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05/12/2005 - 17h55

Montreal: EUA em posição de força em conferência sobre Mudanças Climáticas

Por Odile Meuvret MONTREAL, Canadá, 5 dez (AFP) - Os Estados Unidos terão muito a ver com o sucesso ou o fracasso da conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas, que inaugurou nesta segunda-feira a segunda semana de debates em Montreal, segundo fontes diplomáticas.

Na noite de terça-feira, uma centena de ministros do Meio Ambiente do planeta tentará desbloquear os temas mais políticos das negociações, em primeiro lugar o "Pós-2012".

A expressão se refere a que acompanhamento eventual se dará ao Protocolo de Kyoto, que impõe aos países industrializados reduções das emissões de dióxido de carbono (CO2) e outros gases causadores de efeito estufa antes de 2012, em vista da aceleração do aquecimento do planeta indicada nos últimos estudos científicos.

Os Estados Unidos, que se negaram a assinar o protocolo, tampouco querem ouvir falar de um "Pós-2012".

Os europeus querem que Montreal abra o caminho para discussões preliminares sobre o tema nos próximos meses, mas consideram indispensável que os Estados Unidos participem de qualquer novo compromisso futuro de limitação dos gases causadores de efeito estufa e que os grandes emissores dos países emergentes, como Brasil, Índia e China, estejam envolvidos, embora de forma menos exigente.

Estes países foram considerados em desenvolvimento quando o acordo de Kyoto foi protocolado, em 1997.

O essencial é que estas discussões preliminares sejam lançadas formalmente em Montreal. Que se decida ter um grupo de trabalho ou âmbito jurídico mais informal "importa pouco", disse neste domingo à AFP o chefe da delegação da Comissão Européia, Artur Runge-Metzger.

Presidida pelo ministro canadense do Meio Ambiente, Stéphane Dion, a Conferência de Montreal é a primeira desde que o protocolo de Kyoto entrou em vigor, em fevereiro passado. Trata-se, ainda, da primeira reunião de acompanhamento do protocolo (MOP1) e da 11ª (COP-11) de seguimento da Convenção sobre Mudanças Climáticas da ONU, acordo-marco alcançado em 1992.

O "Pós-2012" é discutido obrigatoriamente nas reuniões MOP1, já que um artigo do protocolo chama as partes (34 países industrializados e 123 em desenvolvimento) a estudar, a partir de 2005, sua eventual prorrogação.

Mas Dion avalia que esta questão explosiva deve ser abordada também sob o acompanhamento da Convenção para envolver os Estados Unidos, que não ratificaram este acordo, mas são observadores da MOP1.

Algo que não interessa em nada aos Estados Unidos. "Não há nada para negociar sob a Convenção, deve-se seguir aplicando os compromissos existentes por este tratado, qualquer discussão sobre ações envenenará a atmosfera das conversações na MOP1", sustentou o chefe da delegação americana, Harlan Watson, segundo relatórios europeus sobre sua intervenção.

"Começar estas discussões sob a Convenção não levará a lugar algum", ratificou Watson à AFP.

Os Estados Unidos rejeitaram assinar o acordo de Kyoto, que pedia uma redução de 6% em suas emissões com relação aos níveis de 1990, alegando que as reduções eram mais rigorosas com os países desenvolvidos do que com as nações em desenvolvimento.

A posição dos Estados Unidos - que com 5% da população mundial emitem 25% do total de gases causadores de efeito estufa do mundo - é acompanhada por Arábia Saudita e Índia, enquanto Brasil e China parecem mais abertos, sob certas condições, a discutir o "Pós-2012".

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