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11/01/2006 - 17h51

Turquia assusta vizinhos com a gripe aviária; China conta mais dois mortos

ANCARA, 11 jan (AFP) - O medo da propagação da gripe aviária da Turquia para a Europa e seus outros vizinhos do Cáucaso e do Oriente Médio aumentou nesta quarta-feira, enquanto na Romênia foram detectados outros dois focos da doença em áreas agrícolas, e a China anunciou dois novos mortos humanos.

A gripe das aves pode se tornar "endêmica" na Turquia e "ameaçar os países vizinhos", advertiu a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO), que considerou "crucial" a coordenação da luta contra o vírus.

A FAO fez um apelo aos vizinhos da Turquia - Armênia, Azerbaijão, Geórgia, Iraque, Irã e Síria - "para que permaneçam em alerta e apliquem medidas de vigilância e luta", informando às suas respectivas populações "sobre a evolução da situação e o risco ao qual estão expostas", mesmo depois do abate de 306 mil aves realizado pelo governo turco para deter o avanço da doença.

No Iraque, as autoridades curdas baniram o comércio local de galinhas vivas por medo de que a doença mortal cruze a fronteira com a Turquia. Em outubro passado, o governo iraquiano já havia proibido a importação de aves vivas e produtos aviários procedentes daquele país.

"Nós já havíamos tomado medidas, mas depois dos últimos casos na Turquia, nós as implementamos, acabando com a venda de galinhas vivas", declarou à AFP a autoridade agrícola regional, Azad Ezzedin. Segundo ele, a caça também foi banida na região, e todos os veículos procedentes da Turquia têm seus pneus desinfetados.

A Bulgária, situada entre a Romênia e a Turquia, está em alerta vermelho para evitar o surgimento de focos da gripe aviária do país, até agora livre da doença.

"Nenhum caso de gripe aviária foi detectado entre as 7 mil análises de amostras que tiramos de aves vivas e mortas", disse nesta quarta-feira o ministro da Agricultura, Nihat Kabil, em declarações ao Parlamento búlgaro. Além do uso de desinfetantes nos carros procedentes daquele país, desde dezembro as autoridades búlgaras apreendem e destroem todas as importações de produtos aviários turcos.

Ao contrário do clima de apreensão nos países vizinhos, as autoridades turcas insistiram nesta quarta-feira em que a propagação da gripe aviária no país está sob controle, depois da confirmação de 15 casos de contágio do vírus em humanos, dois deles mortais. A China confirmou duas novas mortes: uma menina de 10 anos em Guangxi (sul) e um homem de 35 anos em Jiangxi (leste).

Com estes dois novos casos, o total de mortos com a doença sobe para 78 em cinco países do sudeste asiático (Camboja, China, Indonésia, Vietnã, Tailândia) e na Turquia. Um encarregado da Organização Mundial da Saúde (OMS) apoiou Ancara, ao considerar "apropriada" à reação do governo turco diante da epidemia e assegurar que não há "razão para pânico".

"A situação foi levada a sério desde o início. Não há qualquer risco de viajar para a Turquia", acrescentou Marc Danzon, diretor-regional da OMS na Europa, em entrevista coletiva celebrada em Ancara, reforçando que até o momento, o fantasma de uma mutação do vírus que permita sua transmissão entre pessoas não se materializou.

O ministro da Saúde turco, Recep Akdag, insistiu nesta quarta-feira em que "a situação está sob controle", respondendo, assim, às críticas da imprensa local, que acusa o executivo de ter respondido tardiamente à crise.

Em tom de indignação, os jornais também criticaram as escassas medidas de higiene adotadas pela população turca por ocasião do feriado muçulmano do Eid Al-Adha, durante o qual são sacrificados milhares de animais, tanto nas áreas rurais quanto nas metrópoles.

As autoridades turcas já haviam alertado que o gado pode transportar o vírus na pele ou nos cascos caso tenha tido contato com aves infectadas.

Na falta de informações centralizadas, o número de províncias turcas afetadas chega a 15 (de um total de 81), segundo o ministério da Agricultura, a 23, segundo uma contagem feita pela AFP, e a 27, segundo os meios de comunicação turcos.

Por sua vez, o principal objetivo dos países da Europa ocidental é multiplicar as medidas de vigilância para impedir a entrada da doença.

Neste contexto, os especialistas veterinários da União Européia decidiram ampliar até o fim de 2006 o programa de vigilância dos pássaros selvagens e das aves de criação, segundo um comunicado da Comissão Européia.

No entanto, o temor europeu aumentou depois do anúncio romeno de dois novos possíveis focos de gripe aviária no sudeste do país.

"Os povoados de Ciresu e Dudesti ficam perto de outras duas localidades já atingidas pelo H5N1, letal para as aves", destacou um comunicado do Ministério da Agricultura romeno.

A Romênia, depois da Grã-Bretanha e da Rússia, desaconselhou seus cidadãos a viajarem à Turquia. Enquanto isso, o serviço veterinário da Estônia começou a inspecionar as granjas do país, dando atenção especial à origem da alimentação dos animais, embora o país já tenha banido o uso de alimentos para aves procedentes de regiões afetadas pela gripe aviária. Entre outras medidas preventivas estão a proibição imposta aos criadores de levar as aves em viagens dentro e fora do país, e a realização de eventos públicos, como exposições de aves, apenas com a autorização das autoridades veterinárias.

Também na Alemanha, os controles veterinários contra a gripe aviária serão reforçados em razão da "Grüne Woche", feira internacional de agricultura e alimentação que será inaugurada na próxima sexta-feira, em Berlim.

Segundo os organizadores, além da vacinação obrigatória dos animais expostos, "mandamos examinar cada animal por um veterinário cinco dias antes da inauguração" do evento, declarou o encarregado do parque de exposições de Berlim, Christian Göke, em entrevista coletiva concedida nesta quarta-feira.

Na França, o ministro da Saúde Xavier Bertrand apresentou um plano atualizado contra a gripe aviária. No centro deste programa nacional está o estoque maciço de medicamentos antivirais e de máscaras faciais.

O plano de ação francês dá ênfase ao tratamento em casa com médicos de família, deixando que os hospitais lidem com os casos mais graves.

Reservas dos medicamentos Tamiflu e Relenza serão aumentados dos atuais 14 milhões de doses para 33 milhões em 2007 para uma população de 60 milhões de pessoas, informou Bertrand.

O estoque será liberado de graça para médicos e hospitais caso a cepa H5N1 da gripe aviária sofra uma mutação e passe a ser transmissível entre humanos, afirmou.

Além disso, até o fim de 2006, um bilhão de máscaras faciais estarão disponíveis para a distribuição ao público em geral para evitar a contaminação através de espirros e da tosse. Os antivirais e as máscaras faciais estarão disponíveis também para os cidadãos franceses no exterior, através das embaixadas locais.

A França encomendou, ainda, 40 milhões de doses de uma futura vacina contra a temida cepa, mas esta só poderá ser desenvolvida quando a variante humana da doença surgir.

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