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O que o fiasco do Galaxy Fold ensinou? Que a Apple está certa em esperar

Reprodução
Mate X ao lado dos concorrentes iPhone XS Max e Galaxy Fold em evento da Huawei Imagem: Reprodução

Márcio Padrão

Do UOL, em São Paulo

2019-05-11T04:00:00

11/05/2019 04h00

Resumo da notícia

  • Falha do Galaxy Fold evidencia diferenças de postura entre Samsung e Apple
  • Apple prefere esperar o amadurecimento de um recurso antes de adotá-lo
  • Empresa também cancelou um produto - o Airpower - mas não chegou a público
  • Mas ainda é cedo para decretar que a inovação da Samsung não deu certo

Você já deve ter lido muito por aí que a Apple trocou o interesse na inovação do iPhone pela cautela. Ou seja, que os iPhones recentes apenas reproduziriam, com algum atraso, recursos vistos antes nos concorrentes. Isso foi dito, por exemplo, por nós, pelas empresas rivais e até pelo cofundador Steve Wozniac.

As rivais, por sua vez, investem pesado em novidades para conseguirem se diferenciar --especialmente as fabricantes chineses que estão focadas em ganhar cada vez mais espaço. Mas, tudo indica que talvez elas estejam se arriscando demais no processo.

O round mais recente atende pelo nome de Galaxy Fold, considerado o primeiro smartphone com tela dobrável da indústria. O modelo da Samsung passou por sérios problemas técnicos na tela quando os jornalistas receberam os celulares para testar. Isso fez o lançamento comercial do Fold ser adiado.

Quando o dobrável foi anunciado, a discussão sobre a Apple ter sido passada para trás retornou. E como os rumores sobre a chegada de um celular dobrável são antigos, é claro que a Apple já teve seu tempo para pesquisar o seu próprio, chegando a patentear dois projetos.

Só que uma fonte do Bank of America jogou a real em entrevista ao site CNBC: a Apple falou a empresas fornecedoras que veríamos um iPhone dobrável só a partir de 2020. Mais uma vez, manteve-se conservadora em suas promessas.

Agora com o problema técnico ameaçando o sucesso do Fold, executivos da Apple devem estar rindo silenciosamente em sua sede em Cupertino. Ou suspirando aliviados por não terem ido atrás da moda tão rapidamente.

Tetos de vidro

Não estamos dizendo com isso que a Apple é infalível na qualidade de seus produtos "tecnologicamente atrasados", nem que a Samsung está errada em jogar-se na inovação. A questão é mais como os posicionamentos das duas rivais reforçam seus respectivos perfis.

Em primeiro lugar, é sim discutível isso de a Apple apenas surrupiar recursos novos que são amadurecidos na indústria.

Durante o lançamento do iPhone X, confirmamos que seu entalhe na tela foi levemente emprestado do pouco lembrado Essential Phone, mas a combinação de sensores e câmera para o Face ID foi considerada única. Outra pequena grande inovação foi a câmera dupla, nascida no iPhone 7 Plus, que ditou tendência até hoje.

Em segundo lugar, falhas técnicas ou estratégicas se abateram sobre produtos consolidados tanto da Apple quanto da Samsung nos últimos tempos. Se em 2016 tivemos o explosivo Galaxy Note 7 do lado da marca sul-coreana, do outro vimos a Apple admitir em 2017 que deixava o desempenho dos iPhones mais lento para poupar baterias antigas, fazendo isso sem avisar aos usuários. Isso sem entrar em polêmicas muito mais antigas, como antenas que não funcionavam ou corpo que entortava no bolso.

Por fim, a Apple também deu recentemente um passo maior que a perna. Foi o Airpower, carregador sem fio anunciado em 2017 e que teve seu lançamento cancelado em março deste ano, com a empresa citando dificuldades em atender seus próprios padrões.

Podemos dizer pelo menos que a Apple lidou melhor com essa última questão que a Samsung. Em vez de ter enviado um Airpower defeituoso para teste público, a empresa o segurou até ter certeza de que ele, como estava, poderia ser um risco para a empresa e para os clientes.

A Apple não comentou oficialmente o que derrubou o Airpower, mas um repórter do portal americano Techcrunch diz que o carregador teve problemas de engenharia relacionados à física. Em outras palavras, que o produto estava esquentando demais.

E agora?

Um ponto importante aqui é que estamos abordando neste texto basicamente o fracasso do lançamento adiado do Galaxy Fold e como, contextualmente, ele foi prematuro perante a postura excessivamente cautelosa da Apple. Mas isso não quer dizer que o Fold é um produto oficialmente morto, ou um produto ruim.

Muitas das análises das primeiras cópias do Galaxy Fold de fato ressaltaram o problema com a tela, principalmente depois que uma película protetora era retirada. Mas também apontaram grandes vantagens: a tela grande, quando funcionava, era atraente, bonita e melhorava o uso multitarefa de apps; a bateria durava bastante tempo; e as seis câmeras tiravam boas fotos.

Se a Samsung conseguir resolver de vez a problemática tela do Fold, ou pelo menos mitigar suas falhas estruturais que permitem acúmulo de sujeira, ele poderá enfim ser o produto inovador que esperamos. E lembre-se ainda que a tendência de dobráveis já conta pelo menos com outro oponente de peso: o Mate X da Huawei, previsto para junho.

Moral da história? Na verdade saberemos melhor quando os dois dobráveis estiverem nas lojas, mas hoje dá para dizer que esses fatos justificam bem porque a Apple segue o bonde depois dos rivais. E como uma das empresas mais valiosas do mundo, ela ainda pode se dar este luxo.