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03/11/2004 - 07h57

Além do presidente, EUA votam em vários plebiscitos polêmicos

Por María Lorente LOS ANGELES, 3 nov (AFP) - Além de eleger seu presidente, milhões de eleitores nos Estados Unidos votaram contra o casamento entre homossexuais, o Arizona aprovou uma drástica lei contra a imigração e a Califórnia aprovou a criação do maior centro para a pesquisa de células-tronco. Nestas eleições, os americanos não decidiram apenas sobre seu futuro presidente, mas também sobre 163 propostas em 34 Estados que tocavam temas polêmicos e que tiveram um papel fundamental na campanha eleitoral, como a pesquisa com células-tronco embrionárias, aprovada na Califórnia. Onze estados pronunciaram-se esta terça-feira sobre o casamento entre homossexuais. Os primeiros resultados mostram que nos estados de Oklahoma (sudoeste), Geórgia (sul), Kentucky (sul) e Ohio (norte) foram aprovadas emendas constitucionais que definem o casamento exclusivamente como uma união entre um homem e uma mulher.

Ainda devem ser conhecidos os resultados de consultas similares em Michigan (norte), Oregon (oeste), Montana (oeste), Utah (oeste), Dakota do Norte (norte), Arkansas (sul) e Mississippi (sul). Segundo as pesquisas, as reformas constitucionais contrárias ao casamento gay têm amplo apoio e devem ser aprovadas em todos os estados em que foram submetidas à votação. No Estado do Missouri (oeste) foi aprovada por ampla maioria, em agosto, uma proibição constitucional para casamentos entre homossexuais.

"Nós perdemos uma batalha, mas começamos a vencer uma guerra", comentou David Buckel, da associação Lambda legal, que defende os interesses da comunidade gay e é absolutamente contra tais emendas. "A maioria desses estados já inscreveu a discriminação em suas leis e agora mais ainda, ele a gravaram em sua Constituição", lamentou.

Esta foi a primeira vez na história do país que milhões de americanos se pronunciaram sobre um tema que despertou polêmica durante toda a campanha eleitoral e dividiu a nação. Até agora, Massachusetts (nordeste) foi o único estado do país a autorizar o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Principal porta de entrada de imigrantes latinos ilegais, o estado do Arizona (oeste) votou nesta terça-feira a favor de uma severa lei antiimigração. O Estado -com dez grandes eleitores- está com o presidente George W. Bush.

A Proposta 200, ou "Protect Arizona Now" foi aprovada por ampla margem de votos, informou o jornal Daily Star do Arizona. De acordo com a lei, os funcionários públicos serão obrigados a denunciar os imigrantes em situação clandestina às autoridades federais. Caso não o façam, podem ser presos.

O objetivo desta iniciativa é evitar a entrada de novos imigrantes ilegais, principalmente os que ingressam no país pela fronteira americana com o México. Por ano, cerca de 600.000 pessoas são detidas tentando cruzar a fronteira do Estado.

Segundo a medida, todos os moradores do Arizona terão de se identificar para ter acesso aos serviços públicos, como saúde, educação, auxílio da Defesa Civil ou até a polícia.

O projeto é comparado à Proposta 187 na Califórnia, que pretendia negar serviços aos imigrantes. A iniciativa foi aprovada, mas depois revertida nas cortes federais.

De acordo com as autoridades, desde 1995, mais de 3.500 imigrantes morreram ao cruzar ilegalmente a fronteira. Apenas no Arizona, 221 morreram em 2003 tentando entrar no território americano. No progressista estado da Califórnia, onde 16 propostas foram submetidas a referendo, os eleitores votaram a favor de um investimento de cerca de três bilhões de dólares na pesquisa de células-tronco embrionárias, o que significa um duro golpe na política do presidente George W. Bush para o setor.

De acordo com a CNN, a Proposta 71, que autoriza o investimento de quase 3 bilhões de dólares por um período de dez anos na pesquisa de células-tronco, passou com 69% dos votos, contra 31%.

Defensores desta medida acreditam que a decisão ajudará a encontrar mais rápido a cura para doenças como câncer, Aids, Mal de Parkison ou de Alzheimer. Além disso, insistem, transformará a Califórnia, que hoje já lidera a indústria biotecnológica, em centro de referência mundial para a pesquisa de células-tronco.

Em 2001, Bush enterrou as esperanças de novas verbas públicas para o setor, alegando a morte de embriões humanos durante o processo.

A medida tem o apoio de cientistas famosos e estrelas de Hollywood, como os atores Brad Pitt, Christopher Reeve (que faleceu recentemente e deixou uma mensagem póstuma em defesa do tema) e Michael J. Fox.

Contrariando as orientações de seu partido, o governador republicano, Arnold Schwarzenegger, se posicionou pelo "sim" neste plebiscito, mesma posição adotada pelo adversário de Bush na corrida presidencial, o democrata John Kerry.

Para seus opositores, incluindo cientistas renomados, além da destruição dos embriões, a Proposta 71 é um desperdício de dinheiro, com o qual a Califórnia, estado em grave crise fiscal, não pode arcar.

Além disso, os californianos vetaram a construção do maior cassino do país e aprovaram também a criação de um banco de DNA de todos os suspeitos de terem cometido crimes. Já no estado do Colorado, a população vetou a proposta que pretendia dividir seus nove delegados no Colégio Eleitoral (chamados também de 'grandes eleitores') de forma proporcional ao voto popular, que nestas eleições forma conquistados por Bush. No isolado Alasca, por exemplo, os moradores foram às urnas para decidir se querem, ou não, ser o primeiro estado americano a descriminalizar a posse, venda ou cultivo da maconha para pessoas maiores de 21 anos, enquanto em Oregon foi rejeitada a iniciativa de legalizar a maconha para fins terapêuticos. O estado que mais comemorou uma decisão nestas eleições foi a Carolina do Sul, onde foi revogada uma lei que obrigava aos bares a vender álcool em garrafas pequenas.

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