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Motorola One Vision é celular apoiado em elegância e câmera "antiescuro"

Márcio Padrão

Do UOL, em São Paulo

2019-05-29T04:00:00

29/05/2019 04h00

Resumo da notícia

  • Segunda geração de linha de smartphones da Motorola agrada pelo design e câmera
  • Câmera dupla traseira é o melhor diferencial do celular, se destacando com modo noturno simples e eficiente
  • Desempenho agradou, mas bateria não cumpriu a teoria e rendeu menos do que devia na prática

Celular intermediário é a bola da vez. Como os melhores celulares estão cada vez mais caros e com poucos recursos realmente disruptivos, as fabricantes estão mais interessadas em incrementar seus modelos do "meio de campo" a ponto de torná-los quase irmãos gêmeos dos premium. E o Motorola One Vision parece ser um exemplo certeiro dessa tendência.

Este One Vision, para quem não sabe, é a segunda geração do Motorola One de 2018, com as devidas melhorias na ficha técnica e um pouco além. Nos dias em que testamos o aparelho, deu para perceber que os destaques vistos nas primeiras impressões se mostraram de fato seus pontos fortes: o design e a câmera --este último é uma grata surpresa, pois fazia algum tempo em que um Motorola não se destacava nesse quesito.

Márcio Padrão/UOL
Imagem: Márcio Padrão/UOL

Primeiro o design. O celular recebeu o vidro resistente Gorilla Glass na frente e atrás. O deste último é uma versão chamada de 4D, com os quatro lados curvos para ajudar na pegada e criar linhas mais suaves. Temos ainda duas opções de cores: safira (um azul bem escuro) e bronze (um tipo de marrom), ambos com efeito gradiente, com a coloração clareando do centro para as bordas. É sem dúvida um dos Motorolas mais bonitos dos últimos tempos e não tem a cara de "clone do iPhone" que o Motorola One original tinha.

Uma câmera à prova de escuro

A câmera traseira é talvez o melhor diferencial do smartphone. É dupla, sendo um dos sensores (o de 5 MP) voltados para a profundidade de campo. Ele ajuda no modo retrato (desfoque artístico do fundo) e a criar efeitos que já vimos em outros modelos da marca, como recorte de fundo, GIF parcialmente animado (Cinemagraph) e cor em destaque.

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Imagem: Márcio Padrão/UOL

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Imagem: Márcio Padrão/UOL

Mas nada disso é tão interessante quanto o modo noturno da câmera, chamado Night Vision. O objetivo deste efeito é simples e eficiente: clarear fotos escuras da forma mais harmônica possível, sem aquela artificialidade obtida via flash. E faz isso muito bem na maioria das situações que testamos.

Márcio Padrão/UOL
Imagem: Márcio Padrão/UOL

Márcio Padrão/UOL
Imagem: Márcio Padrão/UOL

No geral, o Night Vision conseguiu transformar penumbras do cenário em objetos visíveis, além de definir outros que estavam parcialmente sem cor e foco. E consegue fazer isso até em situações muito escuras onde a maioria das câmeras de smartphones só conseguiria mostrar preto e cinza. Às vezes o céu noturno fica claro demais, mas note que mesmo a foto sem o efeito é bem decente.

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Imagem: Márcio Padrão/UOL

Agradeça ao sensor principal, de 48 MP, que consegue combinar quatro pixels em um só para concentrar mais luz e informação na imagem final, que fica com o mesmo tamanho visto nas câmeras de celular com 12 MP. A Motorola também diz que usa inteligência artificial no pós-processamento da foto. Assim até as fotos em dia claro do One Vision melhoraram bastante sem ficar com uma resolução gigante, algo que era um problema no pioneiro Nokia 808, com 41 MP em 2012.

Claro, se a colocarmos em outras situações-limite, a câmera do One Vision vai pedir algum arrego: vai borrar metrôs e carros em movimento à noite, vai demorar para focar mais do que gostaríamos, vai haver algum ruído de imagem, essas coisas. Mas devemos lembrar que estamos falando de um celular intermediário, segmento que não costuma nos trazer câmeras tão interessantes. Então a câmera do One Vision é sim um grande mérito para um produto dessa faixa.

