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Como WhatsApp descobre spam no aplicativo sem ler suas mensagens

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WhatsApp usa técnicas para identificar pessoas maliciosas sem ler mensagens Imagem: Getty Images

Gabriel Francisco Ribeiro

Do UOL, em São Paulo

2019-02-06T15:14:46

06/02/2019 15h14

O WhatsApp já havia explicado antes um pouco sobre como fazia para identificar spam sem ler suas conversas. Nesta quarta (6), entretanto, o aplicativo deu mais detalhes do processo feito para que a criptografia total das conversas dos usuários não seja afetada pelo seu sistema.

Segundo o app, mais de dois milhões de contas são removidas por mês do mensageiro. Desse número, 75% estão ligadas ao algoritmo de aprendizado de máquina desenvolvido para detectar usuários que estão infringindo as normas da plataforma.

Atualmente, as pessoas que utilizam o WhatsApp como vetor de spam ou notícias falsas usam diversas técnicas para burlar os limites do app para envio de mensagens. Matt Jones, engenheiro de software do aplicativo, afirmou na Índia para jornalistas que há casos de usuários utilizando dispositivos customizados para que aceitem múltiplos SIMs e, assim, consigam espalhar mais spam.

O que o WhatsApp faz

A situação do WhatsApp na luta contra o spam não é simples. Como a privacidade dos usuários é protegida por criptografia, o app não tem acesso às nossas mensagens. Assim, recorre a diversas técnicas para saber o que ocorre na rede.

O principal elemento utilizado pelo app é chamado de "ações de usuários". Nesse sistema estão incluídos registros de dados das mensagens e até a taxa de mensagens enviadas. É possível olhar esses dois pontos sem quebrar a criptografia da conversa.

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Entenda

De acordo com o The Next Web, Jones afirmou que a companhia usa três momentos principais para identificar possíveis spammers: no ato de registro, durante troca de mensagens e em respostas negativas a denúncias feitas por outros usuários.

Durante o registro, o WhatsApp usa seu número de telefone para verificar as coordenadas do celular. O algoritmo usa informações do dispositivo como detalhes do aparelho, endereço de IP e operadora para flagrar a criação de contas maliciosas.

Se uma rede de computador tenta registrar contas em massa ou um número de telefone similar a um que tenha tentado registrar várias contas antes, o sistema bloqueia esses usuários antes mesmo deles poderem enviar uma mensagem. Dos dois milhões de usuários que bane por mês, a empresa diz que 20% são feitos por esse método.

Existe ainda outro modelo que o app faz para identificar spammers em ação. A companhia consegue verificar o indicador de "digitando..." no topo da conta ou perceber que um usuário enviou 100 mensagens em 10 segundos cinco minutos após o registro para flagrar sistemas automatizados em ação.

As mensagens de conteúdos maliciosos ainda são marcadas como links suspeitos após a empresa notar que foram enviadas por spammers. Por último, o aplicativo ainda usa denúncias de usuários para excluir contas que cometem ações ilegais. A empresa ainda checa se não ocorrem denúncias de um grupo de usuários apenas para prejudicar um indivíduo que não tenha feito nada de errado.

Só minimiza efeitos

Essas ações, somadas ao recente limite de encaminhamento de mensagens, por enquanto apenas servem para minimizar os efeitos de pessoas maliciosas no WhatsApp. Nem precisamos lembrar que a eleição do Brasil teve alto número de notícias falsas compartilhadas pelo app, muitas delas por usuários comuns, e que na Índia já houve problemas relativos a boatos na plataforma.

O aplicativo ainda tem entre seus problemas o efeito de golpes espalhados por criminosos, normalmente com promoções falsas a usuários. Por enquanto, o sistema que checa as mensagens e ações dos inúmeros usuários em tempo real ainda não faz a plataforma ser totalmente segura.

A empresa afirma que está trabalhando em melhorar o sistema de detecção de spams.

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