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É real! Truque bem simples te diz se uma pilha é nova ou está gasta

Arte/UOL
Não sabe se uma pilha é nova ou velha? Existe um truque te ajudará Imagem: Arte/UOL

Gabriel Francisco Ribeiro

Do UOL, em São Paulo

27/11/2018 04h00

Imagina a seguinte situação: você está lá trocando pilhas de algum aparelho e, de repente, todas as pilhas caem no chão, se misturando -- as novas e as gastas. Como saber qual é a pilha carregada sem testar uma a uma?

Existe um truque muito simples e que parece lenda urbana: se você jogar uma pilha gasta e uma nova de uma altura de alguns centímetros do chão, a que quicar mais alto no chão será a pilha antiga e a que não pular muito é a nova.

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Pois saiba que nós testamos e esse conhecimento popular é verdade, ao menos em algum nível.

Por que em algum nível? Bem simples: na real o que o teste vai te informar é se uma pilha é totalmente nova ou já está um pouco gasta - a partir de 50% de uso da carga, ela já vai quicar de forma uniforme no chão. E é bom deixar claro que isso só vale para pilhas alcalinas, e não aquelas recarregáveis.

A que não pular está nova, porque o material dentro está flexível. A que pular está gasta. Mas não dá para saber se está toda gasta ou não, porque a diferença do pulo é praticamente igual. Serve para situação de pilha de pouquíssimo uso ou outra com muito mais uso

Valter Avelino, do departamento de Engenharia Elétrica da FEI

O professor explica que isso ocorre porque a pilha internamente tem elementos como zinco e hidróxido de cálcio, além de água. Antes de ela ser usada, essa substância é um pouco pastosa e flexível, virando um "amortecedor" interno. A partir do momento em que a pilha é usada e a corrente passa pela substância, o zinco é oxidado e libera elétrons, deixando a substância interna mais dura.

Vai liberando os elétrons e se solidificando, então fica menos flexível do que antes. Se jogar uma pilha gasta, ela tende a pular, já que os elementos ficaram duros

Teste em Princeton confirmou teoria

A lenda urbana foi colocada à prova na Universidade de Princeton em 2015. Daniel Steingart, professor assistente de mecânica e engenharia aeroespacial, e o aluno Shoham Bhadra, doutorando em engenharia elétrica, usaram o laboratório da instituição para ver se o conhecimento popular fazia sentido.

No experimento rápido, a dupla derrubou a mesma pilha em um tubo de vidro e usou um microfone de computador para gravá-la em uma bancada. Os pesquisadores então usaram o tempo entre os saltos para determinar a altura do pulo que a pilha dava.

O que eu amo desse experimento é que o resultado tem muita importância científica, mas é o tipo de coisa que posso mostrar para alguém sem conhecimento científico e eles vão conseguir tirar algo disso

Shoham Bhadra

No experimento, eles também verificaram que o teste caseiro só serve para dizer se a pilha é nova: a partir de 50% da carga gasta, o salto dela no contato com o chão já começa a ficar estável. Ou seja, não jogue fora a pilha só porque ela pulou mais do que outra.

Reprodução
Teste feito em Princeton mostra que pilha salta mais a partir de 50% do uso Imagem: Reprodução

A pesquisa confirmou que o zinco da pilha começa como uma "cama de partículas" que se movimenta bem entre si. Quando ele é oxidado, acabam criando pontes entre as partículas, que ficam mais parecidas com uma rede de molas, o que provoca o salto maior.

O professor Daniel Steingart afirmou não ter ficado surpreso, já que o óxido de zinco é um componente usado para adicionar salto a bolas de golfe em muitas patentes.

Observe as condições do teste

É claro que algumas condições devem ser respeitas para esse teste caseiro. Por exemplo, é importante que as pilhas sejam jogadas da mesma altura. Outro detalhe relevante é o tipo de material que sofrerá o impacto das pilhas.

"Tem que ser uma superfície bem dura, em pedra, como na pia. Se fizer na madeira, a madeira vai absorver e não vai ver nenhuma das duas pular. Tem que ser em uma superfície dura, já que assim ela não absorve o choque", aponta o professor Valter Avelino.

Mas é bom frisar que esse teste caseiro não é definidor para saber se uma pilha está gasta ou não. Para isso, a sugestão é sempre usar voltímetros - o equipamento, contudo, está presente em poucas casas brasileiras é mais utilizado por eletricistas.

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