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Colocamos as mãos no primeiro smartphone comercial com tela dobrável

Bruna Souza Cruz

Do UOL*, em Las Vegas

2019-01-10T14:37:17

10/01/2019 14h37

A edição deste ano da CES 2019, um dos principais eventos de tecnologia do mundo, tem chamado atenção pela quantidade enorme de televisões 8K. Mas um celular também tem atraído olhares de boa parte dos visitantes da feira, que acontece em Las Vegas nesta semana. 

O FlexPai, o primeiro smartphone comercial com a tela dobrável, foi apresentado no final do ano passado e está por aqui no estande da Rouyu Technology (Royole Corporation). E ele é, no mínimo, interessante.

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FlexPai, o celular com tela dobrável da Royole Imagem: Bruna Souza Cruz/UOL

Todo mundo quer ver de perto. Depois de ficar 15 minutos aguardando a minha vez, pude mexer, olhar, dobrar e desdobrar o FlexPai. 

Ainda que ele tenha algumas falhas, como travar e demorar para responder a alguns comandos na tela, ver de perto uma tecnologia que desponta como tendência nos smartphones dos próximos anos foi muito legal.

A tela tem a tecnologia Amoled e funciona de duas formas: toda "esticada", virando um tablet de 7,8 polegadas, ou dobrada, com os dois lados funcionando de modo independente. 

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Celular fica assim quando está dobrado Imagem: Bruna Souza Cruz/UOL

Ele é pesado, as são grossas e dificilmente vai caber nos bolsos das nossas calças. Dobrar a tela é fácil, mas o aparelho é rígido quando precisa ser reaberto. E a parte de trás, que liga as telas, não é lá muito bonita. Fica claro que falta muito ainda para se tornar um celular atrativo.

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Bordas são grossas e ele é um pouco pesado Imagem: Bruna Souza Cruz/UOL

Mas, vale lembrar que é só o primeiro celular do tipo a ser comercializado.

O FlexPai conta com duas câmeras com resoluções de 16 MP e 20 MP. Se ele estiver aberto, você vai conseguir tirar uma selfie. Com ele dobrado, dá para girar e tirar uma foto com a lente na posição de câmera principal. Ou seja, todas as suas fotos serão tiradas com a ajuda de duas lentes.

O modelo que pude conhecer é uma versão feita para desenvolvedores. Então, ainda não funciona como celular mesmo (ele não consegue fazer ligações). Mas os representantes da empresa afirmaram que o smartphone com todas as suas características estará disponível até o final do ano nos Estados Unidos. Na China, o FlexPai já começou a ser vendido, por cerca de US$ 1.290.

A Royale vai comercializar dois modelos com diferentes memórias RAM (6 GB e 8 GB) e de armazenamento (128 GB e 256 GB).

No Brasil, a Royole não é tão conhecida, mas sua marca registrada são as telas flexíveis. É como se ela quisesse colocar telas curvas em tudo.

Aqui na CES, ela tem mostrado projetos envolvendo bolsas, chapéus, camisetas, alto-falantes. Tudo com uma tela bem flexível, como dá para ver nas imagens abaixo.

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Tela flexível da Royole usada em uma bolsa Imagem: Bruna Souza Cruz/UOL

Samsung também tem

Dias depois do lançamento do celular da Royole, foi a vez da Samsung marcar presença nesse segmento. Em novembro, após quatro anos de desenvolvimento, a fabricante finalmente deu provas concretas de que o seu smartphone com tela dobrável está vindo aí.

O celular apareceu no palco durante a conferência da empresa para desenvolvedores, em San Francisco (Estados Unidos). O que foi mostrado foi um protótipo com uma tela normal na frente, mas que pode ser aberto pela lateral do dispositivo, revelando uma tela do tamanho de um tablet. Assim com o o FlexPai, quando ele está aberto, você tem o espaço de dois displays. Quando está fechado, você tem um celular normal.

Segundo a empresa, o sistema terá vários recursos de multitarefa - será possível usar três aplicativos simultâneos em tela grande. E pode ser dobrado centenas de milhares de vezes sem que estrague.

A expectativa é que o modelo comece a ser vendido no primeiro semestre deste ano. 

Android para celular dobrável

Para acompanhar os celulares dobráveis, a Google criou uma adaptação de seu sistema operacional. A novidade foi anunciada no final do ano passado, durante um evento da empresa para desenvolvedores focados em sua plataforma.

Para o Android rodar em celulares que se dobram sem parecer algo improvisado, o Google criou um recurso chamado de "continuidade de tela". É ele que fará o conteúdo mostrado no display ser ampliado ou reduzido, conforme o aparelho é dobrado ou desdobrado, sem que haja interrupções. Você, em tese, pode começar um vídeo em uma tela desdobrada. Quando você abrir a tela, o app vai transferir o conteúdo para a tela grande sem perder um bit.

* A jornalista viajou a convite da LG.