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14/11/2005 - 17h19

Iaunde recebe o maior congresso mundial sobre a malária

Por David Ndachi Tagne IAUNDÊ, 14 nov (AFP) - O maior encontro mundial já organizado sobre a malária começou nesta segunda-feira em Iaunde com a presença de 1.500 pesquisadores, autoridades e especialistas, que analisarão a luta contra a doença, principal causa de mortalidade de crianças na África.

Até o dia 19 de novembro, os especialistas reunidos na capital de Camarões deverão debater sob todos os aspectos a luta contra o plasmodium - parasita vetor da doença, transmitida pela picada da fêmea do mosquito "anopheles" - da prevenção ao controle, da pesquisa fundamental, principalmente em matéria de vacinas, à realização de programas.

Uma atenção particular será dada a um aspecto dos mais preocupantes da doença, a resistência cada vez maior dos transmissores aos inseticidas e aos medicamentos anti-malária.

Na quarta-feira deverá ser apresentado um estudo de cientistas camaroneses revelando uma "resistência muito variada aos inseticidas", o que tem sido "uma tendência em toda a África, que pode limitar os esforços feitos no tratamento, com a ajuda dos mosquiteiros de cama e da vaporização das casas".

Os participantes desta 4a Conferência Pan-africana de Iniciativa Multilateral contra a Malária (MIM) analisarão também as últimas descobertas dos cientistas africanos e ocidentais.

Projetos de vacina deverão ser apresentados, da mesma forma que tratamentos à base de novas combinações de medicamentos.

A África subsaariana é a região do mundo mais atingida por esta doença, com cerca de 90% do milhão mortes registradas a cada ano devido ao parasita, de acordo com dados da Organzação Mundial da Saúde (OMS).

A malária é responsável por 10% das mortes no continente. É a primeira causa de mortalidade entre as crianças africanas com menos de 5 anos. Uma criança morre a cada 30 segundos, vítima desta doença na África, de acordo com a OMS.

"É inexplicável que esta doença tire a vida de milhares de crianças e adultos, enquanto que o tratamento que poderia salvar uma vida custa menos de um dólar", declarou um representante dos arrecadadores de fundos em Iaunde.

Em seu discurso de abertura, o primeiro-ministro de Camarões, Ephraim Inoni, expressou o desejo da África de "assumir seu papel na luta contra esta doença", principalmente por meio "da exploração do patrimônio terapêutico africano".

Em Camarões, dois milhões de pessoas são infectadas a cada ano pelo parasita que é o motivo de cerca de 50% das consultas médicas, de 23% das internações hospitalares, 40% das despesas anuais de saúde e 35% da mortalidade entre as crianças com menos de 5 anos, lembrou nesta segunda-feira na abertura dos trabalhos o ministro camaronês da Saúde, Urbain Olanguena Awono.

A 4a Conferência da MIM será seguida na capital camaronesa, nos dias 18 e 19 de novembro, do 5o Fórum do encontro "Recuar a Malária" (Rollback Malaria).

A MIM, criada em Dakar no ano de 1997, é definida como uma aliança internacional de organismos e indivíduos que procuram maximizar o impacto da pesquisa científica a respeito da malária na África.

A "Recuar a Malária", criada em 1998 pela OMS, a Unicef, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) e o Banco Mundial, reúne os governos de países afetados pela doença, arrecadadores de fundos, ONGs, institutos de pesquisas e universidades.

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