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08/12/2005 - 14h43

Museu americano atribui a Eva culpa por dinossauros se tornarem carnívoros

Por Judith Crosson DENVER, EUA, 8 dez (AFP) - É culpa de Eva os dinossauros terem se tornado carnívoros, explica Rusty Carter ao percorrer os corredores do Museu de História Natural de Denver. Seu público, composto predominantemente por escolares, ouve em silêncio.

Depois que Adão e Eva pecaram e foram expulsos do jardim do Éden, quebrando a harmonia do mundo, até os dinossauros bíblicos começaram a matar, acrescenta Carter, formado em estudos bíblicos pela Universidade do Colorado e especializado em visitas de museus "biblicamente corretas".

O discurso do guia provavelmente faria Darwin se revirar na tumba, mas este é realmente o objetivo. A teoria da "evolução não passa de filosofia", diz Carter às crianças, alunas de uma escola cristã particular.

Estas visitas são apenas uma faceta da batalha que travam há décadas nos Estados Unidos os defensores da teoria da evolução, formulada pelo britânico Charles Darwin em meados do século XIX, e seus críticos criacionistas, em um país onde a questão religiosa continua sendo muito importante.

O museu não avaliza o discurso de Carter, mas não o impede de continuar com as visitações. "Recebemos todo mundo no museu e me alegra ver que as crianças se aproximam do mundo da ciência", explica Kirk Johnson, curador do museu. "Mas me oponho totalmente à sua mensagem", disse, em alusão aos criacionistas.

Eles fazem uma leitura de primeiro grau da Bíblia, isto é, acreditam que Deus criou o mundo em seis dias e que o mundo tem apenas 6.000 anos, segundo os cálculos de um bispo anglicano irlandês do século XVII. A maioria das igrejas cristãs não apóia uma teoria deste tipo.

Mas Carter rejeita a idéia de uma "evolução deísta" professada por estas igrejas, para as quais Deus criou o universo e depois o deixou evoluir durante bilhões de anos.

"A percepção da história e as crenças pessoas mudam com a educação e as descobertas", destaca John Banks, porta-voz da igreja dos adventistas do sétimo dia, que reivindica ter 14,2 milhões de fiéis.

Carter continua com sua exposição, acrescentando considerações políticas ao afirmar que Hitler acreditava na evolução. Ele garante que, no entanto, isto não quer dizer que as pessoas que acreditam no darwinismo sejam racistas, mas apóia que "o criacionismo valoriza cada pessoa".

Há 15 anos que se celebram visitas "bíblicas" no Museu de História Natural de Denver, onde estão expostos fósseis e estátuas de tamanho natural de dinossauros. Mas o retorno do debate sobre a evolução atraiu a atração sobre elas.

No início de novembro, o Kansas (sul) decidiu autorizar o ensino nas escolas das teses de origem divina do mundo, paralelamente com a teoria da evolução. O presidente americano, George W. Bush, preconizou no início do ano que as duas "escolas de pensamento" sejam explicadas às crianças.

"Não sou contra a presença da evolução no museu, gostaria simplesmente que o criacionismo também fosse aceito", declara Rusty Carter, em frente à descrição de um Archeopteryx, elo, segundo os cientistas, entre os dinossauros e as aves.

Antes de terminar a visita com uma oração coletiva, Carter - que refuta a idade dos fósseis e a datação por carbono - pede aos estudantes, visitantes de um dia, que sempre peçam a prova do que lêem.

"É uma pergunta muito boa", reagiu Johnson, formado em paleontologia e geologia. "Mas o problema é que não os ensinam no que acreditar", concluiu.

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