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17/11/2005 - 17h59

FDA investiga mortes de menores japoneses que tomaram Tamiflu

WASHINGTON, 17 Nov (AFP) - Uma investigação da FDA, agência americana que controla alimentos e medicamentos nos Estados Unidos, informou a morte de 12 menores japoneses que tomaram o remédio Tamiflu, segundo um relatório divulgado nesta quinta-feira no site da agência na internet.

O documento, elaborado entre março de 2004 e abril de 2005, busca estabelecer os efeitos do medicamento antiviral da gigante farmacêutica suíça Roche em menores de 16 anos.

"Durante este período de 13 meses foi registrada a morte de 8 crianças. Depois foram identificadas outras quatro mortes em outras investigações, o que eleva o total para 12", destacou o documento, que deve ser apresentado à comissão de pediatria da FDA. "Todos estes óbitos foram constatados em crianças no Japão. Os detalhes são muito variáveis e determinar a contribuição do Tamiflu nas mortes é difícil", destacou o relatório.

A FDA solicitou mais informações da Roche, sua unidade japonesa e autoridades japonesas, depois do suicídio de dois adolescentes japoneses, supostamente relacionados com a ingestão de Tamiflu.

Embora a imprensa japonesa tenha publicado matérias em que cita funcionários de saúde japoneses que atribuíram a fortes efeitos colaterais do Tamiflu a razão por trás do suicídio dos jovens, o laboratório informou não haver indícios de vínculo entre as mortes e o medicamento, informando que até agora mais de 30 milhões de pessoas em todo o mundo tomaram o remédio sem apresentar qualquer problema.

"A Roche não acredita haver um vínculo entre o Tamiflu e estas mortes e nós estamos confiantes de que o Tamiflu pode ser usado com segurança tanto por crianças quanto por adultos", declarou à AFP Al Wasiewski, porta-voz da Roche nos Estados Unidos.

Representantes do laboratório foram chamados a apresentar o caso em uma audiência, na sexta-feira, perante o painel pediátrico da FDA para determinar se o Tamiflu pode ter desempenhado um papel nestas mortes, bem como em 32 casos de problemas mentais e emocionais registrados no Japão, mas o porta-voz do laboratório considerou o painel "um comitê de rotina que investiga dados pediátricos sobre o Tamiflu".

Em um relatório submetido ao comitê da FDA, a Roche reforçou não haver "relação causal" entre o Tamiflu e qualquer uma das mortes registradas ou desordens neuro-psiquiátricas no Japão.

"Não há aumento de efeitos adversos para crianças que ingerem Tamiflu em relação às crianças com gripe em geral. A maioria dos casos ocorreu no contexto de condições co-mórbidas e de febre alta provocada pela gripe", destacou o documento.

O Tamiflu, produzido pelo laboratório suíço Roche, é um dos dois antivirais que poderiam ser eficazes no caso de uma pandemia humana de gripe de origem aviária. Não cura a doença, mas atenua seus sintomas.

A Roche aumentou a produção do medicamento devido à preocupação diante da ameaça de uma pandemia global de gripe provocada pela variante aviária.

O Japão responde por mais de 60% das compras do medicamento no mundo, enquanto o governo japonês vem encorajando setores públicos e privados a estocar o remédio para o caso de uma pandemia de gripe aviária.

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