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13/12/2005 - 17h46

Misterioso objeto desperta questionamentos sobre origens do Sistema Solar

PARIS, 13 dez (AFP) - Astrônomos canadenses, franceses e americanos anunciaram nesta terça-feira a descoberta de um pequeno objeto nos espaço profundo, apelidado de "Buffy", que desafia as teorias correntes sobre a evolução do Sistema Solar.

A rocha está no Cinturão de Kuiper, nome do conjunto de objetos além da órbita de Netuno, suspeitos de serem entulho da fase de construção do Sistema Solar e origem de muitos cometas, informou a Canada-France Ecliptic Plane Survey (CFEPS).

Medindo entre 500 e 1.000 quilômetros de largura e com uma órbita solar de 440 anos, "Buffy" é conhecido não por seu tamanho - alguns objetos identificados no Cinturão Kuiper são maiores -, mas por sua localização e inclinação orbital.

"Este novo objeto desafia as teorias correntes sobre a história do Sistema Solar", destacou a CFEPS em um comunicado.

"(...) Esta nova descoberta é animadora porque nos leva a repensar nosso entendimento sobre como se formou o Cinturão de Kuiper", acrescentou. "Buffy" descreve uma órbita circular quase perfeita e circunda o Sol com inclinação extrema, a 47º do plano orbital dos planetas quando giram em torno do Sol.

Mas ele se apresenta em uma curiosa região externa ao Cinturão Kuiper, nas franjas escuras e geladas do Sistema Solar.

A teoria é que, bilhões de anos atrás, este remoto conjunto de rochas assumiu sua órbita excêntrica por causa da passagem de uma estrela.

A atração gravitacional da estrela foi suficiente para dar aos objetos um "puxão", empurrando-as para fora de uma órbita circular, mas não o suficiente para fazer com que se libertassem da atração do Sol.

Mas "Buffy" é um dissidente. Sua órbita quase perfeita e inclinação circular questionam esta teoria.

Uma possibilidade, segundo os cientistas, é que, nos primórdios do Sistema Solar, o incipiente Netuno estava muito perto do Sol.

Eventualmente teria migrado para fora, fazendo com que pelo menos alguns objetos do cinturão desenvolvessem órbitas mais circulares e inclinadas, especulam.

"Buffy" é o nome temporário atribuído pela equipe ao objeto, cuja designação oficial atribuída em 2004 pela União Astronômica Internacional (IAU), com sede em Paris, é XR 190.

Sua órbita se desenvolve em um limite relativamente estreito entre 52 e 62 unidades astronômicas (UA) do Sol (a UA é uma medida padrão, em vista da distância entre a Terra e o Sol, de aproximadamente 150 milhões de quilômetros).

O Cinturão de Kuiper foi identificado pela primeira vez em 1992.

A maioria de seus objetos está numa região entre 30 a 50 UA, onde existem "pelo menos" 70.000 rochas com diâmetro de 100 km ou mais, segundo David Jewitt, especialista da Universidade do Havaí.

"Buffy" foi visto pela primeira vez por Lynne Allen, da Universidade da Columbia Britânica, no Canadá, em dezembro de 2004, quando a cientista buscava dados em computadores de alta precisão que vasculharam imagens telescópicas em busca de novas imagens celestes.

Devido ao fato de os objetos do Cinturão de Kuiper levarem tanto tempo para girar em torno do Sol, são necessários de um a dois anos de observações para calcular suas órbitas precisamente.

Futuras medições são necessárias ao longo dos próximos três meses para um cálculo preciso da órbita de "Buffy".

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