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22/12/2005 - 16h42

Senado americano rejeita perfuração petrolífera no Alasca

Por Isabel Malsang WASHINGTON, 22 dez (AFP) - Os ursos brancos e as renas silvestres do Alasca conseguiram uma trégua, depois da decisão tomada na quarta-feira pelo Senado americano de não permitir perfurações petrolíferas em uma reserva natural, apesar das pressões da administração de George W. Bush.

O Senado se negou a votar o orçamento da Defesa, ao qual foi adicionado na última hora uma emenda para permitir perfurações em um canto desta imensa extensão de gelo, água e tundra, povoada por ursos, gansos das neves, lobos e caribus no extremo nordeste do Alasca.

O texto deveria voltar a ser apresentado ao Senado sem a emenda polêmica.

O projeto, em torno do qual se enfrentam petroleiros e ecologistas há mais de 20 anos, foi vigorosamente defendido pelo governo Bush. Mas não teve apoio no Senado, atualmente dominado pelos republicanos.

Bush, cuja família fez fortuna na indústria petroleira, deu impulso à iniciativa no início de dezembro. Enquanto os preços da gasolina para o público estavam nas alturas, o presidente afirmou que as perfurações no Alasca permitiriam reduzir a dependência energética dos Estados Unidos.

O presidente minimizou os danos em potencial do projeto, destacando que se tratava de uma superfície pequena do parque natural, e maximizou os benefícios, apelando para o público de motoristas americanos.

No entanto, os especialistas já haviam relativizado o impacto potencial no abastecimento porque as quantidades disponíveis na região não são consideradas importantes o bastante para influenciar no abastecimento dos Estados Unidos, que são os primeiros consumidores de energia do mundo.

A totalidade da jazida é estimada em menos do que o país consome atualmente. E estas reservas só estariam disponíveis depois de vários anos, já que a área natural não conta com estradas e menos ainda com infra-estrutura industrial.

Por enquanto, os 77.000 quilômetros quadrados da reserva, dos quais 800 hectares teriam sido afetados pelas perfurações, continuarão intocáveis. Em 2004, só foram registrados 980 visitantes na área.

"O voto de hoje significa que o Refúgio Ártico continuará sendo um santuário espetacular e único para a vida silvestre", destacou na quarta-feira Sarah Wilhoite, da associação Earthjustice.

Por sua vez, Sierra Club, uma das associações americanas mais importantes na defesa do meio ambiente, que destacou os danos irreparáveis que a fauna e a flora da reserva poderiam sofrer, advertiu que ficará "alerta". "Os que quiserem saquear o Refúgio Ártico para obter lucros a curto prazo claramente estão dispostos a tudo", destacou.

Desde 1991, os republicanos, apoiados pela indústria petroleira, tentaram em quatro oportunidades que se votasse a abertura da região ecologicamente protegida do Alasca, mas não tiveram sucesso.

Na última vez, em 2003, os senadores democratas e vários republicanos bloquearam a iniciativa por 52 votos a 48.

Na última tentativa, o projeto foi incluído no orçamento da Defesa, argumentando a necessidade de financiamento do esforço militar.

Na reserva ANWR (Arctic National Wildlife Refuge), criada em 1960 e administrada pelo serviço federal de Pesca e Vida Silvestre, estão contadas mais de 36 espécies de mamíferos, caribus, ursos cinzentos e brancos, 180 espécies de aves e 36 de peixes.

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