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17/11/2005 - 16h57

Medo invade a China com o aparecimento de casos humanos de gripe das aves

Por Philippe Massonnet=(FOTOS + INFOGRAFIA)= PEQUIM, 17 Nov (AFP) - O medo de contrair gripe aviária tomava conta da população chinesa nesta quinta-feira, depois do anúncio da primeira morte de uma pessoa com esta doença no país, onde já foram detectados 13 focos do vírus H5N1 em menos de um mês.

A China anunciou nesta quinta-feira a descoberta de dois novos focos da gripe aviária, um na província de Hubei (centro) e outro na região de Xinjiang (noroeste), anunciou a imprensa estatal.

Na província de Hubei, a gripe das aves foi confirmada em granjas situadas perto da cidade de Xiagon, onde morreram 662 aves, anunciou a agência Nova China, citando o ministério da Agricultura.

Em Xinjiang foi confirmado outro foco perto da cidade de Hetian, onde 32 aves morreram, segundo a mesma fonte.

Estes dois novos focos se somam aos 11 já registrados.

Há quatro semanas, a imprensa chinesa publica na capa a cada dois dias a descoberta de um novo foco.

Na quinta-feira, os chineses acordaram com uma notícia que temiam há tempos: a morte com gripe aviária de uma jovem chinesa.

Zhu Maoya, uma criadora de aves de 24 anos moradora de Anhui, ficou doente em 1º de novembro e morreu 10 dias depois.

Um menino de 9 anos também contraiu o vírus em Hunan e sua irmã, de 12, falecida em outubro, pode ter morrido vítima desta variante da gripe que já matou mais de 60 pessoas na Ásia desde o fim de 2003.

As duas crianças, que viviam no mesmo povoado, comeram frango antes de apresentarem os primeiros sintomas.

Passados poucos mais de dois anos desde que o governo conseguiu sufocar a Síndrome Respiratória Aguda Grave (Sars), os chineses recebem com temor estas notícias, dada a precariedade sanitária do meio rural e da propensão das autoridades a esconder a verdade, embora pareça que desta vez agiram com transparência desde o início.

"Temos a prova de que também na China o vírus pode ser transmitido para o ser humano (...), é urgente acelerar o trabalho de prevenção", advertiu Zeng Guang, especialista do Centro Nacional de Prevenção e Controle de Doenças (CDC), em entrevista concedida ao Jornal do Povo.

A Organização Mundial da Saúde (OMS), que colabora com as autoridades chinesas, tentou tranqüilizar a população na quinta-feira, insistindo em que estes primeiros casos humanos não sentenciam uma epidemia.

"Enquanto houver focos, haverá pessoas expostas. Podemos ter outros humanos contaminados", declarou o representante da OMS no país, Henk Bekedam.

"Por outro lado, deve-se lembrar que o vírus não se transmite facilmente para os humanos. Portanto, não temos um número elevado de casos" na China, acrescentou.

Segundo a OMS, um dos principais problemas que enfrentam as autoridades chinesas, cujo "compromisso é impressionante", é a grande quantidade de criações avícolas, na maioria de pequeno porte, que dificultam o controle e a prevenção.

O governo chinês anunciou recentemente a implantação de um plano para vacinar bilhões de aves de criação.

Além disso, as autoridades sanitárias estão elaborando mais de 100 milhões de doses de vacinas, mas segundo o Ministério da Agricultura, algumas regiões ainda não foram abastecidas.

A China, que cria anualmente 14 bilhões de aves de criação, possui atualmente cerca de 5,2 bilhões de aves vivas.

Além das vacinas, segundo a Nova China, o gigante asiático está estudando a eficácia da medicina tradicional para evitar contágios em humanos.

O Instituto de Medicina Tradicional (estatal) criou um grupo de trabalho para supervisionar e coordenar a investigação, acrescentou a fonte.

Por outro lado, a OMS confirmou mais duas mortes por gripe aviária na Indonésia, aumentando para sete o número total de mortos no país com a doença.

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