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Como a realidade virtual pode ajudar a identificar casos de Alzheimer

Universidade de Cambridge/Divulgação
Teste simula navegação em espaços artificiais como o da imagem Imagem: Universidade de Cambridge/Divulgação

Rodrigo Trindade

Do UOL, em São Paulo

2019-05-25T13:09:02

25/05/2019 13h09

Resumo da notícia

  • Pacientes com diferentes indicadores da doença apresentaram resultados bem diferentes em teste
  • Estudo usou realidade virtual para experimentar habilidades de orientação espacial de pacientes
  • Universidade trabalha para criar aplicativo de celular que ajude na detecção de doença

Dispositivos de realidade virtual apresentaram resultados promissores em testes feitos para identificar casos da doença de Alzheimer bem no início, segundo um novo estudo publicado pela Universidade de Cambridge. Divulgado na sexta-feira (24), o trabalho também indica que aparelhos como smartphones e smartwatches poderão realizar diagnósticos precisos da doença.

Conduzido pelo professor Dennis Chan, o grupo de pesquisadores desenvolveu e experimentou um teste de navegação com pacientes que apresentavam riscos de desenvolver demência. O objetivo é identificar quais dos pacientes exibiam maiores dificuldades de orientação espacial, característica marcante da doença de Alzheimer.

Os pacientes vestiam o dispositivo de realidade virtual e passavam por uma série de testes de navegação que envolviam caminhadas em um ambiente simulado. A conclusão do percurso com sucesso exige o bom funcionamento do córtex entorrinal, parte do cérebro importante para a orientação espacial que é uma das primeiras afetadas pelo Alzheimer.

A hipótese da equipe liderada por Chan previa que pacientes com sinais iniciais de Alzheimer exibiriam resultados muito piores no experimento. Ao todo, foram 86 pessoas chamadas para realização do estudo, 41 sem sinais de doenças e 45 com um comprometimento cognitivo leve, todos na mesma faixa etária.

Deste segundo grupo, 12 indivíduos testaram positivo para sinais Alzheimer após a retirada de amostras de líquido cefalorraquidiano.

No experimento com a realidade virtual, estes 12 apresentaram resultados piores do que os outros 33 pacientes que também apresentavam comprometimentos cognitivos, enquanto os 41 saudáveis foram os que tiveram a melhor performance.

O resultado mais importante, no entanto, foi que o teste diferenciou melhor os diferentes graus de risco da doença apresentados pelos 45 pacientes com comprometimento cognitivo leve, em comparação com outras avaliações clínicas usadas na atualidade.

Isso sugere que o teste de navegação em realidade virtual pode ser melhor para identificar sinais iniciais da doença de Alzheimer do que os testes que usamos hoje em dia nos estudos e pesquisas clínicos
Dr. Dennis Chan, neurocientista da Universidade de Cambridge

A pesquisa de Chan não deve se restringir aos volumosos e caros dispositivos de realidade virtual. Ele trabalha em conjunto com a professora Cecilia Mascolo, do centro de sistemas móveis, vestíveis e de inteligência aumentada de Cambridge, na criação de aplicativos que, em um futuro próximo, funcionariam em celulares e relógios inteligentes.

"Sabemos que o Alzheimer afeta o cérebro muito antes dos sintomas se tornarem aparentes. Estamos chegando ao ponto que a tecnologia do dia a dia pode ser usada para identificar os sinais de risco da doença muito antes da gente começar a percebê-los", concluiu.