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Bilhões pagos e 5G: o que está por trás do fim da guerra Apple x Qualcomm?

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Apple pagará bilhões para a Qualcomm, segundo estimativas de analistas Imagem: Reprodução

Gabriel Francisco Ribeiro

Do UOL, em São Paulo

2019-04-21T11:37:31

21/04/2019 11h37

Resumo da notícia

  • Apple e Qualcomm anunciaram nesta semana um surpreendente acordo
  • Empresas travavam guerra judicial há dois anos com processos mútuos
  • Futuro dos iPhones e 5G pode ter sido preponderantes para o acordo
  • Qualcomm é vista como vencedoa do conflito entre as duas gigantes

Apple e Qualcomm faziam, até esta semana, uma das batalhas judiciais mais tensas de tempos recentes. Uma empresa processava a outra, com pedidos de bilhões em indenização. Nos últimos dias, no entanto, ambas as gigantes anunciaram um surpreendente acordo. Mas o que está por trás do fim dessa guerra?

Antes é preciso entender na prática o que estava rolando entre as duas empresas. Há dois anos as companhias se processavam mutuamente por causa de diferentes razões. Primeiro, a Apple acusou a Qualcomm em janeiro de 2017 de fazer patentes injustas de modems de smartphones. Depois, a Qualcomm conseguiu banir o iPhone de alguns mercados e alegou que a empresa rival roubou tecnologias.

A briga na justiça virou uma daquelas para ser acompanhada de perto por analistas e com impactos nas ações de ambas as empresas. Até esta semana, quando um surpreendente acordo foi alcançado.

O que foi esse acordo

As duas empresas concordaram em interromper todas as ações judiciais de uma companhia contra a outra, em todo o mundo. Mas há muito mais do que isso por trás do fim dessa briga.

Como parte do acordo, a Apple pagou um valor não revelado pelas duas empresas. Dias depois, contudo, começaram a surgir estimativas de analistas de que a empresa de Tim Cook teria pago nada menos do que uma quantia entre US$ 5 bilhões e US$ 6 bilhões para a rival - valor que seria referente aos royalties de venda de iPhones que a Apple parou de repassar durante a batalha judicial.

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Além disso, a Qualcomm também poderá começar a receber entre US$ 8 e US$ 9 de royalties pelas vendas de cada iPhone - antes, o valor repassado era de US$ 7,50. Mas não teve só dinheiro envolvido no acordo.

As duas empresas ainda aceitaram um licenciamento de seis anos de patentes, que pode ser ampliado para mais dois anos. A Qualcomm vai fornecer peças para a construção de iPhones por vários anos, fato que derrubou ações de empresas que fornecem partes dos celulares da Apple. Provavelmente, modems da Qualcomm vão voltar a aparecer em iPhones.

O menor dos males para a Apple

A escolha da Apple por fazer um acordo tem, segundo analistas internacionais, muito a ver com o futuro do 5G. A Apple teria quatro opções "terríveis" e escolheu a menos pior:

1 - Fazer um acordo com a Qualcomm, uma das companhias líderes em 5G
2 - Esperar a Intel implantar a tecnologia do 5G em seus chips (e logo depois a gigante de tecnologia abandonou os planos de fazer um modem 5G)
3 - Fazer negócio com a Huawei, apesar dos problemas políticos e de segurança da chinesa
4 - Construir seus próprios chips 5G (o que pode levar vários anos)

Pagar o valor para a Qualcomm, então, foi o que a Apple julgou ser o menor dos males. A companhia de Steve Jobs sabe que não poderia sair muito atrás - mais do que já está - na corrida pelo 5G, próxima tecnologia a revolucionar nossas conexões móveis e que trará a usuários de celulares um grande ganho.

A grande vencedora da jogada é, claramente, a Qualcomm, que conseguiu quase tudo o que queria da rival.

Questões que ficam

O site The Verge colocou algumas questões importantes que ficam após o acordo. Há dúvidas, por exemplo, de como vai ser a relação entre as duas companhias daqui para frente. O processo gerou uma animosidade entre os dois lados, com trocas de farpas nos últimos anos.

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Outra questão envolve a Intel, que horas depois do anúncio do acordo acabou com seu projeto de fazer um chip 5G. É especulado, inclusive, que a Apple aceitou o acordo com a Qualcomm porque já sabia que não teria futuro com a Intel para a próxima tecnologia móvel. Assim, restaram poucas opções.

Uma das principais perguntas agora é: quando veremos os primeiros iPhones com a tecnologia 5G? Algumas companhias, como a Samsung, já anunciaram aparelhos do tipo e a empresa de Tim Cook terá que correr atrás. Faltam cerca de cinco meses para o lançamento dos próximos celulares da Apple e é improvável que a empresa consiga construir um aparelho com a tecnologia a tempo. Mas não impossível - e seria extremamente importante para a empresa entrar logo nesse mercado.