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29/11/2005 - 15h52

San Francisco lidera luta contra a Aids nos Estados Unidos

Por Glenn Chapman SAN FRANCISCO, EUA, 29 Nov (AFP) - San Francisco é a única cidade dos Estados Unidos onde diminuiu o número de novos casos de Aids, o que pressupõe uma redução de relações sexuais de risco, especialmente sob o efeito de drogas.

"San Francisco e (o estado da) Califórnia estavam no topo da epidemia, razão pela qual agora o fato de ter bons resultados na redução de casos de Aids é uma boa coisa", disse à AFP Steven Tierney, diretor do programa de prevenção da Aids em San Francisco.

"Penso que isto dá esperança aos doentes", acrescentou.

As estatísticas indicam que este ano foi registrada menos da metade de novos casos entre homossexuais de San Francisco em relação a 2004, informou Jason Riggs, da organização local Stop Aids Project.

Na comunidade homossexual da cidade californiana, o número de pessoas contaminadas pelo vírus da Aids passou de uma em três para uma em quatro pela primeira vez desde o início da pandemia.

"Somos a única cidade dos Estados Unidos onde se vê uma tendência à queda" no número de casos, disse Riggs, enquanto a comunidade internacional se prepara para celebrar o Dia Mundial de Combate à Aids, em 1º de dezembro.

Os novos casos de sífilis, um indício de relações sexuais sem proteção, também caíram 27% na comunidade homossexual, acrescentou Riggs.

Os especialistas em prevenção avaliaram que um dos fatores-chave desta queda é a redução do consumo de metanfetamina, freqüentemente usada como afrodisíaco. "Passamos de uma situação na qual éramos a cidade americana com maior consumo de cristais de metanfetamina entre homossexuais e bissexuais a de equilíbrio em relação a Chicago e Los Angeles", revelou Riggs, reconhecendo que embora não estejam "totalmente fora de perigo", a tendência é positiva.

De acordo com a Stop Aids, estatísticas comprovam que os homossexuais de San Francisco que consumiam metanfetaminas para se desinibir tinham quatro vezes mais chances de se infectar com o vírus da Aids do que aqueles que não se drogavam.

"Imagine nunca ter sido capaz de ter relações sexuais sem sentir vergonha ou culpa e que encontra uma poção mágica que dá uma sensação de liberdade total. Trata-se disso", explicou Riggs sobre os efeitos da metanfetamina.

"O problema - acrescentou - é que esta poção mágica vicia mais que o crack e a heroína, e destrói os centros de prazer do cérebro. É mais rápida e econômica que uma terapia, mas muito mais destrutiva", afirmou.

Segundo especialistas, a metanfetamina, usada por homossexuais há 40 anos, está saindo da moda por causa da destruição que provoca.

A municipalidade de San Francisco deu apoio financeiro e político aos programas educativos e médicos destinados a promover a prática do sexo "seguro", e a convencer os usuários de metanfetaminas e outras drogas que para não partilharem seringas.

"Não acho que estes bons resultados se devam ao acaso", disse Steven Tierney. "Acho que trabalhamos muito com a comunidade (homossexual) para conseguir com que as pessoas tomem consciência de sua responsabilidade", acrescentou.

Para o doutor Eric Goosby, encarregado da fundação Pangea Global Aids, a luta pela prática de sexo seguro "está longe de ser ganha definitivamente". No entanto, em San Francisco, "a convergência entre o tratamento e a prevenção revelou-se uma estratégia eficaz".

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