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07/12/2005 - 19h20

Conferência de Montreal adverte sobre mudanças climáticas e critica EUA

Por Richard Ingham=(FOTOS)= MONTREAL, Canadá, 7 dez (AFP) - As advertências sobre as mudanças climáticas e os ataques contra os Estados Unidos marcaram nesta quarta-feira as conversações dos ministros do Meio Ambiente de todo o mundo, reunidos em Montreal, para analisar como conter a contaminação por gases causadores de efeito estufa.

O primeiro-ministro canadense Paul Martin advertiu que as mudanças climáticas já afetaram o norte do seu país e condenou os céticos que consideram o aquecimento global como terrorismo dos ecologistas.

"O tempo do debate sobre o impacto climático já passou. Não precisamos mais que as pessoas imaginem seus efeitos, já que agora podemos vê-los", disse Martin, cujo país sedia a conferência.

"No Ártico, no nosso interior e ao longo de nossa costa, o país que conhecemos está sendo transformado. Os invernos são mais suaves, os verões são mais quentes e severos, há vida vegetal onde antes não havia nada. Há água onde antes havia gelo. Nosso 'permafrost' (solo permanentemente gelado) está se derretendo e lançando gás metano para a atmosfera", afirmou.

Durante uma vídeo-conferência, o presidente francês, Jacques Chirac, qualificou as mudanças climáticas como "uma crua e opressora realidade, a ameaça mais importante para o futuro da humanidade".

"Apesar de continuar havendo algumas incertezas científicas, a evidência nas mudanças visíveis de ambiente, a multiplicação de eventos (climáticos) são provas de um fenômeno que ninguém mais pode questionar seriamente", continuou.

Ministros e entidades de 189 países se reúnem para assistir em Montreal tanto a 11ª reunião de acompanhamento da Convenção sobre Mudanças Climáticas da ONU (1992) como a primeira reunião de acompanhamento do Protocolo de Kyoto (1997), que entrou em vigor em fevereiro e está operando desde a semana passada, depois que a conferência aprovou suas modalidades de funcionamento.

Trata-se de saber se os compromissos de redução dos gases causadores de efeito estufa impostos aos países industrializados pelo protocolo de Kyoto, até 2012, devem ser reconduzidos, endurecidos ou ampliados a alguns países emergentes depois desta data, em vista da aceleração das mudanças climáticas.

Mas as diferenças entre os Estados Unidos e a Europa desgastam os esforços para decidir como prosseguir depois de Kyoto.

No formato atual do protocolo, apenas os países industrializados são forçados a diminuir seus níveis de contaminação.

Considerando que as negociações pós-2012 levarão vários anos, os países estão estudando em Montreal como reduzir a emissão destes gases e a forma de ajudar os países emergentes neste sentido.

Os Estados Unidos, que se negaram a assinar o protocolo de Kyoto, assistem como observadores a estas reuniões.

O presidente americano, George W. Bush, que no passado questionou a evidência de aquecimento global, afirma que uma tecnologia mais limpa será suficiente para solucionar o problema.

Os Estados Unidos, que têm 5% da população mundial, emitem 25% do total mundial de gases causadores de efeito estufa.

Na Europa, a região do mundo mais sensível aos temas ambientais, os governos querem aprovar regulamentações mais firmes.

"Estes avanços tecnológicos não serão uma solução mágica e a esperança em um futuro progresso não nos libera de nossas responsabilidades atuais", destacou o presidente francês.

Martin também atacou o isolacionismo americano e advertiu que ninguém está imune às mudanças climáticas.

"Já passou o momento de ficarmos confortáveis na negação. O tempo de pretender que cada nação pode resistir sozinha, isolada da comunidade internacional, também passou. (...) Não existe esconderijo em nenhuma ilha, cidade ou país - não importa quão próspero seja - para evitar as conseqüências da passividade", criticou o canadense.

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