minutos.

Isabela Faria, planejadora de eventos da empresa no Brasil, explicou na ocasião que isso não é uma tecnologia “do futuro”, mas uma aplicação de conceitos e recursos já existentes.

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Drone apresentado pela SMX na WTM18 Imagem: Rodrigo Trindade/UOL

Entregas voadoras

Nos Estados Unidos, a Amazon já experimenta com entregas feitas por drones. No Brasil, não existe uma empresa de grande porte assumindo essa responsabilidade, mas startups como a SMX, que começou a operar em outubro, já oferece esse serviço ao setor industrial.

Os aparelhos navegam o ar sozinhos, só precisam das coordenadas do destino para sair voando pelo ar. A empresa brasileira surgiu com a ideia de entrega de medicamentos, mas expandiu para o delivery de objetos em geral. Mas assim como os carros voadores, as entregas por drones não podem ser feitas livremente pela legislação brasileira atual, mas empresas como a SMX trabalham para que isso seja alterado.

Além da regulação, há outro desafio: uma modernização do controle de tráfego aéreo, que ganhará novos integrantes.

Quando nós começarmos a comercializar esse veículo, o tráfego vai aumentar no ar. Além desse veículo, ainda vão haver helicópteros da polícia, de notícias, ambulância, fora pequenas aeronaves. Você vai ter que lidar com tudo isso e o controle de tráfego aéreo é complexo. E esses veículos vão ser autônomos – ainda vai ter pequenos drones fazendo entregas! Você terá que colocar todos esses veículos, autônomos, manuais, para falar entre eles

Clément Monnet, executivo-chefe da Voom

Máquinas imprimindo casas

A construção civil atual envolve máquinas e trabalhadores, mas isso pode mudar em breve. Em alguns locais, inclusive, já mudou. A impressão em 3D é capaz de criar diversos objetos, mas um dos avanços dessa tecnologia é a construção de casas.

Isso permitirá a construção de empreendimentos com uma cara diferente da que estamos acostumados. A cidade holandesa de Eindhoven, por exemplo, ganhará um pequeno bairro com residências feitas com impressoras 3D. Elas terão um visual meio oval, resultado da nova forma de construir propiciada por essa tecnologia. As casas têm entrega planejada para 2019.

Em teoria, esse novo método de construção seguirá as tendências das outras cenas da cidade do futuro: economia, sustentabilidade e velocidade - seja na construção ou no deslocamento.

Projeção de bairro futurista holandês

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