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19/01/2006 - 16h42

No país das pombas, a gripe aviária desespera os criadores

Por Nicolas Cheviron=(FOTO)= ISTAMBUL, 19 jan (AFP) - Os criadores turcos de pombos estão desesperados com a irrupção da gripe aviária no país, paraíso de numerosas espécies raras criadas há séculos pela população local, e recusam o sacrifício sistemático e indiscriminado de seus protegidos.

As autoridades turcas já sacrificaram quase um milhão de aves, entre elas várias pombas, para conter a propagação do vírus H5N1 da gripe aviária, que já matou 4 pessoas na Turquia.

Algumas prefeituras criaram métodos criativos para caçar as pombas, como a de Corum (norte), que experimentou, sem sucesso, sistemas de propagação de ondas de rádio e de iluminações intensas, ou a de Sinop, no Mar Negro, que pretende recorrer a explosivos.

Para os columbófilos (amantes das pombas), bastante numerosos na Turquia, as inocentes aves são injustamente acusadas de transmitir a doença.

"É injusto acusar as pombas de transmitir a gripe aviária", indignou-se Türker Savas, professor de técnicas agrícolas na Universidade de Canakkale (noroeste) e presidente da União dos criadores de pombas da Turquia, ouvido por telefone pela AFP.

"Sabemos que as pombas podem contrair a doença, mas elas não são vetores de transmissão do vírus ao homem", assegurou, lamentando o sacrifício esporádico de suas protegidas, "porque a informação não é divulgada em todos os lugares".

Para Savas, o sacrifício sistemático das pombas seria uma catástrofe no plano científico.

"Seria uma grande perda em termos de recursos genéticos. Das 800 espécies registradas no mundo, cerca de cem são originárias da Turquia", explicou.

Segundo alguns, a paixão dos turcos pelos pombos remonta a um período recuado na história, quando seus ancestrais, instalados na Ásia Central e ainda não convertidos ao Islã, dedicavam um culto xamânico às pombas, que seriam capazes, segundo sua crença, de conduzir as almas dos mortos ao céu.

"Na Turquia, criamos pombas há centenas de anos, e os preceitos desta época ainda são respeitados atualmente", contou à AFP Ibrahim Yavi, da associação dos columbófilos dos terraços de Gültepe, em Istambul.

"Eles são uma parte de nós, seu valor não é material, mas espiritual", disse, antes de pedir aos pesquisadores para encontrar um remédio capaz de salvar esses animais fetiches.

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