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10/11/2005 - 17h30

Gripe das aves se espalha pela China, enquanto especialistas preparam plano

Por Robert J. Saiget= (FOTOS) = PEQUIM, 10 Nov (AFP) - A China registrou, nesta quinta-feira, mais três focos de gripe aviária, um dia depois de especialistas sanitários reunidos em Genebra esboçarem um plano agressivo para combater o vírus e preparar a luta contra uma pandemia humana.

Na Indonésia, o ministério da Saúde informou que testes iniciais realizados em um adolescente que morreu esta semana sugerem que ele tinha a cepa H5N1 do vírus, mas testes adicionais são necessários para confirmar se esta é a sexta morte causada pela gripe aviária.

O vírus, que se espalhou pela Europa procedente do extremo Oriente, também foi registrado pela primeira vez no Golfo nesta quinta-feira, depois que um oficial kuwaitano anunciou a descoberta de dois pássaros infectados com a doença.

O xeque Fahd Salem al-Sabah, diretor da Autoridade de Agricultura Pública, informou que os dois casos foram descobertos na semana passada: uma no Aeroporto do Kuwait, em um carregamento de aves importadas, e outro em um chalé costeiro.

Na Itália, as autoridades anunciaram, também nesta quinta-feira, ter identificado o vírus H5N1 em um pato selvagem na região de Pádua (norte), embora tenham informado que se trata de uma forma do vírus "escassamente patogênica", sem relação com a asiática, e que por este motivo a Itália não corre risco algum.

"As análises demonstraram claramente que se trata de um vírus pouco patogênico, que não tem qualquer vínculo com o vírus identificado na Ásia, mas que ao contrário, é similar do ponto de vista genético aos que estão normalmente presentes nas aves selvagens aquáticas européias e, portanto, não tem conseqüências para a saúde pública", destacou um comunicado do ministério da Saúde italiano.

Esta semana, o Vietnã, país mais afetado pela doença, confirmou sua 42ª morte humana causada pelo vírus desde 2003, aumentando a pressão sobre os governos mundiais para o combate da gripe aviária, que especialistas temem possa sofrer uma mutação e se tornar facilmente transmissível entre seres humanos.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou que planeja começar a fazer testes neste fim de semana para determinar se o H5N1 saltou para seres humanos na China, onde sete focos em aves de criação foram registrados em menos de um mês.

Embora nenhum caso humano tenha sido detectado até agora na China, a OMS está investigando se três pessoas, uma das quais faleceu, pegaram a doença na província central de Hunan, no mês passado.

A China registrou nesta quinta-feira seu terceiro foco de gripe aviária em 24 horas na província de Liaoning (nordeste), onde o governo alertou nesta semana que a disseminação do vírus poderia causar um "desastre".

O Ministério da Agricultura informou que 300 galinhas morreram no último foco, descoberto em 6 de novembro e que teve confirmada nesta quinta-feira a presença do temido H5N1.

Dois milhões e meio de galinhas foram sacrificadas na área epidemiológica.

Em resposta aos novos casos, a China informou que mais de 3.600 pessoas que tiveram contato próximo com aves doentes estão sendo monitoradas e serão colocadas em isolamento se apresentarem sintomas, informou a mídia estatal.

Especialistas sanitários reunidos em Genebra na quarta-feira anunciaram as linhas gerais de uma estratégia global para evitar uma pandemia que alguns especialistas temem que possa matar dezenas de milhões de pessoas em todo o mundo.

"O mundo reconhece que este é um enorme desafio para a saúde pública", disse o diretor-geral da OMS, Lee Jong-wook, ao final do encontro de 400 representantes de governos e de agências da ONU, bem como doadores e especialistas em saúde humana e animal. "Quando um vírus pandêmico surgir, será tarde demais", alertou.

A conferência de três dias estabeleceu a construção de sistemas de alerta para a identificação precoce de focos de gripe aviária entre aves e humanos, a estocagem de medicamentos e o estímulo a pesquisas de vacinas, sustentados por uma maior cooperação em todos os níveis.

Nos Estados Unidos, senadores republicanos e democratas acusaram o presidente americano, George W. Bush, de demorar a reagir a uma pandemia em potencial e de fracassar em indicar um coordenador nacional para lidar com a ameaça.

"O presidente precisa deixar claro que está a cargo dos esforços de prontidão e dar a esta pessoa seu apoio verbal e sustentado", disse Richard Lugar, líder republicado do Comitê de Relações Exteriores do Senado.

Oficiais sanitários temem que quanto mais o vírus H5N1 se espalhar, maiores sejam as chances de que ele venha a sofrer uma mutação, absorvendo genes de cepas de gripe comum, o que poderia causar uma pandemia global.

Para se preparar para uma pandemia humana, vários países entre os quais Austrália, Grã-Bretanha e Estados Unidos estocaram o medicamento antiviral Tamiflu, considerado o tratamento mais eficaz em humanos.

Embora não seja uma vacina, o Tamiflu ajuda a limitar os sintomas e reduzir as chances de a doença se espalhar.

Países asiáticos têm pressionado para produzir o Tamiflu por conta própria e a fabricante suíça Roche declarou na quarta-feira que está pronta para negociar com empresas do Vietnã sobre a possibilidade de que o medicamento seja produzido no país.

Na China, autoridades sanitárias afirmaram que poderão ignorar leis de patente para produzir a droga internamente. Tailândia e Taiwan também informaram que planejam produzir genéricos do medicamento.

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