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03/11/2004 - 07h04

Disputa em Ohio revive o fantasma de 2000 na eleição dos EUA

Por Laura Bonilla =(FOTOS E INFOGRAFIA)= WASHINGTON, 3 nov (AFP) - A apuração da eleição americana parece seguir rumo a um novo caos, como o registrado em 2000, depois que a oposição demócrata se negou a reconhecer a derrota no estratégico estado de Ohio, anunciada por algumas emissoras de televisão.

O presidente George W. Bush mantém uma leve vantagem de 249 a 242 delegados no Colégio Eleitoral na corrida para a Casa Branca, depois de derrotar o democrata John Kerry na Flórida.

A campanha de Kerry se negou a admitir a derrota em Ohio, o que teria concedido a Bush 20 delegados adicionais e o teria deixado a apenas um de de conseguir um segundo mandato de quatro anos.

"Lutaremos por cada voto", disse John Edwards, candidato à vice-presidente na chapa de Kerry, ao fazer um breve pronunciamento diante de centenas de jornalistas. "John Kerry e eu prometemos ao povo que nesta eleição cada voto teria valor e seria contabilizado. Esta noite mantemos nossa palavra e lutaremos por cada voto. É o mínimo que vocês merecem", disse Edwards em meio aos aplausos e gritos dos militantes democratas.

"A noite tem sido longa, mas esperamos quatro anos e podemos esperar uma noite a mais", disse o candidato à vice-presidência.

No entanto, a Casa Branca afirmou que Kerry está mantendo falsas ilusões ao não reconhecer a sua derrota em Ohio.

A diretora de comunicação da campanha republicana, Nicolle Devenish, criticou os democratas. "A tentativa é desesperada e será prejudicial a longo prazo para seu partido, depois de uma campanha longa e difícil. O presidente Bush foi reeleito esta noite, incluindo Ohio nos estados vencidos".

Os dois senadores republicanos de Ohio, Mike DeWine e George Voinovich, também pediram ao senador Kerry que reconheça sua derrota.

As redes de televisão Fox e NBC apontaram, durante a madrugada, Bush como o vencedor em Ohio. Outros dois grandes canais, ABC e CBS, não divulgaram um veredicto imediato, enquanto a CNN preferiu não arriscar uma previsão.

Em Ohio, Bush tinha uma vantagem de 100.000 votos. "A contagem de votos em Ohio não terminou. Há mais de 250.000 votos que ainda devem ser apurados. Acreditamos que quando estiverem contados, John Kerry ganhará Ohio", declarou Mary Beth Cahill, chefe da campanha democrata.

O secretário de Estado de Ohio, Ken Blackwell, disse que a apuração total dos votos pode demorar até 11 dias. "Digo a todos que respirem fundo e relaxem. Não podemos prever como serão os resultados", disse à CNN.

Até o momento, todos os estados, exceto New Hampshire, em que os democratas triunfaron desta vez mantêm as mesmas preferências das eleições de 2000, na qual a Suprema Corte americana decidiu por uma polêmica vitória de Bush por uma vantagem ínfima de 537 votos, depois de 36 dias de angústia, que paralisou o sistema eleitoral americano.

Ainda não se conhece o resultado em cinco estados: Ohio, Nevada, Novo México, Iowa e Wisconsin.

Cercado por sua família, Bush disse estar "muito otimista" depois de ficar a par das primeiras projeções e previu que derrotaria Kerry. "Acredito que vencerei", afirmou o presidente, que votou em Crawford, Texas, fez uma escala eleitoral em Columbus, Ohio, e seguiu para a Casa Branca.

"Espero que não existam discussões. Espero que os Estados Unidos votem de acordo com a lei hoje. Isso é o que quero. Acredito que isso é o que o presidente (Bush) quer", disse mais cedo Kerry, que está em Boston (Massachusetts) e venceu no estado-chave da Pensilvânia, segundo as redes de televisão.

A primeira eleição desde os ataques de 11 de setembro de 2001 e as guerras no Afeganistão e Iraque, tema central da campanha ao lado da segurança nacional, atraiu quase 120 milhões de eleitores (sobre um total de 193 milhões de pessoas com idade para votar), muito mais do que no ano 2000, quando 51,3% dos cidadãos (105,6 milhões) compareceram às urnas.

O Partido Republicano também conseguiu manter a maioria no Senado e na Câmara dos Representantes, segundo as projeções.

Além das eleições legislativas, nas quais os democratas Barack Obama (Illinois) e Ken Salazar (Colorado) se tornaram o único negro e o único latino no Senado, respectivamente, muitos estados celebraram referendos simultâneos sobre vários temas.

A eleição polarizada, que pela primeira vez em 32 amos foi celebrada em um país em guerra, evidencia dois candidatos e dois modelos de país completamente diferentes.

Bush, de 58 anos, filho do ex-presidente George Bush, é um cristão fervoroso que enfatiza sua determinação de invadir o Iraque sem o apoio da ONU para proteger o país dos terroristas.

Kerry, um ex-veterano do Vietnã de 60 anos, destaca a necessidade de reconstruir as alianças tradicionais e de contar com um consenso internacional para lutar contra o terrorismo.

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