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Rabo preso? CIA diz ter provas do elo da Huawei com governo chinês

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Imagem: Getty Images

Márcio Padrão

Do UOL, em São Paulo

2019-04-22T13:19:17

22/04/2019 13h19

Resumo da notícia

  • Huawei "recebeu financiamento da segurança de Pequim", diz fonte anônima
  • EUA compartilharam suas alegações com as nações do "Cinco Olhos"
  • Huawei nega; notícia pode comprometer planos da empresa no mercado 5G

Há meses a empresa chinesa Huawei, uma das maiores do mundo em telecomunicações, vem negando veementemente as acusações de alguns governos, principalmente dos EUA, que espiona pessoas e governos com seus aparelhos. Ainda não vimos nenhuma prova concreta disso, mas a CIA agora diz que tem evidências do comprometimento da empresa com a segurança do governo chinês.

No sábado (20), o jornal britânico The Times informou que a evidência existe, mas ainda não foi divulgada abertamente. Uma fonte anônima disse ao jornal que a Huawei "recebeu financiamento de agências do aparato de segurança estatal de Pequim".

A inteligência americana teria mostrado à Grã-Bretanha que a Huawei recebeu dinheiro do Exército Popular de Libertação, da Comissão Nacional de Segurança da China e de um terceiro ramo da rede de inteligência do estado chinês.

O Times afirma que os EUA compartilharam suas alegações no início deste ano com as outras quatro nações pertencentes ao grupo "Cinco Olhos", uma aliança de cooperação do país com as inteligências da Grã-Bretanha, Austrália, Nova Zelândia e Canadá.

Um porta-voz da empresa disse ao Times: "A Huawei não comenta alegações não fundamentadas, apoiadas por evidências zero de fontes anônimas".

"É uma loucura para os governos ocidentais e a mídia chamarem as empresas chinesas de 'ameaça à segurança'", disse o embaixador chinês no Reino Unido, Liu Xiaoming, no início do ano, segundo o Times. "Tais acusações são infundadas e enganosas. Se não forem controlados, poderão prejudicar as regras do mercado, envenenar a cooperação empresarial e causar instabilidade na economia mundial. "

Um porta-voz da Huawei disse ao jornal que "não comenta alegações não fundamentadas, apoiadas por evidências zero de fontes anônimas". Já o embaixador chinês no Reino Unido, Liu Xiaoming, disse no início do ano que é uma "loucura" para os governos ocidentais e a mídia chamarem as empresas chinesas de ameaça à segurança, pois são "infundadas e enganosas".

A notícia vem no mesmo dia que a Huawei divulgou balanço do primeiro trimestre de 2019. Apesar da crise de imagem, por enquanto as finanças estão saudáveis, com aumento de 39% na receita, chegando a 179,7 bilhões de yuans (US$ 26,81 bilhões).

O que está em jogo? 5G

A Huawei já é hoje a maior fabricante de infraestrutura de telecomunicações do mundo e está no top 3 das maiores fabricantes de smartphones, oscilando entre segundo e terceiro lugar com a Apple. Mas a novela da espionagem comercialmente será dramática no potencial mercado de conexões 5G.

Até o final de março, a Huawei informou que assinou 40 contratos comerciais de 5G com operadoras, concluiu mais de 70 mil estações-base 5G em mercados em todo o mundo e espera lançar 100 mil até maio.

Ciaran Martin, chefe do Centro Nacional de Segurança Cibernética do Reino Unido, disse em fevereiro que não viu nenhuma evidência de espionagem por parte da Huawei. Mas em março, o país criticou publicamente a Huawei por não consertar falhas de segurança de longa data no software de seus equipamentos de rede móvel.

E de acordo com o Times, algumas autoridades do Reino Unido acreditam que a empresa irá se sair mal durante uma próxima revisão dos planos do Reino Unido para construir redes 5G. "Acho que é muito difícil justificar o status quo ... dado todos os principais ventos e preocupações que foram expressos [sobre a Huawei]", disse anonimamente um oficial.

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Com isso, as autoridades "admitiram em particular" ao jornal que o abandono do uso da tecnologia Huawei, em favor de concorrentes como Ericsson ou Nokia, poderia atrasar a implementação do 5G por anos. Isso porque antes do início das tensões entre China e EUA e a atual batalha comercial, a Huawei estava pronta para usar sua posição privilegiada de mercado para fechar contratos no ramo do 5G em diversos países europeus.

Os alertas dos EUA não vieram com quase nenhuma prova --no máximo alegações de que há alguns anos, uma empresa ligada à Huawei como fachada para acordos comerciais com o Irã, país que sofre sanções comerciais dos EUA. Assim assim, o barulho americano reverberou discretamente em forma não de proibições diretas, mas de mais rigor para atingir diretamente a Huawei.

As autoridades da Alemanha propuseram regras de segurança mais rígidas para as redes de dados, em vez de proibirem a Huawei. O parlamento francês está debatendo um projeto de lei para endurecer testes de equipamentos de telecomunicação, deixando-os no mesmo nível de empresas que entregaram segredos industriais. Nokia e Ericsson já disseram que vão obedecer às regras.