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06/12/2005 - 18h09

Negociações sobre a era "pós-Kyoto" bloqueadas em Montreal

Por Odile Meuvret MONTREAL, Canadá, 6 dez (AFP) - As negociações que acontecem há pouco mais de uma semana em Montreal sobre o futuro da luta contra as mudanças climáticas estavam completamente bloqueadas nesta terça-feira, poucas horas antes da chegada de uma centena de ministros do Meio Ambiente de todo o mundo.

Segundo fontes diplomáticas, o titular canadense da pasta, Stéphane Dion, que preside a Conferência de Montreal, convocou para a manhã desta terça-feira uma reunião com representantes de 30 países para tentar superar o impasse.

Os três principais negociadores (União Européia, Estados Unidos e G-77, que reúne os países em desenvolvimento e os grandes países emergentes) estão representados na conferência.

Mais de uma centena de ministros são esperados em Montreal para participar, na quarta-feira, da abertura da sessão ministerial da Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas, que começou no dia 28 de novembro e terminará na sexta-feira.

O futuro da luta internacional contra o efeito estufa será discutido em dois setores da conferência de Montreal, numa reunião para discutir a Convenção sobre as Mudanças Climáticas da ONU (1992) e na primeira reunião para dar continuidade ao Protocolo de Kyoto (1997), que entrou em vigor em fevereiro e se tornou operacional desde a semana passada, depois de a Conferência de Montreal ter aprovado suas modalidades de funcionamento.

Trata-se de saber se os compromissos gerais do primeiro acordo climático da ONU e os compromissos específicos de redução dos gases de efeito estufa impostos aos países industrializados por Kyoto até 2012 devem ser retomados, tornados mais rígidos ou estendidos para alguns países emergentes depois dessa data, devido à aceleração da mudança climática.

Uma disposição de Kyoto pede que os países industrializados estudem a partir de 2005 novos compromissos para depois de 2012.

Em Montreal, foi iniciada uma negociação sobre este aspecto, mas a questão não avançou, indicaram as fontes.

Os Estados Unidos, que se negaram a assinar o protocolo de Kyoto, participam como observadores dessas reuniões, enquanto que o G-77, dirigido por uma delegada filipina considerada especialmente rígida, sustenta que a discussão de novos compromissos pós-Kyoto deve apontar unicamente para os países industrializados.

Apoiado pelos europeus e pelo Japão, Dion sustenta que se deve buscar uma "cooperação o mais ampla possível" para a luta contra o efeito estufa depois de 2012.

Dion organizou uma negociação paralela sobre "a ação futura" no marco da Convenção da ONU, de maneira de envolver os Estados Unidos neste compromisso, além dos grandes países emergentes como Brasil, China e Índia.

Estes pesos-pesados emergentes, que assinaram a Convenção e Kyoto, não têm nenhuma obrigação específica no marco do protocolo, no qual são considerados países em desenvolvimento.

Mas, diante do forte aumento das emissões de dióxido de carbono (CO2), sua participação num tratado pós-2012 - embora de uma maneira menos exigente do que para os países industrializados - é considerada indispensável.

Na segunda-feira, quase um quarto dos senadores americanos pediu ao presidente George W. Bush para participar das discussões ou, pelo menos, não obstruí-las.

"No mínimo, os Estados Unidos deveriam se abster de bloquear ou de obstruir as discussões entre as partes na Convenção", sublinharam.

Por sua vez, organizações ecologistas estimaram que é um "erro estratégico" tentar levar os Estados Unidos para a mesa de negociações e que é preciso avançar sem esse país na luta contra o aquecimento do planeta.

Os Estados Unidos, com 5% da população mundial, emitem 25% do total mundial de gases com efeito estufa.

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