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13/01/2006 - 17h15

Três espanhóis concluem expedição de dois meses na Antártica

Por Gabriela Calotti= (FOTOS + INFOGRAFIA) = MADRI, 13 jan (AFP) - A bordo de um inovador "catamarã polar", três experientes aventureiros espanhóis concluíram com êxito, na quinta-feira, uma expedição científica de dois meses na Antártica, durante a qual tiveram que enfrentar "o maior desafio geográfico do planeta".

"A Expedição Transantártica Espanhola concluiu a Grande Travessia Polar, um desafio que os levou a percorrer 4.500 km em apenas 62 dias em solo gelado", informaram os organizadores, em Madri, em um comunicado recebido pela AFP.

"Conseguimos! É fantástico!", comemorou Ramón Larramendi, explorador e diretor do projeto, do convés do navio russo "Akademik Federov", que o resgatou na quinta-feira perto da base russa Progress (leste), junto com Juan Manuel Viu, geólogo ambiental e piloto comercial, e Ignacio Oficialdegui, biólogo e alpinista.

Estes três expedicionários se lançaram, em 12 de novembro passado, à aventura de percorrer o continente gelado em uma espécie de trenó puxado por pipas em forma de pára-quedas para tentar não só uma aventura esportiva e técnica em um ambiente inóspito por excelência, onde as temperaturas oscilam em torno dos 45 graus negativos, mas também para colaborar em pesquisas científicas sobre as mudanças climáticas realizadas pelo Instituto Glaciológico de Grenoble (França).

O objetivo principal da expedição era fazer a primeira travessia da Antártica oriental, sem usar auxílio aéreo ou apoio mecânico e demonstrar a viabilidade do "catamarã polar" como um "sistema revolucionário" que não agride o meio ambiente e aproveita o vento.

A parte científica consistiu em "recolher amostras de gelo em áreas inacessíveis do platô antártico que permitirão, mediante um estudo de isótopos de carbono, determinar as variações climáticas que ocorreram desde que o gelo se depositou até agora", explicou à AFP Lorena Cabeza, encarregada da comunicação da Estação Transantártica Espanhola.

Estas amostras de gelo também permitirão estudar os ventos catabáticos no platô antártico, ou seja, as correntes de ar que descem das alturas até o fundo dos vales, produzidas pelo deslizamento rente ao solo do ar denso e frio.

O "catamarã polar", desenvolvido por Larramendi, que o testou na Groenlândia, é um trenó de madeira unido com 36 cordas a um conjunto de pipas - para a travessia foram usadas 10 -, que funcionam como velas.

Na parte dianteira, vai o condutor e a traseira é equipada com um habitáculo fechado de 7 metros quadrados dividido em dois compartimentos: um para dormir e outro para o co-piloto.

Aproveitando os ventos de 50 km/h que, em geral, sopram na Antártica, os expedicionários percorreram 3.000 km de norte a sul até os primeiros dias de janeiro e chegaram à base russa de Vostok com uma média de 250 km diários.

Com a travessia, a equipe bateu um novo recorde em 16 de dezembro, quando percorreram 311 km em um único dia, superando a marca estabelecida em 1997 pelo belga Alain Hubert (271 km).

No entanto, nem sempre o vento esteve ao seu lado.

"Fizemos várias tentativas de erguer as pipas, mais como teste, mas a verdade é que não nos parecia nada fácil e, então, de repente, elas levantram. Graças a esta brisa, pudemos cobrir 280 km em 19 horas de navegação", relatou Larramendi dias antes da chegada, quando a expedição estava a 72º4' sul e 86º 44' leste, em uma das comunicações diárias que manteve com Madri.

Para atualizar sua posição e se comunicar, os exploradores levaram consigo um telefone por satélite e um rádio.

Embora inicialmente devessem percorrer os 5.000 km que separam a base russa de Novo (norte) da italiana de Terranova ou da francesa Dumont d'Urville (sul), dias antes de concluir o trajeto, tiveram que seguir no rumo leste a partir do platô em que estavam a uma altura de 2.500 metros.

"Não recebemos a ajuda" necessária para que um avião francês ou italiano pudesse levá-los até o sul e, assim, preservar o material científico, devido à íngreme descida até a costa, explicou Cabeza.

Na quinta-feira, um helicóptero russo os recolheu e levou ao navio oceanográfico russo "Akademik Federov", ancorado perto da base Progress, de onde voltarão à Espanha.

A equipe levou seis anos para realizar este projeto, que certamente não será o último a despertar a curiosidade do homem, pois, como disse a porta-voz da equipe, "a Antártica é sempre o maior desafio que um explorador pode enfrentar".

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