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ZTE pede desculpas após pagar "preço desastroso" em caso de sanção dos EUA

08/06/2018 13h15

Por Sijia Jiang e Sue-Lin Wong

HONG KONG/SHENZHEN, China (Reuters) - O presidente do conselho da ZTE pediu desculpas à equipe e aos clientes nesta sexta-feira após a empresa de tecnologia chinesa fazer acordo para pagar uma multa de 1 bilhão de dólares aos Estados Unidos para terminar uma proibição de fornecimento de componentes que prejudicou seus negócios.

O acordo permite que a segunda maior empresa de equipamentos de telecomunicações da China retome as operações, reafirme os relacionamentos de fornecimento e reconstrua confiança com clientes globais, enquanto trabalha para deixar para trás um episódio que diz ter ameaçado sua existência.

No entanto, especialistas da indústria estimam que levará pelo menos um mês para que a ZTE retome as vendas de celulares após o fim da proibição, enquanto funcionários temem cortes de postos de trabalho e redução de salário, conforme a empresa caminha para mudar sua diretoria.

A ZTE concordou na véspera em pagar a multa e trocar a administração da companhia para retirar a proibição que está em vigor desde abril. A proibição, que remonta a uma violação de embargo comercial dos EUA contra o Irã, impediu a compra pela ZTE de componentes norte-americanos dos quais depende para fabricar seus smartphones e outros dispositivos.

O caso tornou-se amplamente politizado e foi um foco de negociações entre Washington e Pequim, que travam uma guerra comercial.

Em um memorando enviado para a equipe nesta sexta-feira, o presidente do conselho da ZTE, Yin Yimin, pediu desculpas a funcionários, clientes, acionistas e parceiros de negócios e disse que a empresa buscará aprender com seus erros e punir os responsáveis, disse à Reuters um membro da equipe.

"Esse assunto reflete problemas que existem com a cultura de compliance da nossa empresa e em patamar de gestão", escreveu Yin, segundo o funcionário. "A ativação da ordem de negação causou grandes perdas para a empresa. A empresa pagou um preço desastroso." A ZTE não respondeu a diversos pedidos de comentários.

"Pagar a multa não é problema, a dificuldade real está à frente, em alcançar negócios futuros, especialmente em outros países. A confiança do mercado está perdida", disse outro funcionário da ZTE à Reuters.

A fonte acrescentou que a equipe teme que haja corte de salários e possíveis perdas de emprego. "Os bônus devem ser afetados."

Sob o acordo, a ZTE vai mudar seu conselho de administração e gestão dentro de 30 dias, pagar 1 bilhão de dólares em multa e colocar em uma conta garantia de mais 400 milhões de dólares. O acordo também inclui uma nova proibição de 10 anos que está suspensa a menos que ocorram novas violações.

Uma terceira pessoa da equipe disse que todos os funcionários da ZTE estão sendo chamados para reuniões em grupo para "refletir profundamente" sobre o caso, incluindo atender a treinamento de compliance e escrever relatórios.

A mudança na administração também deve criar instabilidade, pelo menos no curto prazo. "Se muitos chefes saírem ao mesmo tempo, como seria o processo de sucessão? Vai ter muitas brigas internas por poder", disse a fonte.

Os funcionários se recusaram a serem identificados devido à sensibilidade do assunto.

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