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Por que a segurança eletrônica dos aeroportos vem sendo acusada de racismo?

Paul Prescott/Getty Images
Scanners com tecnologia avançada de imagem (AIT) podem dar mais alarme falso a afro-americanos Imagem: Paul Prescott/Getty Images

Renan Dionísio

Especial para o UOL

2019-05-03T04:00:00

03/05/2019 04h00

Resumo da notícia

  • Scanners de corpo nos EUA dão mais alarme falso para negros, diz relatório
  • Alguns penteados como tranças, dreads e afros tendem a soar alarmes
  • Foram 73 queixas de discriminação racial em 2017, contra 105 em 2018
  • Órgão diz que scanners não veem direito em certos estilos de penteado

Quando vamos viajar de avião, passamos por uma série de revistas, detectores e scanners de corpo para garantir que nenhum objeto perigoso embarque na aeronave. Mas alguns desses scanners estão mais propensos a falsos alarmes contra certos tipos de membros da sociedade.

De acordo com um relatório publicado pelo ProPublica, site independente que produz jornalismo investigativo, os scanners com tecnologia avançada de imagem (AIT) estão mais propensos a dar alarme falso para afro-americanos nos EUA.

Mais especificamente, o relatório indica que alguns penteados comuns na comunidade afro-americana como tranças, dreads e afros tendem a soar os alarmes falsos. Com isso, os agentes são obrigados a realizar uma revista mais íntima onde passam os dedos no cabelo da pessoa. De acordo com os passageiros que já foram submetidos a ela, é invasiva e degradante.

Por conta disso, o número de reclamações sobre discriminação racial na TSA (Transportation Security Administration), empresa que toma conta da segurança nos aeroportos dos Estados Unidos, está aumentando. Foram 73 queixas em 2017, contra 105 em 2018.

As reclamações apontam que os scanners e os agentes da TSA, responsáveis pelo equipamento, estejam discriminando as pessoas negras por conta de seus penteados e de sua pele. Além de pessoas negras, o alarme costuma apitar em casos em que o passageiro está usando peruca ou turbantes.

Em resposta à denúncia, agentes da TSA disseram que as revistas no cabelo só são realizadas quando o scanner aponta se tem algo nele. Disseram também que por conta dos dreads e das tranças, o cabelo fica mais grosso, então o scanner não consegue ver direito e soa o alarme.

"Neste momento os oficiais têm que fazer o trabalho que a máquina não pode", disse um oficial da TSA que pediu para não ser identificado.

A TSA disse que está trabalhando em opções adicionais na revisão dos cabelos. Em seu site, o órgão aconselha que os passageiros retirem todos os itens de sua cabeça antes de passar pela segurança. Perucas, tranças, rabo de cavalo ou coques podem disparar o alarme. "Você ficaria surpreso com o que pode estar escondido no cabelo", diz a agência.

A TSA também afirma ser uma das agências federais mais diversas dos EUA. Cerca de 25% dos seus 46 mil agentes de scanner são negros e 23% são hispânicos, de acordo com o Escritório de Gestão de Pessoal dos Estados Unidos.

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