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Imagem: Márcio Padrão/UOL

A frontal de 25 MP do modelo da Motorola também tem a tecnologia de combinar pixels (a Quad Pixel) e manda muito bem na maioria dos cenários, mas não tem Night Vision.

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Imagem: Márcio Padrão/UOL

E o que mais?

Tela: É um celular alongado, e sem dúvida isso justifica a tela grande de 6,3 polegadas e proporção 21:9. O entalhe é circular, visto no Samsung Galaxy S10. Além de ter menos rolagem nos sites e redes sociais, não há muito motivo para uma tela ser tão comprida: torna mais difícil de alcançar o alto com o dedo (e ele não tem recurso de software para reduzir a tela) e os filmes e jogos geralmente são em 16:9, portanto ficam com listras pretas nas extremidades do celular. Já o furo circular pode incomodar ou passar batido; questão de gosto aqui. As respostas ao toque também pareceram um pouco lentas no teste.

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Você se incomoda com o furinho ali na ponta esquerda? Imagem: Márcio Padrão/UOL

Desempenho: O combo processador de velocidade 2,2 GHz + 4 GB de memória RAM + 128 GB de armazenamento + Android 9 Pie quase puro (com atualizações previstas para Q e R) me pareceu muito bom na teoria para atender à maioria das necessidades dos usuários. Na prática, foi isso mesmo, nada além ou aquém. Senti alguns atrasos bem sutis em alguns processos, como carregamento de games e transições do sistema. Pode ser que fique mais lento a longo prazo (após mais de um ano de uso?), mas de novo lembramos: é um celular intermediário. Só o GPS frustrou mais, pois demorou alguns minutos para se achar no Waze.

Bateria: outro item da ficha que pareceu melhor no papel do que na vida real. São 3.500 mAh, e eu tinha a expectativa que ele durasse bem um dia inteiro de uso e durasse uns 30% para o dia seguinte. Não foi bem assim: na maioria dos dias, rendia de 24 a 26 horas no uso moderado (navegação web) e apenas 11 horas no pesado (somando mais câmera e games). Não é ruim, mas podia ser melhor.

  • O fone de ouvido é bem fraco. Eles são tão fininhos que dão a impressão de que partirão facilmente, e o som é sem grave algum. No próprio celular, o som do alto-falante é mono.

  • Ele vem com capinha transparente na caixa. Mesmo com a capa, o celular não fica muito espesso na mão. Dá para ficar sem a capa? Talvez, por causa do vidro resistente. Mas eu não arriscaria.

  • Vem com o carregamento rápido (que foi do 0% a 30% em 24 minutos) e as Moto Ações (gestos para ligar lanterna e câmera), algo comum em celulares Motorola. Não tem carregamento sem fio.

  • Sensor de digital na traseira e bandeja para dois chips de operadoras, ou um chip mais o cartão microSD para armazenamento adicional.

O veredito

Em seu preço atual, de R$ 1.999 (compras à vista trazem descontos), o One Vision é um celular que está no limite máximo para um intermediário. E a maioria das pessoas não está gastando mais de R$ 1.300 em um modelo novo. Essas são as mesmas questões que afligem seu rival direto, o Galaxy A7 (2018).

Ambos têm 128 GB (o A7 ainda tem uma versão com 64 GB), processadores similares e telas grandes (o A7 um pouco mais: 6,3"). O da Motorola ganha no Android quase puro e na câmera, mesmo que a da Samsung seja tripla, mas perde na tela "com buraco". De qualquer forma, ambos serão compras melhores daqui a quatro a seis meses, quando devem ficar uns 15% a 30% mais baratos.

Direto ao ponto: Motorola One Vision

Tela: 6,3 polegadas Full HD+ LED
Processador: Exynos 9609 (2,2 GHz)
Câmeras: traseira dupla (principal 48 MP + profundidade de 5 MP) e frontal (25 MP) Memória: 4 GB de RAM e 128 GB de armazenamento (com espaço para microSD de até 512 GB)
Bateria: 3.500 mAh
Cores: azul safira e bronze
Pontos positivos: câmera ótima para foto escura e design com cores gradientes
Pontos negativos: tela com entalhe em furo; GPS e fone de ouvido ruins; bateria mediana
Preço: R$ 1.999

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