UOL Notícias Notícias
 

12/01/2006 - 16h27

Estudo alerta contra prescrição de ferro em áreas afetadas pela malária

PARIS, 12 jan (AFP) - As recomendações das Nações Unidas para que as crianças recebam sistematicamente suplementos de ferro e ácido fólico em populações onde é alta a incidência de anemia podem ser perigosas em regiões onde a malária é disseminada, revela um estudo.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) apoiou diretrizes em 1998 segundo as quais estes suplementos devem ser dados a crianças de até dois anos em áreas onde é grande a prevalência da anemia.

Mas um estudo que será publicado na edição on-line da revista científica britânica The Lancet sugere que o ferro e o ácido fólico adicionais podem ser perigosos para algumas crianças em países onde a malária está fora de controle.

A equipe de médicos, chefiada por Robert Black, da Universidade Johns Hopkins, em Baltimore, Maryland, acompanhou mais de 24 mil crianças com idades entre 1 e 35 meses em Zanzibar, às quais forneceu, aleatoriamente, ferro e ácido fólico; ferro, ácido fólico e zinco, e um placebo.

O estudo foi interrompido depois de pouco mais de um ano, quando os médicos perceberam uma taxa de mortalidade muito maior entre aquelas crianças que ingeriram ferro e ácido fólico.

Aquelas que ingeriram estes minerais tinham 12% mais chances de morrer ou precisar de tratamento hospitalar do que aquelas que tomaram o placebo.

A explicação biológica para isto permanece obscura. Uma pesquisa anterior relacionou os suplementos prescritos em regiões afetadas pela malária a níveis mais altos de parasitas da malária no sangue, bem como de pneumonia e diarréia.

O estudo revelou que crianças anêmicas com uma deficiência específica de ferro se beneficiaram destes suplementos.

Em outras palavras, o ferro e o ácido fólico não devem ser administrados em áreas afetadas pela malária a menos que uma criança tenha diagnosticada deficiência de ferro.

"A suplementação daqueles que não são deficientes em ferro pode ser perigosa", destacou o estudo. "As diretrizes atuais para a suplementação universal com ferro e ácido fólico deveria ser revista", acrescentou.

Três quartos das crianças com menos de cinco anos do leste da África são anêmicas por causa da desnutrição, segundo números citados pela equipe de Black.

A anemia é uma deficiência de glóbulos vermelhos produzidos na medula, causada por falta de ferro, vitamina B12 ou ácido fólico. Os sintomas são fadiga, palpitações e redução do fôlego.

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    -0,54
    3,265
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h20

    1,36
    64.085,41
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host