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Afinal, por que estão colocando tantas câmeras nos celulares?

Gabriel Francisco Ribeiro/UOL
"Uma lente para o pai, outra para a mãe, e mais duas para os gêmeos" Imagem: Gabriel Francisco Ribeiro/UOL

Márcio Padrão

Do UOL, em São Paulo

2018-11-29T04:00:00

2018-11-29T15:33:28

29/11/2018 04h00Atualizada em 29/11/2018 15h33

Se você tem acompanhado nossas notícias sobre celulares, já percebeu que aquela tendência do ano passado de câmeras duplas tomou uma vitamina de açaí e ficou bem exagerada neste ano. Começou com a câmera tripla do Huawei P20 Pro e não parou mais.

Em questão de meses, tivemos a câmera quádrupla do Samsung Galaxy A9, a câmera tripla atrás e dupla na frente do LG V40, e culminou, até o momento, com o Honor Magic 2 da Huawei, com três lentes na traseira e mais três na frontal. Sim, seis câmeras.

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Achou demais? Saiba que pode vir muito mais por aí: a supracitada LG já patenteou um protótipo de câmera para celular com 16 lentes!

Ron Burgundy - Boy, that escalated quickly
Imagem: Reprodução

Quando a câmera dupla surgiu em celulares, explicamos o motivo: as fabricantes perceberam, ao longo dos anos, que a câmera é um dos apetrechos preferidos dos consumidores. Então, quiseram melhorá-las, o que é justo. As câmeras de lente única dos iPhones e Galaxies, por exemplo, ficaram mais rápidas e versáteis, mas continuavam (e ainda continuam, de certa forma) perdendo para câmeras profissionais ou algumas amadoras.

A evolução técnica do recurso esbarrava em questões práticas. Por exemplo, a qualidade de um zoom ou o aumento do ângulo de enquadramento não são possíveis usando a mesma lente para fotos convencionais, que se aproximam mais do comportamento do olho humano. Um conjunto de câmera mais comum, do tipo 50 mm, é construído para simular determinada distância focal, abertura de luz e ângulo de visão, com pouco espaço para a experimentação visual.

A solução, assim, foi colocar mais uma lente nas câmeras dos celulares para ampliar determinados recursos fotográficos.

Cada modelo de celular tem uma câmera dupla diferente. Do iPhone 7 Plus em diante, realizam modo retrato e zoom ótico de melhor qualidade que o digital, sem necessidade de softwares. No LG G5 e G6, as empresas ampliaram o enquadramento, permitindo fotos panorâmicas. No Galaxy S9+, a Samsung faz tanto zoom ótico quanto panorâmico.

Reprodução
Câmera tripla do Huawei P20 Pro Imagem: Reprodução

Ok, mas por que três, quatro etc...

Quando o Huawei P20 Pro surgiu, sua câmera tripla suscitou dúvidas dos céticos, que viam apenas uma vontade de ampliar a tendência da câmera dupla para encarecer os celulares. O modelo chinês representa, na verdade, uma carta de intenções do mercado: com mais lentes, as câmeras de smartphones podem ficar ainda melhores.

A câmera tripla traseira do P20 Pro tem um sensor de 40 MP colorido para a maioria das fotos convencionais, o que dá uma enorme resolução; outro de 20 MP preto e branco, para melhorar a captura de luz, mantendo as cores; mais um 8 MP telefoto, dotado de zoom ótico 3x, para aproximação sem granulação.

Como deu para perceber, cada sensor possui uma função muito bem definida. E as críticas praticamente cessaram quando o P20 Pro foi muito bem avaliado como um dos melhores celulares para fotografia, segundo o rigoroso teste DxOMark.

O novo Galaxy A9 também vai nessa pegada. Ele vem com uma câmera quádrupla com lente principal de 24 MP de resolução, para a maioria das situações normais; uma com ângulo de 120º de 8 MP; uma de 10 MP com zoom óptico de 2x; e uma de 5 MP com a tecnologia "Depth Câmera" (câmera de profundidade), para modo retrato.

No Honor Magic 2 da Huawei, a câmera tripla traseira segue a ideia do P20 Pro: 16 MP convencional, 16 MP grande angular, e 24 MP preto e branco. Na frontal tripla, temos uma 16 MP, e as outras duas de 2 MP servem para reforçar o modo retrato e reconhecimento facial.

O protótipo de 16 lentes da LG ainda é cercado de poucas informações, mas a patente menciona a possibilidade de tirar fotos de múltiplas perspectivas, podendo combinar o objeto da mesma imagem em ângulos diferentes, ou combinar fotos tiradas ao mesmo tempo de uma imagem em movimento, entre outros truques.

Qual é o limite?

São basicamente dois: o espaço físico do celular, já que mais lentes e sensores significa colocar mais peças no corpo do aparelho; e o dinheiro da sua carteira na hora de comprar modelos melhores, mas cada vez mais caros.

Divulgação/YouTube LG Korea
Câmera tripla do LG V40 Imagem: Divulgação/YouTube LG Korea

É o fim da câmera simples no celular?

Difícil dizer. Até o momento, as empresas estão colocando câmeras duplas, triplas e afins em modelos top de linha ou intermediários. Os modelos de entrada --baratinhos, mas de ficha técnica básica-- ainda estão na lente simples mesmo. Mas como estes geralmente recebem elementos de celulares mais caros com um atraso de alguns anos, pode ser que isso mude.

Além disso, nem todos os novos celulares premium têm câmeras no plural... ainda.

Os Sony Xperia XZ2 e XZ3, lançados neste ano, são um exemplo. O Google Pixel 3 optou por uma decisão curiosa: a câmera principal é simples, mas a frontal é dupla, com a segunda lente sendo panorâmica. O Google preferiu incrementar a câmera principal com soluções de software que melhoram fotos com pouca iluminação.

De qualquer forma, acostume-se com a ideia de que a tendência provavelmente veio para ficar. Nossas fotos agradecem, mas esperamos que nossos bolsos consigam dar conta.