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Dedure um caloteiro: China cria app que mostra no mapa onde estão devedores

Reprodução/China Daily
Aplicativo de mapa criado pela Justiça de uma província da China mostra onde estão pessoas com dívidas em aberto Imagem: Reprodução/China Daily

Helton Simões Gomes

Do UOL, em São Paulo

22/01/2019 17h49

Está cada vez mais difícil esconder algumas informações pessoais incômodas na China. O país já mantém um complexo sistema de vigilância, que reconhece os rostos dos cidadãos e até espiona o que eles fazem em seus celulares.

A mais nova arma do arsenal de monitoramento governamental é um aplicativo que mostra no mapa onde estão as pessoas que possuem algum tipo de dívida não paga.

A nova ferramenta classificada como "mapa de caloteiros de dívidas" foi liberada pelo mais alto tribunal de Justiça da província de Hebei, que fica no norte da China. Ou seja, não funciona em todo o país, mas sua abrangência já é considerável: a região tem uma extensão territorial equivalente ao do Paraná e abriga quase 70 milhões de pessoas.

Segundo o jornal China Daily, o programa foi liberado nesta segunda-feira (21). Ele funciona dentro do WeChat, o serviço de bate-papo mais famoso do país e que reúne outros serviços conectados, como entrega de comida e de transporte individual de pessoas.

De acordo com o periódico estatal, o mapa mostra "caloteiros" que estejam em um raio de 500 metros.

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Além de mostrar a localização deles, a ferramenta abre um canal para que cidadãos monitorem o comportamento de indivíduos que andam mal das contas. É possível, diz o jornal, dedurar devedores que apresentem capacidade de honrar suas dívidas mas não o façam - por exemplo: alguém que, apesar de ser sinalizado como inadimplente, sai gastando dinheiro comprando algo caro.

Ainda que tenha colocado na mão de cada cidadão uma ferramenta de monitoramento, o tribunal informa que isso é uma forma melhorar a confiança na sociedade:

É parte das nossas medidas para fazer valer nossas regras e criar um ambiente socialmente mais confiável

Alguns detalhes ainda não estão claros. O tribunal não informou se a nova ferramenta de vigilância da China exibe nome, foto ou qualquer outro traço de identidade dos devedores.

Também não comunicou quanto dinheiro é preciso dever para ser tachado como "caloteiro", nem diz se as dívidas são pela contratação de algum serviço, compra de algum produto ou por algum tributo que deixou de ser quitado.

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Segundo o Business Insider, o serviço de mapa faz parte do sistema de crédito social que a China está implantando aos poucos e de forma voluntária nos últimos anos, mas se tornará obrigatório em 2020.

Esse sistema confere pontos para de acordo com os comportamentos dos cidadãos. Há um forte caráter simbólico sobre o que é considerado um gesto com alta pontuação e o que pode derrubar o placar de alguém.

Pesquisar sobre games e viagem na "Wikipédia chinesa" dá menos pontos do que buscar por assuntos relacionados a ciência, por exemplo. Da mesma forma, comprar livros rende mais pontos do que games.

Esses créditos sociais são usados para que uma pessoa tenha preferência na hora de adquirir serviços públicos, como comprar tíquetes de trem ou receber vistos de viagem.

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