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01/12/2005 - 16h15

Aids afeta 40 milhões de pessoas e matou mais de três milhões em 2005

Por Loic Vennin=(FOTO)= HONG KONG, 1º Dez (AFP) - Pelo menos 40 milhões de infectados pelo vírus da Aids e mais de três milhões de mortos em 2005 obscurecem o Dia Mundial de Combate a esta doença, durante o qual voltou a se exigir, através de atos simbólicos, o cumprimento das promessas.

Nesta quinta-feira a Índia realizou uma "marcha pela vida", ao mesmo tempo em que a China optou por calar e reprimir os soropositivos.

Desde que foi diagnosticada, esta terrível epidemia matou mais de 25 milhões de pessoas no mundo, das quais mais de três milhões faleceram este ano. Por isso, a mensagem do Dia Mundial de Luta contra a Aids, "Stop Aids-Cumprir as promessas", reverbera sem chegar à toda a sociedade.

Nos países em desenvolvimento, a imensa maioria dos enfermos que precisa urgentemente de tratamento contra a doença continua sem acesso aos medicamentos. As estatísticas são estarrecedoras: no melhor dos casos, uma pessoa em cada dez na África e uma em cada sete na Ásia recebem anti-retrovirais.

Diante da grave situação, os países devem apresentar uma resposta "excepcional", disse na Indonésia Peter Piot, diretor do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre o HIV/Aids (Unaids).

Piot considera que existem duas opções: "aceitar que os esforços mundiais são incapazes de seguir o ritmo do aumento de infecções e mortes (...) ou reconhecer a ameaça mundial excepcional e dar uma resposta igualmente excepcional".

A presença de Piot neste arquipélago de 220 milhões de habitantes não é casual e se deve ao fato de o país estar à beira da epidemia.

A Indonésia calcula que entre 90.000 e 130.000 pessoas são soropositivas, mas outras estatísticas apontam que pelo menos metade dos aproximadamente 600.

000 viciados em drogas injetáveis estão infectados. Além disso, o índice de contágio das prostitutas e de seus clientes se situa "a um nível alarmante e continua subindo", adverte a Unaids.

Os casos também estão em forte alta na Malásia, que segundo as autoridades terá 300.000 soropositivos em 2015, contra os 65.000 atuais.

Consciente da escassez de meios, a Austrália ofereceu uma ajuda de 7,4 milhões de dólares à Índia para os grupos mais expostos a contrair o vírus, como as crianças, as pessoas que exercem a prostituição ou os viciados em drogas.

A Índia possui 5,1 milhões de soropositivos, o que transforma este país no segundo mais afetado no planeta, atrás apenas da África do Sul.

Trinta soropositivos chegaram nesta quinta-feira a Nova Délhi para encerrar uma "marcha pela vida", depois de terem percorrido 6.800 km durante um ano para sensibilizar os cidadãos.

Na China, a esperança foi eclipsada pela repressão. Pelo menos dois soropositivos que haviam viajado a Pequim para fazer um pedido às autoridades foram enviados de volta a suas casas à força, segundo os familiares.

Os dois enfermos integravam um grupo de soropositivos contagiados por transfusões de sangue que desejavam participar em uma conferência organizada por uma ONG para pedir auxílio econômico às autoridades.

Em todo o mundo se multiplicaram os gestos simbólicos e os atos de protesto, em meio a uma grande cobertura da mídia,

O laço vermelho se destacou na paisagem urbana das grandes cidades nesta quinta-feira, fosse preso em lapelas, nos meios de transporte público, nas fachadas de edifícios oficiais, e também nos jornais e sites na internet.

Na Europa, de Berlim a Paris, passando por países do leste e da bacia mediterrânea, o lanço foi o grande protagonista.

Na capital francesa, militantes da entidade Act-Up ocuparam as instalações do Instituto Nacional de Prevenção e Educação para a Saúde em protesto pelo "próximo fechamento de vários centros de detecção".

A Unesco e a associação francesa Desenha a Esperança lançaram o projeto "Artists for life", que reúne 30 estilistas contemporâneos, cujas obras, concebidas em torno do conceito "Te amo, Positivo ou Negativo", participarão de uma exposição itinerante que correrá o mundo.

Distribuição de preservativos, exames de detecção do vírus, debates e atos de sensibilização cidadã também marcaram este dia, como na cidade tcheca de Pilsen (oeste), onde uma equipe médica distribuiu folhetos explicativos.

Na Itália, a associação Alfaomega pôs em andamento uma campanha publicitária que mostra um corpo feminino nu, cujas curvas formam uma cruz negra, "símbolo dos milhões de mortos" da Aids.

E não faltaram iniciativas que despertaram perplexidade, como uma na Rússia sobre a organização de um concurso de beleza para mulheres soropositivas.

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