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Estudo: idosos conservadores são os maiores difusores de boato no Facebook

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Conhece alguém que faz isso? Imagem: iStock

Rodrigo Lara

Colaboração para o UOL, em São Paulo

10/01/2019 16h37

Um estudo realizado por pesquisadores das universidades de Princeton, em Nova Jersey, e Universidade de New York, nos EUA, concluiu que usuários de Facebook com mais de 65 anos estão mais propensos a compartilhar notícias falsas na rede social. E, dentro desse grupo, esse comportamento foi mais notável entre aqueles que se consideram conservadores.

A pesquisa foi publicada na revista Sciences Advances e reuniu cerca de 3.500 pessoas, das quais 1.200 concordaram em ceder dados de seus perfis no Facebook durante a corrida eleitoral pela presidência dos EUA, em 2016. A ideia era analisar se essas pessoas compartilharam links de sites que figuram em listas de páginas conhecidas por difundirem notícias falsas. 

Dentre as pessoas analisadas, 8,5% compartilhou pelo menos um link desses sites. Separando por faixa etária, no entanto, 11% dos participantes com mais de 65 anos acabaram compartilhando uma notícia falsa no período, contra 3% dos usuários entre 18 e 29 anos. 

Em número de textos, o grupo mais velho chegou a compartilhar até sete vezes mais artigos falsos do que o grupo mais jovem analisado e o dobro das pessoas entre 45 e 65 que participaram da pesquisa.

Dividindo os participantes entre republicanos e democratas, 18% dos republicanos compartilharam algum tipo de notícia falsa, contra 4% dos democratas. 

Andy Guess, Jonathan Nagler e Joshua Tucker, todos envolvidos com o estudo, publicaram um artigo no jornal "Washington Post" sobre os resultados da pesquisa e também fazendo uma ressalva sobre a questão do alinhamento político dos participantes. 

Eles consideraram que, como maioria das notícias falsas propagadas no período visava promover o agora presidente Donald Trump, do Partido Republicano, é normal que os mais conservadores figurassem entre quem mais propagou notícias do tipo no período. "Se essas notícias falsas fossem favoráveis a Hillary Clinton, provavelmente mais liberais do que conservadores teriam compartilhado esse conteúdo". 

Ainda de acordo com os pesquisadores, uma das explicações sobre o maior sucesso das notícias falsas entre o público com idade mais avançada teria a ver com a falta de intimidade com o meio digital. "É possível que eles não tenham o nível de conhecimento de mídias digitais suficiente para determinar a credibilidade das notícias que recebem".